Tag Archive for: conhecimento do jogo

O Manchester United de Matt Busby… a concretização do sonho

Como já referido em artigos anteriores sobre o Manchester United de Matt Busby, a equipa e o clube são um dos exemplos mais inspiradores de resiliência e superação na história do futebol. Após o trágico desastre aéreo de Munique, em 6 de fevereiro de 1958, que custou a vida de 23 pessoas, incluindo oito jogadores da equipa, o clube enfrentou um dos momentos mais sombrios de sua história. Esse acidente devastou a estrutura do Manchester United, não só pela perda de talento, mas também pelo golpe emocional que afetou profundamente os sobreviventes, incluindo o próprio treinador, Matt Busby, que ficou gravemente ferido.

Busby, que já havia transformado o Manchester United numa potência, teve de reconstruir a equipa praticamente do zero, contando com jogadores jovens, como George Best e Brian Kidd, e com o lendário Bobby Charlton, um dos sobreviventes do desastre. Durante anos, o foco foi reconstruir não apenas a equipa, mas também a confiança e a identidade do clube. Essa reconstrução foi marcada pela força coletiva e pela crença na visão de Busby, que nunca abandonou o sonho de levar o United ao topo da Europa.

Em 1968, dez anos após o desastre de Munique, o Manchester United alcançou essa glória ao vencer o bicampeão europeu Benfica na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, no Estádio de Wembley, em Londres. Já no prolongamento, a vitória por 4-1  foi a coroação da resiliência e do talento da equipa. George Best marcou um dos golos mais memoráveis do jogo, exibindo a habilidade que o tornaria um ícone. Bobby Charlton, que também marcou na final, completou um ciclo de redenção e honra. Esse título foi o primeiro de um clube inglês na competição europeia, e o Manchester United demonstrou que, apesar das tragédias, era possível ressurgir ainda mais forte.

A história do Manchester United de Matt Busby oferece uma poderosa mensagem para todos os clubes: a importância de perseverar, manter uma visão clara e apostar no desenvolvimento de jovens talentos, mesmo quando as circunstâncias parecem insuperáveis. E sublinha que a grandeza de um clube não reside apenas em troféus, mas também na capacidade de ultrapassar a adversidade com coragem, coesão, determinação e ambição.

“É o sonho de qualquer treinador, suponho, construir uma equipa treinando jovens jogadores dos 15 aos 17 anos. Foi por isso que comecei um programa de formação de jovens.”

(Matt Busby)

Defesas-Laterais dentro e Médios-Laterais fora. O Vitória de Guimarães como exemplo.

“I said to myself: Sven, if you want to play that in the future, get the right players. In other way… waist of time.”

“ressalta o raciocínio base do modelo de jogo da equipa: ataca-se quando se tem a posse da bola, defende-se quando não se tem a posse da bola. Observa-se assim: “uma expressão colectiva no processo ofensivo e uma expressão colectiva no processo defensivo”, ou por outras palavras, “todos os jogadores atacam, todos os jogadores defendem”

(Carlos Queiroz, 1983)

O jogo é qualitativo. Um exemplo da dificuldade em criar “caixas” para o catalogar. E o enorme impacto da nova regra de reposição da bola na dinâmica do jogo.

“Se o Messi está um contra um, não é para o ajudar”

“se alguém joga bem é precisamente para ganhar”

“No final, é o que fazes para poder ganhar e isso é o mais importante.”

Um contra-ataque 3×2+GR… ou melhor… 3×3+GR e possíveis soluções.

A situação sucedeu no México x Equador da Copa América. O momento para o Equador é de Transição Ofensiva, sub-momento de Contra-Ataque. No ângulo de análise que trazemos, o protagonista é Enner Valencia, atacante com bola que conduz o contra-ataque.

Num primeiro momento, sendo a situação inesperada por ser resultado de um ressalto, a recepção de Valencia é muito boa. Sendo orientada para a baliza adversária ganha imediato tempo e vantagem sobre a oposição, possibilitando uma situação de contra-ataque em 3×2+GR, que, se desenvolvida eficientemente, antecipava grande probabilidade de golo. Valencia toma ainda outra boa decisão. A condução, não caindo na tentação de passar para o companheiro à sua esquerda, que com mais espaço, aparentava estar em melhor condição para progredir para a baliza adversária. Não atendendo às especificidades individuais dos jogadores em causa, de uma perspectiva geral poderia ser um erro fatal ao contra-ataque porque não só este não se encontrava no corredor central, mas também porque o percurso para a baliza tinha uma elevada probabilidade de ser interceptado pelo opositor mais próximo, até porque este também se encontrava orientado e com os apoios virados para esse espaço.

Contudo, o equatoriano comete um erro de execução, deixando a bola para trás por um breve momento mas que numa situação com esta foi o tempo suficiente para permitir a recuperação de um terceiro defensor, tornando-se a situação num 3×3+GR, portanto elevando o grau de dificuldade para os atacantes.

Depois, a grande questão que na situação é colocada, torna-se a decisão sobre o último passe ou a opção tomada, a finalização. Sendo a simplificação da relação o desejável, ou seja, eventualmente colocar um segundo atacante em 1×0+GR, o ângulo em que este acabará para a baliza e tendo também em conta o seu pé dominante e qual ficará mais disponível para rematar, serão questões relevantes e uma análise e decisão extremamente difícil de fazer em tão pouco tempo e sob enorme desgaste. Deste modo, quando em condução pelo corredor central e já próxima da grande área, a opção pela finalização dificilmente se torna uma péssima opção porque existe um eventual enquadramento com a baliza e é possível que a contenção não esteja a ser muito agressiva por também ter a preocupação com os outros atacantes. Foi o caso. Nesta decisão, o que não correu bem foi a execução do remate.

Ainda assim, apesar da situação em causa não permitir o resposta fácil, podia ter surgido uma solução mais eficaz. Para decisão de último passe, para nós a decisão mais evidente seria realizá-lo quando, Chávez, o opositor mais próximo e que se encontra dividido por Valencia e pelo atacante mais à direita, decide rodar os apoios e enquadrar-se com o espaço exterior. O passe nesse momento encontraria-o em reduzida capacidade de reação e mobilidade o que colocaria o segundo atacante em 1×0+GR pela direita. Valencia também podia ter atacado o ímpar, ou seja, fixado esse defensor de forma a garantir que ficaria efectivamente fora da situação, tomando assim similar opção. Outra alternativa seria atacar o par, ou seja, atacar o espaço entre o defensor do meio e o à direita do portador, procurando criar indefinição entre os dois e possivelmente atraindo ambos à bola o que poderia permitir mais espaço para o mesmo último passe à direita ou, caso o defensor ao meio, Pacho, saísse à bola, poderia arrastar consigo a cobertura defensiva de Mena, o defensor da esquerda, abrindo dessa forma uma nova solução: o último passe para o terceiro atacante, mais à esquerda, Páez.

O Programa de Treino que desenvolvemos procura chegar a este nível de detalhe, garantindo propensão a diversas situações de relação numérica de contra-ataque para que surjam diversos contextos e possibilidades, e a eventual correção das decisões nos mesmos. A repetição é fundamental não só para compreender as melhores opções em diversos cenários, mas também para a apropriação dessas conclusões pelo sub-consciente do jogador, para o entrosamento entre os mesmos e em última instância para o crescimento do modelo de jogo da equipa. Desse modo, a tal velocidade e desgaste que o jogo proporciona torna-se menos condicionante e relevante na eficácia final da acção. Propiciar o crescimento da eficiência no jogo é o caminho para se atingir este derradeiro objectivo.

“Cristiano Ronaldo: um herói da cultura!”

O título é retirado de um artigo do Professor Manuel Sérgio de 2013, que se mantém actual.

“É que o desporto, mormente o futebol, é o fenómeno cultural de maior magia no mundo contemporâneo. E do futebol é o Ronaldo um intérprete de eleição, como outro não se encontra, hoje, em Portugal e no mundo todo. Assim, porque o futebol é uma Atividade Humana e o ser humano manifesta-se, sobre o mais, através de uma expressão cultural, seja qual for o modo de expressão utilizada – o futebol é cultura e os seus agentes são também agentes culturais. “

(Manuel Sérgio, 2013)

Por vezes não não necessárias palavras para definir Liderança…

“Estive dezoito anos no Mainz e quando saí pensei: da próxima vez vou ter de trabalhar com menos coração. Disse isso porque todos chorámos durante uma semana. A cidade organizou uma festa de despedida que durou uma semana. Para uma pessoa normal é demasiada emoção. Pensei que não era saudável trabalhar assim. Mas ao fim de uma semana em Dortmund tinha voltado ao mesmo. Encontrar esta situação duas vezes, ser atingido pela fortuna desta forma, é muito raro”.

(Jürgen Klopp, 2013)

Esconder a acção táctica. David Simão explica a qualidade.

Há algumas semanas atrás publicámos o sub-tema na área Ideia de Jogo proposta que se propõe como uma qualidade da Acção táctica: o Esconder a acção táctica. No passado dia 27 de Maio, David Simão e Pedro Bouças analisaram uma acção de passe do jogador português que incluiu esta qualidade.

“Identidade não é jogar sempre com os nossos argumentos expostos.”

(Silveira Ramos, 2017)

error: Content is protected!