Tag Archive for: ideia de jogo

“a pausa, esta pausa é a marca dos melhores”

“A pausa refere-se sobretudo à capacidade para temporizar, para tomar decisões correctas no timing certo. Por não se desfazerem da bola porque sim, mas somente no momento e para o espaço ideal. Enfim, a pausa, esta pausa é a marca dos melhores. Dos que jogam o que o jogo dá, não o tendo decorado. As suas acções não surgem porque sim, mas porque aproximam sempre a sua equipa do sucesso. Têm ideias.”

(Pedro Bouças, 2015)

Vitinha… o mestre do “Privilégio pelo passe vertical”

A 21 de Março publicámos o sub-princípio ofensivo Privilégio pelo passe vertical. 

O português Vitinha apresenta uma qualidade tremenda nesta acção táctica. Seja em Transição Ofensiva, seja em Organização Ofensiva. Num momento da evolução do jogo em que, tendo em conta o exemplo do Barcelona de Guardiola, se temia a exacerbação da posse e circulação de bola através de “más cópias” e de excessiva lateralizarão do jogo, continuam a emergir jogadores que procuram privilegiar, em primeiro lugar, o jogo vertical. Mas não qualquer jogo vertical com probabilidade elevada de perda da bola. Um jogo criterioso, em que se esse solução está fechada, então si, opta-se por outra em vez da perda da bola.

Como tal, nos jogos da fase de eliminatórias da edição desta época da Liga dos Campeões (jogos à partida de elevado nível de dificuldade), realizámos uma compilação de todas as acções de passe vertical ou de tentativa de passe vertical do português que acabaram por resultar em pelo menos passe diagonal. Estas, na maior parte dos casos, resultaram em passes para o corredor lateral. Mas a intenção prioritária estava lá: procurar a progressão pelo corredor central. No mínimo atraiu adversários a fechar o espaço central, libertando os corredores laterais, o que também é muito importante para a progressão da equipa.

Porque não juntámos ao video as imensas intenções de passe vertical, fica o desafio ao leitor: analisar no futuro o comportamento do português sempre que recebe a bola e está enquadrado com a baliza adversária, e a procura prioritária por linhas de passe verticais. Não será exagerado dizer que Vitinha, de frente ou lateralmente para a baliza adversária, procura o passe vertical em mais de 80% das situações. A maioria das restantes são situações de enorme pressão em que decide, bem, tirar a bola da pressão lateralmente ou para trás.

Este privilégio sucede porque há um momento, ou após recuperação da bola, ou então numa fase inicial da construção, em que a equipa que defende ainda não percebeu se a intenção de quem ataca vai para a progressão pelo corredor central ou lateral. Nesse momento pode apresentar mais espaços intra-linhas por estar a procurar controlar toda a largura do campo, e sendo assim estes podem ser aproveitados para a realização de um passe vertical, de foram a que a equipa que ataca consiga chegar rapidamente ao sub-momento de criação.

“O Jürgen falou sobre as “novas” ideias, como jogar o primeiro passe para a frente.”

(Pep Lijnders, 2022)

Esconder a acção táctica

Publicamos um novo sub-tema na área Ideia de Jogo proposta. Trata-se de uma qualidade da Acção táctica, o Esconder a acção táctica. Acompanhamos o texto com uma compilação em vídeo de diversas situações ilustrativas da importância desta qualidade em várias acções de jogo.

“Contudo, esta preocupante tendência não se esgota na formação, tendo repercussões claras no presente e no futuro desempenho dos jogadores de rendimento superior. Este facto induz Valdano (2007c) a referir que os futebolistas actuais, em geral, seriam bons candidatos a genros: disciplinados, obedientes, sinceros… Acrescentando, no entanto, que os mesmos se esquecem que a arte do futebol, como a da guerra, é a arte do engano. Fazer crer ao adversário algo diferente daquilo que vamos realmente fazer é a maneira de ganhar tempo, de fabricar espaços, de conseguir vantagem. Garrincha enganava com a finta, Laudrup com o passe, Cruyff com a velocidade. No reportório criativo de todos os grandes jogadores, incluindo os defesas, “a arte do engano” foi sempre o melhor veículo que o talento utilizou para expressar a sua singularidade.”

(Hélder Fonseca & Júlio Garganta, 2006)

Uma linha de contenção perante bola no interior da grande-área. Outro exemplo.

Na semana passada publicámos o sub-princípio defensivo Uma linha de contenção perante bola no interior da grande-área. Analisando, por outras razões, o jogo entre Real Sociedad e Paris Saint Germain da presente edição da Liga dos Campeões deparámo-nos com mais uma situação que expõe a necessidade deste sub-princípio. Deste modo, o alinhamento da última linha e a proximidade entre, pelo menos, os dois defensores mais próximos da bola não é um mero detalhe, exagero ou extravagância. É que, como a situação ilustra, por centímetros, passa a haver ângulo de finalização, a bola passa e é obtido golo.

É verdade que há muito mérito de Mbappé, nomeadamente quando simula o remate e dá mais um toque para o interior do campo, abrindo mais espaço para ganhar ângulo de finalização, no entanto, desde o momento inicial que os dois defensores mias próximos de si não estavam alinhados e a procurar reduzir o espaço entre ambos e para poder alvejar a baliza. A bola sai extremamente colocada ao segundo poste, porém caso o defensor em cobertura defensiva tivesse lado a lado com o companheiro em contenção, a bola não passaria.

Quando Mbappé simula e conduz para dentro, Traoré (em cobertura defensiva) deveria se ter aproximado e alinhado com Zubeldía (em contenção). Com esta acção os restantes dois jogadores posicionados na última linha deveriam alinhar-se por Traoré e Zubeldía reduzindo o espaço à sua frente e colocando-se mais próximos de reagir a uma possível dobra aos companheiros ou à reação a uma segunda bola que ressaltasse destes.

“Outro aspecto determinante para a consecução do encurtamento dos espaços é a regra do fora de jogo. A sua existência possibilita a diminuição da profundidade do processo ofensivo adversário e, portanto, dificulta a criação de espaços livres (Yagüe Cabezón, 2001, cit. por Amieiro, 2004).”

(Pedro Soares, 2009)

“Quando o treinador está a ver hábitos no relvado é um momento muito importante”

“Sabia que a posição onde poderia encaixar seria ou a 8 ou num dos dois lugares mais adiantados, mas obviamente depois, com o decorrer dos jogos, tive quase sempre o Bernardo à minha frente e essa foi também uma das dinâmicas que o mister gostou de ver e quis manter. Aquela troca de posições entre mim e o Bernardo, já que ambos conseguimos e sabemos o que temos de fazer em cada uma delas… Aquela rotação que por vezes acaba por acontecer naturalmente não é pensada, trabalhada ou treinada, o treinador simplesmente sabe que a podemos fazer. Entendemo-nos os dois muito bem a jogar juntos e é uma dinâmica que funciona muito bem.”

(Bruno Fernandes, 2024)

Uma linha de contenção perante bola no interior da grande-área

Publicamos um novo sub-tema na área Ideia de Jogo proposta. Trata-se do sub-princípio defensivo Uma linha de contenção perante bola no interior da grande-área. Sendo uma ideia que pode surgir tanto em Transição Defensiva como em Organização Defensiva, é neste último momento do jogo em que surge mais vezes no jogo.

“Trata-se de um sub-princípio que pode ser explorado em descoberta guiada. Por exemplo, um jogo reduzido no interior da área proporcionará que este género de situações aconteçam e que as equipas sofram golos por ausência do sub-princípio. Nesse momento o treinador pode parar a situação, questionar os jogadores e conduzir o diálogo à necessidade e importância deste comportamento.”

“A melhor coisa que aprendi contigo foi não pedir a jogadores coisas que não conseguem mas adaptar-me para tirar o melhor rendimento deles.”

“Como treinador, necessito encontrar e saber pressionar a “tecla” exata para que essa ordem tática sem a bola se transforme numa “desordem organizada” com a bola e o jogador tenha liberdade, capacidade de tomar decisões e improvisação, assuma riscos, invente e seja criativo para desenvolver assim todo o seu potencial. Se o sistema tático te tira criatividade, não serve.”

Ricardo Zielinski citado por (Gérman Castaños, 2018)

“Quando eles começam a sentir o gosto por aquilo que estão a fazer…”

“Uma equipa pode jogar de qualquer maneira. É mesmo assim: de qualquer maneira. Desde que se trabalhe de modo a sistematizar as coisas para esse objectivo, de maneira a que todos acreditem. Se o treinador acredita; se os adjuntos acreditam; se os jogadores acreditam, tudo é possível.”

(José Mourinho, 2004) citado por (João Romano, 2007)

Sub-Princípio Ofensivo | Privilégio pelo passe vertical

Publicamos um novo sub-tema na área Ideia de Jogo proposta. Trata-se do sub-princípio ofensivo Privilégio pelo passe vertical. Sendo uma ideia que pode surgir tanto em Transição Ofensiva como em Organização Ofensiva, é no primeiro momento do jogo que ganha especial relevo.

“Com a quantidade de oportunidades que criámos contra o Bilbao, pudemos ver que o conceito de “primeiro passe para a frente” estava realmente a funcionar.”

(Pep Lijnders, 2022)

A Ideia de Jogo no Programa de Treino

“É importante que os conteúdos a desenvolver nos diferentes dias da semana estejam inter-relacionados, sendo reforçados a cada dia através de situações diferentes, quer estruturalmente, quer na sua complexidade, facilitando as aquisições por parte dos jogadores.”

(Vítor Gouveia, 2023)

Abordámos recentemente a adaptabilidade e flexibilidade do Programa de Treino que propomos em função de diferentes Ideias de Jogo. Propriamente, o propósito do mesmo não foi servir em Especificidade determinada Ideia de Jogo, mas sim múltiplas. Referimo-nos à programação, à escala dos conteúdos e forma como estes estão construídos e distribuídos. E na maioria dos casos, mesmo os próprios exercícios.

Podemos dar dois exemplos sem aprofundar muito as sessões e respectivos exercícios. Tal ficará para as páginas respectivas que estamos a publicar. Esta explicação procurará ideias simples mas dispares, para que a explicação seja mais clara. Um treinador que defina na sua Ideia em Organização Ofensiva numa Construção e Criação num jogo mais directo e em defesa individual em Organização Defensiva, e outro que deseje que a sua equipa ataque de forma mais curta e apoiada no momento ofensivo e numa defesa zona, ou seja, colectiva, no momento defensivo.

Vamos tomar como exemplo a semana A do Programa. Primeiro treino da semana, Transição Ofensiva como grande objectivo. Exercícios de Reação ao ganho, decisão sobre a entrada no sub-momento de Contra-ataque ou Valorização da posse de bola e seu desenvolvimento. Conteúdos, para nós, transversais a todas as ideias de jogo. Desenvolve-se ainda um situação de jogo colectiva de compensação para os jogadores menos utilizados. Aí, liberdade para o treinador prescrever ideias, corrigir coisas e experimentar.

No segundo dia, Transição Defensiva. Exercícios de Reação à perda, Recuperação defensiva para a sua estrutura defensiva e Defesa do contra-ataque, serão desta forma geral, também transversais a todas as ideias. Todas dependem destes sub-momentos para terem qualidade e sucesso.

Terceiro dia, Organização Ofensiva. Exercícios de Acções individuais ofensivas reforçam, na dimensão individual, todas as ideias. Posteriormente situações de Construção, Criação e Finalização em diferentes escalas estruturais e espaciais, porém com margem para saída do Guarda-Redes curta ou longa, uma posterior construção mais curta ou longa, privilegiando o corredor central e lateral, como também em sub-momento de Criação. Todos articulados com a Transição Defensiva. Uma vez mais, espaço nos exercícios para a Especificidade.

Quarto dia, Organização Defensiva. Um exercício de objectivo diferente, velocidade e coordenação gerais, outro que apele à coesão, competitividade e Acções individuais defensivas. Posteriormente situações de Impedir a construção, Impedir a criação e Impedir a finalização. Espaço para diferentes ideias defensivas, métodos defensivos, diferentes estruturas e diferentes profundidades de posicionamento do bloco. Em bloco alto, médio ou baixo. Independentemente da Ideia de Jogo do treinador dar privilegiar uma dessas opções, cremos ser importante dominar todas elas. Diferentes contextos, diferentes situações de jogo, diferentes necessidades. Uma equipa pode defender em bloco baixo com qualidade, mas algum jogo irá estar em desvantagem. E se nesse caso o adversário optar por um maior privilégio à posse e a “defender com bola”, a equipa terá a necessidade de subir o bloco e tornar a sua pressão mais alta e mais agressiva.

Quinto dia, dia anterior à competição, situações de team-building em regime técnico, coordenativo e velocidade. Posteriormente situações de consolidação / estratégicas onde o treinador terá espaço para tais ajustamentos.

Depois poderão existir diferenças nos princípios ou no detalhe das acções individuais. Se, por exemplo, o treinador deseja valorizar mais a posse, se procura forçar mais o Contra-ataque e o privilégio pelo passe vertical, mesmo que mais longo, tal será principalmente através de um eventual condicionamento do detalhe do exercício e através do feedback e apresentação da Ideia. O mesmo sucede com as acções individuais. Haverá espaço para as mesmas nas 4 semanas do Programa, porém, dependendo do escalão e da Ideia, o treinador poderá privilegiar determinadas variantes das ações. Por exemplo, mais passe longo em detrimento do curto. Ou noutro exemplo, que o desarme seja mais estimulado quando em contenção e com o adversário enquadrado, e menos quando este ainda se encontra de costas para a baliza.

O próprio Programa propõe diferentes variantes para cada exercício (que vão sendo publicados semanalmente) que servindo de variações e progressões dos objectivos macro, permitem também dar espaço de escolha ao treinador de forma a adequar com maior precisão a Ideia ao exercício.

“No que diz respeito à tarefa de planear, o treinador terá que fixar objectivos, seleccionar conteúdos de treino e definir a melhor metodologia a implementar para concretizar os objectivos definidos.”

(Jorge Braz, 2006)

Acções Individuais Defensivas

Publicámos uma nova página no trabalho Saber Sobre o Saber Treinar. Inserido na Ideia de Jogo, trata-se de uma introdução às Acções Individuais Defensivas. Sendo um introdução desenvolvemos ideias gerais sobre as mesmas e identificamos, segundo a nossa perspectiva, as que integram a nossa Ideia de Jogo. A sua explicação uma a uma ficará para sub-páginas dedicadas às mesmas.

“(…) do ponto de vista da acção defensiva, por exemplo, podemos / devemos avaliar o desempenho individual na tabela (jogador perde o domínio espacial em relação ao marcador directo), na cobertura (salta na pressão quando devia manter posição), no cruzamento (perde domínio do campo visual e, consequentemente, a orientação corporal), no desarme / tempo de entrada (toma a iniciativa quando devia ter temporizado) ou posicionamento / deslocamento (devia ter acompanhado a desmarcação / não soube retirar a profundidade).”

(Miguel Quaresma, 2021)

Os princípios de jogo e a necessidade dos mesmos na resolução de uma situação de contra-ataque II. Agora em 3×3+GR e 1×1+GR. Mas também o pensamento divergente de David Neres. Exemplos do Benfica x Vizela.