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Quando menos é mais

No bom espírito quantitativo, falando-se em amplitude, quanto maior… melhor. Mas não. Quando os jogadores se afastam em demasia, a equipa fica como um universo em expansão: perde densidade, energia e “calor” colectivo; as interacções arrefecem e a qualidade do jogo dissipa-se.

Largura máxima relativa é, por isso, dar a largura e a profundidade máximas úteis para abrir espaços no bloco adversário sem perder ligações. É “relativa” porque depende da posição da bola, da organização do adversário e das nossas ligações: não é viver colado à linha por princípio. Os autores (Paulo Correia, et al., 2014) defendem que “quando em posse de bola, a equipa deverá fazer ‘campo grande’ (…) para uma circulação de bola rápida, segura e eficaz (…) A distância dos jogadores sem bola ao seu colega com bola depende sempre de imensos factores” — daí “amplitude máxima relativa”.  

No primeiro golo do FC Porto em Alvalade, em sub-momento de Construção, este princípio foi decisivo. No início da construção, a primeira linha do FC Porto não abriu. Aproximou-se para criar superioridade numérica local e encadear ligações curtas com o jogador adiantado na segunda linha. Menos amplitude (por instantes) → mais densidade → melhores ângulos de passe → saída limpa. Logo a seguir, a equipa voltou a alargar onde fazia sentido. Isto é largura máxima relativa em acção: fechar para ligar e atrair, abrir imediatamente para progredir. 

“a pausa, esta pausa é a marca dos melhores”

“A pausa refere-se sobretudo à capacidade para temporizar, para tomar decisões correctas no timing certo. Por não se desfazerem da bola porque sim, mas somente no momento e para o espaço ideal. Enfim, a pausa, esta pausa é a marca dos melhores. Dos que jogam o que o jogo dá, não o tendo decorado. As suas acções não surgem porque sim, mas porque aproximam sempre a sua equipa do sucesso. Têm ideias.”

(Pedro Bouças, 2015)

Intensidade

“Qualquer pessoa que se tenha concentrado tão profundamente que um lampejo de insight ou inspiração subitamente a visitou conhece a quietude. Qualquer pessoa que tenha dado o seu melhor a algo, sentido orgulho na conclusão, em saber que não deixou absolutamente nada em reserva – isso é quietude. Qualquer pessoa que tenha avançado com os olhos da multidão sobre si e então despejou todo o seu treino num único momento de performance – isso é quietude, mesmo que envolva movimento activo.”

(Ryan Holiday, 2019)

Exercício 139 [Subscrição Anual]

“(…) existe na mente de muitos treinadores a presunção, que qualquer exercício de treino independentemente do seu nível de especialização (que reproduza de forma mais ou menos aproximada a natureza – lógica do Jogo de Futebol) transfere sempre algo de positivo para a capacidade objectiva do jogador ou da equipa. Todavia, é preciso ter presente que a transferibilidade, isto é, a influência de um exercício sobre outro que é realizado num ambiente contextualmente diferente ou na aquisição de uma outra competência não é um fenómeno positivo por natureza.”

(Jorge Castelo, 2003)

Publicamos o exercício 139, denominado como Saída do GR após atraso em metade lateral. Este exercício encontra-se no nosso arquivo e estará disponível para subscritores.

Podendo ser um exercício realizado por vagas, possibilitando a integração de mais jogadores e assim apresentar tempos de pausa maiores e um desgaste menor, pode então, ser realizado numa fase introdutória do treino, logo após uma breve mobilização inicial. Mas não será apenas pelo desgaste que promoverá, o seu carácter introdutório. Na dimensão táctica, a menor complexidade que proporciona na acção de Saída do Jogo do Guarda-Redes em espaço e número, leva-o também a um género de experienciação da situação. Nos casos em que apenas estará disponível meio-campo para o treino nessa fase do treino, por utilização da metade contrária por outra equipa ou pelo treino específico de Guarda-Redes, se o exercício for realizado na estrita metade do campo, ele pode ainda ser realizado em duplicado na metade contrária, multiplicando-se assim o número de repetições e de experiências realizadas.

Contudo, como todos os exercícios, apresenta contras, ou desvios do jogo que poderão ser perigosos. Como referimos no passado, será sempre assim a partir do momento em que a realidade do jogo é manipulada e tudo residirá na sensibilidade do treinador para avaliar a evolução das aquisições. Neste caso, algo que nos parece logo muito importante, é a impossibilidade da equipa poder jogar nos três corredores de jogo, promovendo assim um jogo um pouco mais vertical. No entanto parece-nos interessante para compreender contextos mais micro e algumas acções individuais. A forma como é iniciado, também prevê um contexto particular, porém esse também pode ser recriado numa situação de complexidade maior.

Como abordámos num recente artigo, o exercício não obriga o Guarda-Redes a decidir pela saída curta. Obriga sim, neste caso, a equipa a uma saída aberta. Depois, tendo em conta o posicionamento e as decisões adversárias, o Guarda-Redes pode optar por realizar um primeiro passe curto, ou pela realização de um mais longo,  ou melhor, de média distância, que no caso, estará simbolizado pelo passe nas mini-balizas.

Tendo também em conta o seu carácter e organização, o exercício pode em simultâneo promover a experienciação de todas as funções envolvidas, por todos os jogadores da equipa, desenvolvendo assim a sensibilidade para o posicionamento, decisão e execução do companheiro, o que poderá levar ao desenvolvimento de comportamentos micro, mas que poderão ser decisivos na eficiência e eficácia global da acção. Isto poderá ser importante num contexto de Rendimento, mas será fundamental num de Formação. E esta é uma forma de manifestação da multilateralidade do Futebol. Ou seja, num contexto específico como o Futebol, existirá sempre, nesse universo de se potenciar a sua multilateralidade. Para muitos conhecida, ainda que de forma parcial, pela “polivalência”. Por outro lado, regressando ao contexto do Futebol de Rendimento, as restrições de tempo de treino e desgaste, levarão a que a aposta nas especialização das funções envolvidas no exercício seja uma decisão mais lógica.

Desta forma, isto leva-nos a pensar que um exercício não é destinado ao Futebol de Formação ou ao de Sénior tendo apenas em conta a sua complexidade. Essa deverá ser definida tendo em conta o nível de jogo, e para isso a idade é um indicador, mas não é decisiva. Existem equipas de Infantis a jogar um jogo mais complexo e qualitativo do que muitas equipas de séniores. O escalão para o qual um exercício se destina, deve sim, por exemplo, equacionar a sua multilateralidade ou especialização como exemplificámos com o presente exercício, no parágrafo anterior.

Exercício 139 | Saída do GR após atraso em metade lateral

Bernardo Silva

“Eu era Sub17 quando começou a era do Barcelona de Guardiola. Ver jogadores como Messi, Iniesta e Xavi dava-me mais força para continuar. Porque eu estava sem jogar pois era mais pequeno que os outros. Assim, ver a melhor equipa do mundo nesse momento e ver que estavam ali três dos melhores do mundo e eram quase mais pequenos que eu…”
(Bernardo Silva, 2019)

Intensidade VI

“(…) o problema não é só do futebol, mas de uma sociedade em constante mudança, fruto de uma evolução tecnológica que promoveu o imediatismo como norma. A essência pela qual as coisas se faziam perdeu-se. No meu tempo tinha de passar por muitíssimo para ter dinheiro para comprar uma caderneta de futebol. Hoje, compram-se os cromos todos da caderneta de uma vez só, para despachar. Queremos tudo para ontem, sem percorrer o trajeto. A sociedade atual criou outro tipo de homem, e creio que somos atualmente mais filhos da sociedade do que dos nossos pais. Falta rua no jogar e bairro no viver.”
Juanma Lillo citado por (Cabral, 2016)

“Quero que a minha equipa regresse a esses tempos, mas é muito difícil. Os jogadores aceleram o jogo porque o público os obriga a isso. Atualmente, os adeptos não toleram um passe para trás, começam logo a assobiar. Já um alívio para as bancadas… festejam como se fosse um golo. É o contexto social.”
(Jorge Sampaoli, 2019)

“Um jogo constante de identificar o contexto, perceber o espaço, procurar as superioridades numéricas de forma pausada para nunca colocar em causa a posse. Depois de espaço e superioridade ganha, o click surgia e os criativos e velozes aceleravam na frente e criavam situações de golo em catadupa. No fundo, pausa, pausa, pausa, e aceleração depois de desequilibrio criado. Tal como deve ser! Ao invés de usar somente a velocidade para forçar o desequilibrio. Critério!”
(Pedro Bouças, 2017)

Um contra-ataque 3×2+GR

“A sorte está nos detalhes.”

(Jorge Maciel, 2017)

Entre as muitas situações de jogo que se passaram no passado fim-de-semana, destacamos esta, que ocorreu no jogo entre Wolverhampton e Newcastle. Trata-se de uma situação de contra-ataque 3×2+GR, portanto, na nossa sistematização do jogo, situa-se no momento Transição Ofensiva, sub-momento Contra-Ataque. A pertinência da mesma prende-se com a elevada taxa de insucesso com que esta situação é resolvida no jogo, e simultâneamente, com o potencial que possui para que a equipa crie uma extremamente favorável oportunidade de finalização.

Trazendo a realidade do Futsal, na generalidade, o contra-ataque 3×2+GR, é uma situação que é resolvida de forma muito mais eficiente, e consequentemente, mais eficazmente. A explicação parece-nos simples: há conhecimento para a resolver e é-lhe dada muita relevância no treino. E provavelmente, é-lhe dada essa importância porque existe uma consciência dos treinadores que a situação se repete muitas vezes ao longo do jogo. No Futebol, ao invés, não é uma situação frequente. Porém, se por norma, nos jogos de Futsal sucedem mais golos que nos de Futebol, então, no caso do Futebol, uma boa resolução de apenas uma situação, pode-se tornar decisiva no desfecho de um jogo. Foi muito provavelmente, o que se passou neste jogo.

Este é mais um exemplo da enorme complexidade do jogo de Futebol. Mais número (jogadores), mais espaço, mais tempo, tornam-no rico em diferentes situações de jogo, que elevam o caos, e consequentemente a sua aleatoriedade. Pegando no exemplo da situação de contra-ataque que trazemos neste artigo, se num jogo de Futsal de GR+4×4+GR, o contra-ataque já assume muitas configurações diferentes, um jogo de GR+10×10+GR irá exponenciar a variabilidade desta situação. Assim sendo, o seu treino torna-se também muitíssimo mais complexo. No entanto, e pensando de forma geral, a capacidade de adaptabilidade e o limite ao desgaste são similares para ambos os desportos, porque o homem que o joga é o mesmo. Torna-se portanto decisivo para o treinador, não só o conhecimento do jogo e do treino, mas também a selecção de conteúdos e a sua dose, para que de facto se crie a adaptação mais favorável ao melhor desempenho.

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  1. No primeiro momento em que o vídeo pára, identificamos oportunidade para Diogo Jota acelerar a condução e fixar um dos dois defensores. Optando pelo mais próximo do eixo central do campo, permitiria mais espaço e melhor enquadramento de finalização ao companheiro de equipa à sua esquerda. Fixando este defensor, Jota deveria, simulando um drible, a finalização ou a condução de penetração entre os dois defensores, provocar o defensor de forma a que este trocasse os apoios e assim surgisse a oportunidade para realizar o último passe para as suas costas, deixando-o em enormes dificuldades para recuperar e garantir contenção ao segundo atacante. Este ficaria assim, numa condição privilegiada para finalizar com sucesso.
  2. Precipitando o passe para o companheiro à sua esquerda, possibilidade que o defensor trocasse facilmente a contenção para Dendoncker, Diogo Jota toma depois uma segunda decisão muito boa, que acabaria por corrigir a primeira, através de uma desmarcação circular pelas costas do companheiro, garantindo-lhe assim, uma solução de último passe fácil que colocaria Jota num enquadramento muito favorável de finalização. “Bastava” que para isso, Dendoncker temporizasse, permitindo que o companheiro completasse o movimento, e ao mesmo tempo que fixasse o defensor. Ao contrário, o belga optou por um passe longo para Raúl Jiménez, de mais difícil execução e recepção, e que simultaneamente permitiria tempo, não só para que os dois defensores ajustassem a contenção / cobertura, como por outro lado, para que mais defensores recuperassem defensivamente, perdendo-se assim uma situação, de número e espaço, altamente favorável.

O treinador português Paulo Fonseca, entrevistado por (Rosmaninho, 2015) descreve o seu antigo treinador Jorge Jesus como extremamente exigente e preocupado com o detalhe, sendo as desmarcações um bom exemplo. Paulo Fonseca refere que Jesus “faz o jogador pensar, o quando, o como e onde é que tem de receber a bola, para onde é que se tem de movimentar, em que momento, em que timing, e isso faz toda a diferença em certos momentos do jogo. Eu acho que a identificação deste detalhe não está ao alcance de todos”. Está patente que o conhecimento do jogo evoluiu abruptamente nos últimos anos. O autor (Romano, 2007), aludindo-se a um pensamento com mais de 15 anos, refere que “Queiroz (2003a) indica que, nos níveis de maior exigência, o treino evolui ao nível da complexidade e da especificidade do detalhe”. Na mesma linha de pensamento surge (Esteves, 2010), descrevendo que “quanto maior o nível de exigência, menor é a diferenciação qualitativa, e mais importância assume o elemento «detalhe»”. Também (Mourinho, 2010), descreve que “quando estamos a trabalhar algum exercício, estamos a trabalhar todas as vertentes. O mínimo detalhe entra no mínimo exercício, mesmo que possa parecer um exercício simples”. Porém, o autor (Campos, 2008) ressalva que “a riqueza que deve surgir no detalhe deve ter sempre como pano de fundo os princípios de jogo“. Torna-se, portanto, cada vez mais importante dominar o detalhe, no enquadramento específico de um Modelo de Jogo, e fazê-lo emergir no treino, rentabilizando ao máximo cada sessão.

“O jogo de qualidade tem demasiado jogo (detalhe, imprevisibilidade) para ser ciência mas é demasiado científico (organizado) para ser só jogo.”

(Frade, 2003) citado por (Romano, 2007)

O “espectáculo” e o jogar bem. Novamente o trinómio Estética-Eficácia-Eficiência.

“O Desporto enquanto fenómeno cultural” é o título do segundo capítulo da introdução do projecto Saber Sobre o Saber Treinar. Não é uma opinião é um facto. Idealizado e produzido por homens, o desporto manifesta de forma clara as tendências culturais da sociedade na qual se enquadra. O autor (Neto, 2014) descreve que “na dinâmica do jogo de futebol encontramos uma magia inigualável. Na sua prática é possível condensar várias histórias e reproduzir muitas graças e desgraças da vida. Daí um dos seus principais encantos, uma magnífica construção cultural, uma obra de arte cuja magnitude social ainda não foi entendida por muitos pseudo intelectuais”. Deste modo, a emocionalidade com que é vivido é também fruto do contexto cultural onde se insere. Ao explicar que “o futebol, o jogo e o treino expressam de forma muito clara o modo como o sentimos e consequentemente, como nos enquadramos no que acontece”, (Frade, 2014), confirma precisamente esta ideia.

O treinador Juan Manuel Lillo, citado por (Cabral, 2016) sustenta que “o problema não é só do futebol, mas de uma sociedade em constante mudança, fruto de uma evolução tecnológica que promoveu o imediatismo como norma. A essência pela qual as coisas se faziam perdeu-se. No meu tempo tinha de passar por muitíssimo para ter dinheiro para comprar uma caderneta de futebol. Hoje, compram-se os cromos todos da caderneta de uma vez só, para despachar. Queremos tudo para ontem, sem percorrer o trajecto. A sociedade actual criou outro tipo de homem, e creio que somos actualmente mais filhos da sociedade do que dos nossos pais”. A cultura do instantâneo apoderou-se das nossas decisões e emoções, promove-se a impaciência, mesmo quando o caminho para resolver um problema, está fechado, ou não é evidente. Ir contra o “muro” é preferível do que parar, pensar e procurar outra solução. Castra-se a inteligência e o critério, aplaude-se a emocionalidade e irracionalidade enquanto espectáculo. O Xadrês perde entusiastas, ao contrário dos “Shoot ‘em up” das consolas que atraem massas. O Barcelona de Guardiola era aborrecido, a Premier League nesse mesmo tempo, em geral, entusiasmante.

Escrevíamos noutro artigo que não só o espectador comum, mas também “muitos treinadores, associam o “jogar bem” como uma preferência por um determinado estilo de jogo, portanto remetendo o jogo para a sua dimensão estética. Da mesma forma que este pensamento separa eficiência de eficácia, a estética surge assim também isolada, como algo que se pode optar por ter ou não, de forma a agradar os espectadores e tornar o jogo um bom ou mau espectáculo. Esta interpretação do jogo como arte, torna-se então subjectiva e relativa à individualidade, cultura e preferência pessoal de cada indivíduo que observa o fenómeno. Nesta perspectiva, o “jogar bem” não é discutível. Torna-se uma preferência pessoal, como alguém que prefere uma pintura impressionista ao invés de outra expressionista. Não é esta a nossa abordagem ao jogo, portanto para nós jogar bem tem um significado muito mais objectivo: o jogo de qualidade, sendo esta qualidade a que aproxime a equipa dos objectivos do jogo: marcar golo e não sofrer. Portanto, remete-nos para a eficiência. Se depois essa qualidade agrada o espectador, será então uma consequência”.

Assim, um jogo que agrade, estéticamente, a todos os espectadores, é uma utopia. Um jogo que agrade à maioria torna-se cada vez mais difícil, tendo em conta a cultura que vivemos. Isto se desejamos paralelamente à estética… eficiência e eficácia, tendo naturalmente em conta as regras e características do jogo de Futebol. Caso contrário, a nossa equipa cai por falta de rendimento. O Futebol está então perante uma potencial “crise existencial”.

A situação é clara. Equipa em vantagem, perde a bola, recupera, sai da pressão, não identifica condições para contra-atacar porque há pouco espaço para muitos adversários, decide então valorizar a posse de bola e tão bem o faz que provoca o adversário e leva-o á falta e ao cartão amarelo. A decisão não agradou ao público pois desejava uma decisão mais vertical e que a equipa procurasse a baliza adversária.

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Depois, a equipa em construção, variação longa de corredor lateral, “os adeptos pedem que a equipa carrege… acelere”, o jogador cede à pressão vinda das bancadas, procura o ataque rápido em situação de inferioridade numérica e acaba por perder a bola.

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A bola chega novamente ao corredor lateral. Os adeptos exigem pressa e velocidade a atacar. A equipa, ao contrário, lê que a situação no corredor lateral não é favorável, temporiza, procura solução no corredor central, descobre espaço entre-linhas e solução de finalização.

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Finalmente, antes das três situações anteriores, a construção que permitiu a vantagem no resultado.Circulação curta e apoiada… corredor central… fechado. Circulação curta e apoiada… corredor esquerdo… fechado. Circulação curta e apoiada… corredor direito… fechado. Circulação curta e apoiada… espaço entre-linhas no corredor central, apoio frontal, passe vertical, recepção orientada, novo apoio frontal, fixa, temporiza e espera a superioridade numérica, último passe e… sucesso.

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A estética que envolveu este golo pode ser discutível. Afirmar que alguém tem que ser mais feliz assistindo a isto do que a um pontapé longo do Defesa-Central na profundidade, que é ganho pelo Avançado em velocidade aos adversários que não controlaram bem a sua profundidade… não é uma atitude democrática. Mas não compreender que a eficiência resultante do jogar manifestado nesta situação conduz muitas vezes à eficácia… também não é uma atitude racional. E por fim… como consequência, esta eficiência-eficácia gera “sentimento comum”, gera “sorrisos”, gera um… “namoro”. Produz-se cultura. Produz-se uma estética… apreciada.

“A proximidade

entre cada um

possibilitanto equidade

gera sentimento comum,

permitindo

apoios fáceis, curtos e viáveis

e sorrindo…

Se bem treinados

deles ficam enamorados

sentindo-os facilmente realizáveis.”

(Frade, 2014)

O segundo dado estatístico mais relevante do jogo de Futebol II

Num artigo recente defendemos a extrema importância da decisão, em particular, do critério nas acções com bola na qualidade de jogo colectiva e individual. A sua perda é para nós um momento de extrema sensibilidade no jogo, por conseguinte, a acumulação das mesmas deteora o jogo de uma equipa. Desta forma, do ponto de vista estatístico, a perda de bola é para nós um dado de grande importância. Dado esse, que naturalmente, carecerá depois de maior profundidade na sua análise.

Em entrevista recente o jogador português Stephen Eustáquio vai ao encontro desta ideia:

“Enquanto jogador não me preocupo em fazer uma finta ou um grande golo. Quero sobretudo, que todas as acções que eu tenha sejam bem sucedidas. Em 80 acções tenho que ter mais de 75 bem sucedidas. Porque se em 80 ações, 20 forem erradas e fizer um grande golo, não considero que tenha feito um bom jogo. É um pouco assim como penso.

Passei pelas quatro divisões em Portugal e sempre tive de me adaptar. A única forma de nos adaptarmos e ganharmos a confiança dos nossos companheiros de equipa é jogar simples e termos ações bem sucedidas. Em 90 minutos posso não fazer uma grande jogada, pelo menos aos olhos de um espectador comum, mas as estatísticas vão indicar que as minhas acções foram bem sucedidas. O não errar é o que me dá mais orgulho.”

(Stephen Eustáquio, 2018)

Quantas vezes, nos jogos de Futebol na “rua”, no momento da escolha das equipas, eram preteridos aqueles que, apesar da reconhecida “grande qualidade técnica e habilidade com bola”, fartavam-se de perder a bola porque as suas decisões invariavelmente passavam pelo individualismo e a procura da notoriedade? A “rua” e a auto-descoberta que promovia, eram meios fundamentais não só para aprender a jogar… em equipa, mas igualmente, para lá do futebol, para viver em… “equipa”.

“A vida é um desporto de equipa.”

Jorge Valdano citado por (Urbea, et al., 2012)

A “carne toda no assador”

A frase do genial Quinito, recentemente também usada por Carlos Carvalhal na Premier League, tornou-se uma das marcas do Futebol Português. Apesar de no sentido lato percebermos o seu contexto, se pensarmos na interpretação e conhecimento do jogo de cada um, no sentido restrito a mesma pode conhecer diferentes expressões. Muito provavelmente, a que mais se generalizou, foi a substituição, de jogadores de outras funções por “avançados”. Outra ideia, directamente associada a esta, é a mudança, na forma de jogar da equipa, de um jogo paciente, criterioso e curto, para um mais vertical, aleatório e directo. Sublinhamos a palavra aleatório, uma vez que um jogo mais vertical e directo, quando treinado, quando crença, e em determinados cenários, também pode ser bem sucedido. A questão aqui residirá… que ideias poderão ter maior probabilidade de sucesso perante o jogo que o futebol é, consequência daquilo que o ser humano também é, nomeadamente em “sociedade”.

Apesar de não encontrarmos notícias sobre razões, que não táctico-estratégicas, para a substituição de Emil Forsberg por Martin Olsson na selecção Sueca no jogo dos quartos de final do Campeonato do Mundo contra a Inglaterra, não conhecendo com exactidão o contexto e não possuindo a real justificação para a substituição, correremos sempre o risco, de errarmos logo à partida na interpretação da decisão. No entanto, para nós o interessante não é a análise desta decisão concreta, mas o que ela pode significar numa perspectiva mais ampla. Precisamente, essa ideia que se generalizou no jogo, que perante um resultado adverso e dificuldades nos sub-momentos ofensivos de Construção e Criação, trocar o tal critério, paciência e criatividade, por aleatoriedade, inquietação, pressa e um jogo desprovido de imaginação, seria a eterna principal solução nesse cenário. Mas mais do que aquilo que a substituição em causa significava, mais importante no fundo foi a forma como influenciou o jogar da Suécia, que defrontava um adversário que manifestava conforto na sua última linha durante o momento defensivo, quer pelo número de jogadores que na situação colocava, como pela significativa qualidade dos seus comportamentos.

Todas as acções ofensivas de Emil Forsberg no Suécia x Inglaterra do Campeonato do Mundo de 2018.

Todas as acções ofensivas de Martin Olsson no Suécia x Inglaterra do Campeonato do Mundo de 2018.

O número de perdas de bola de Olsson foi muito superior ao de Forsberg, ainda por cima tendo em conta que o último esteve mais tempo em jogo e envolvido em bastantes mais acções com bola. Mas se este pode não ser um dado relevante ao nível individual, uma vez que se torna fundamental compreender o contexto de cada acção e as suas relações com os companheiros e adversários nesses momentos. Um problema tradicional das análises quantitativas. Porém, a quantidade de perdas tem, habitualmente, reflexos mentais e fisiológicos negativos… no todo, que é o desempenho – a qualidade do jogo da equipa e consequentemente do jogador. Aqui nem se trata do “bater de asas da borboleta“, mas de acontecimentos mais significativos que perturbam os momentos seguintes do jogar da equipa.

Transportar a equipa para um maior caos… será eficaz e a resposta na maioria das situações? No fundo estaremos a trocar a racionalidade pela emocionalidade… a zona de conforto, o trabalho e o entrosamento… por potencial desconforto, improvisação e desorganização.

Porém… “a carne toda no assador”, à imagem da nossa perspectiva do conceito intensidade, pode não passar por fazer mais, de forma mais agressiva, mais directa, se isso significar… fazer pior tendo em conta o jogar da equipa. Deste modo, no contexto de uma cultura que privilegie o critério, “a carne toda no assador” poderá significar, por exemplo, garantir maior velocidade à circulação de bola, maior número de jogadores no interior do bloco adversário, combinações a menos toques e consequentemente mais rápidas, mais soluções de ruptura, decisões de último passe de maior risco de perda da bola e decisões de finalização em condições mais difíceis, excluindo destas as que se incluem nas más decisões. Do ponto de vista individual, poderá não significar a troca de um jogador de uma função por outro de outra, mas sim a aposta em jogadores de maior criatividade, de cariz mais desequilibrador, mas que em contrapartida também fazem crescer o risco de maior acumulação de perdas de bola. Foi, por exemplo, o caso da entrada de Ricardo Quaresma no jogo Portugal x Uruguai.

Se perguntássemos a Quinito o sentido que dava à sua expressão… Quinito o homem que se tivesse dinheiro comprava Pedro Barbosa para o ver a jogar no seu quintal e que se declarava “um amante da arte, da magia e beleza estética”, apostamos que responderia… “é colocar lá dentro os mais talentosos, ofensivos e criativos”.

“É de estética vazia

e o Futebol assim jaz…

Jogo directo nada cria

correm, correm, mas nenhum sabe o que faz.”

(Frade, 2014)

Critério

Neste artigo abordamos a necessidade do critério no Futebol. Sendo também uma das qualidades da tomada de decisão de dirigentes e treinadores, aparece aqui, essencialmente associada à explicação do rendimento do jogador de futebol. Assim, procuramos através de diversos autores, as suas perspectivas sobre o tema.

“É incrível a harmonia que pode pôr, numa equipa inteira, alguém que movimenta a bola com precisão, com critério, com a indiscutível autoridade do talento.”

“(…) Pirlo, outro jogador de aparência frágil que se agiganta com a bola. Fazendo girar a equipa em seu redor, falhou o seu primeiro passe ao vigésimo minuto do segundo tempo.”

Jorge Valdado sobre os jogadores Diego e Pirlo, citado por (Gomes, 2009)

Na opinião de (Sá, 2011), é habitual juntar à “”intensidade” outra palavra ouvida recentemente, a “paciência”. Intensidade, no sentido que se pretende aqui dar ao termo, é sempre positiva. Implica concentração, e reactividade de pensamento. Paciência, não. Paciência é um condimento, e não o prato principal, pode ser positiva, se for colocada em cima de qualidade e intensidade, mas pode ser negativa, se não o for. Pessoalmente, prefiro a expressão “critério“, que é menos dogmática e mais aberta à especificidade do jogo. “intensidade” e “critério””.

De acordo com (Garganta, 2001) “a palavra critério provém do termo grego – krino – que significa separar. Os critérios funcionam como padrões que nos permitem identificar, seleccionar e avaliar as coisas (Marina, 1997). Em ciência os critérios funcionam, a um tempo, como peneira ou separadores e como aglutinadores de sentido, o que faz com que se apresentem como algo paradoxal”. Segundo o professor de Neurociência português António Damásio citado por (Carvalho, 2006), “onde existe uma necessidade de ordem, haverá uma necessidade de decisão, deverá exisitir um critério para se tomar essa decisão”. Na opinião da treinadora Marisa Gomes, em entrevista a (Rocha, 2008) o critério “dá a selectividade. Dá a orientação das escolhas para o lado eficiente. E este lado eficiente é o lado valorizável. E o eficiente valorativo é o nós estarmos a jogar e sabermos que para ganharmos temos de jogar daquela forma. E que não é a questão de ser bonito ou feio. Não. É a questão de que é assim que se joga. É assim que somos eficazes”.

O autor (Cardoso, 2006)  descreve que “existem jogadores que são reconhecidos pela sua assertividade táctica, pelo seu critério decisional”, para Cardoso é uma capacidade “de errar pouco nas decisões”.  A treinadora Marisa Gomes citada por (Montenegro, 2008) explica que ter critério é ser selectivo. Assim, o autor (Bouças, 2013) sustenta que o “critério é a melhor resposta para cada situação que se enfrenta. Quando ambas as respostas são igualmente boas, diferencia os jogadores a velocidade a que as dão”. Valdano, citado por (Amieiro, 2009), defende “que para dirigir o jogo, como para dirigir uma equipa, como para dirigir um clube, antes da experiência faz falta critério”. De acordo com (Sienosiain, 2009) o treinador argentino Marcelo Bielsa admira jogadores que decidam o jogo com objectividade e critério. Segundo o técnico argentino, “o futebolista deve ter raciocíonio, ser inteligente, ter capacidade interpretativa de cada um dos momentos do jogo. A inteligência deles não deve ser obrigatoriamente a inteligência cultural”. Ainda assim, (Sienosiain, 2009) descreve que Bielsa também “aprecia os jogadores que, fora do campo, decidam a sua vida com critério, porque crê que os que vivem sob essa lógica também o farão no futebol. Se pensar já é difícil, fazê-lo correndo é ainda mais difícil”. Por outro lado, (Cerqueira, 2009) evidencia que o critério também surge no comportamento sem bola. Segundo o autor, analisando um determinado modelo de jogo, um “sub-sub-princípio parecia promover regularmente trocas posicionais entre jogadores e movimentações com critério e sentido posicional para que se garantisse o «timing» certo de resposta ao passe realizado para concluírem as jogadas”.

O jogador argentino Fernando Redondo marcou o futebol pela sua qualidade técnica, mas principalmente pela qualidade das suas decisões.

O jogador argentino Fernando Redondo marcou o futebol pela qualidade das suas decisões.

 Dando um exemplo, e não sendo logicamente uma relação linear, (Bouças, 2012) descreve que um jogador que remate muito, poderá manifestar pouco critério na sua tomada de decisão e na procura de soluções de finalização melhores para a equipa. Segundo o autor, nestes casos estão aqueles “que ainda crêem que o jogo está mais nos pés que na cabeça”. Neste contexto, para (João Paulo, 2013) em comentário a (Bouças, 2013), “jogar com critério rodeado de gente que joga aleatóriamente é complicado…” Este problema surge muitas vezes quando o jogo de uma equipa está demasiado mecanizado, faltando-lhe assim capacidade adaptativa a novas circunstâncias e portanto à realidade complexa e caótica que o jogo contempla. Assim, quando o comportamento cai fora de determinado padrão que os jogadores mecanizam, estes deixam de saber como agir. Nestes casos, a treinadora Marisa Gomes citada por (Montenegro, 2008) defende que os jogadores “não têm sensibilidade nem critério.” Marisa Gomes justifica que “cada vez que uma equipa ou um jogador tem comportamentos mecanizados, estão a negar a sua capacidade de ajustamento, a dele e a dos colegas. E um treinador que faça jogadores assim, primeiro está a tirar o critério de realização dos jogadores, e portanto, é ele o “cérebro” da equipa. Mas é um cérebro que não joga. Isto não é jogo, jogo enquanto dinâmica emergente e adaptativa”. Percebemos assim que, apesar de por necessidade evidente o critério de resolução de cada situação de jogo estar condicionado a uma lógica de resolução colectiva definida pelo modelo de jogo, deverá por outro lado ter abertura suficiente para permitir uma resposta inteligente do jogador em resposta adaptativa a novos contextos e permitir ainda que da sua criatividade surjam novas solução de sucesso.

Numa prespectiva mais simplista, jogar com critério é decidir bem, é portanto, jogar bem. Porém podemos analisar o critério sob duas perspectivas. Uma mais geral, procurando um “jogar bem” no cumprimento dos princípios fundamentais e específicos do jogo de futebol descritos em (Queirós, et al., 1982), entendimento esse que deverá ser comum à generalidade das equipas e outro, de maior especificidade, relativo a cada ideia / modelo de jogo. Assim, segundo (Lobo, 2006) “o jogador é livre para agir, mas não pode agir livremente. A sua liberdade acaba quando choca com a ordem colectiva superior que rege o «jogar colectivo». Os princípios de jogo são, assim, as balizas e os limites dessa liberdade. Se não forem mecânicos, standardizados e permanentemente repetidos eles dão critério à liberdade e ao talento individual que, de outra forma, estaria desenquadrado, não teria ordem e sairia fora do conceito colectivo do «jogar», tornando-se inócuo e até subversivo em relação aos tais princípios de jogo”. Esta visão é partilhada por (Cardoso, 2006) ao referir que “a táctica deve ter/ser uma referência e um critério, tornando-se específica de uma forma de jogar”. Fernando Cardoso explica que “deverá existir um critério que valorize mais umas interacções em detrimento de outras, para que a solução encontrada se situe dentro de uma determinada lógica colectiva. Os jogadores terão de possuir um afinador/critério que distinga a informação e a hierarquize num formato de leitura mais acessível num curto espaço de tempo. Entre esse turbilhão de informação que se encontra no envolvimento, o jogador deverá encontrar uma solução que faça parte de um projecto colectivo de jogo, com uma determinada lógica”. Nesta lógica, o o autor (Moutinho, 1991) citado por (Silva, 2006) acredita ser importante a análise do jogo de forma a “identificar e compreender os princípios estruturais do jogo, os critérios de eficácia de rendimento individual e colectivo, e a adequação dos modelos de preparação”, isto porque a definição de objectivos, no quadro do planeamento do treino desportivo decorre, obrigatoriamente, dos critérios de referência para o êxito na modalidade em causa. Desta forma, João Carlos Pereira em entrevista a (Pereira, 2006) defende que “a equipa para jogar bem tem de ter um guião com directrizes muito bem claras e definidas e, toda a gente tem que entender os princípios e os critérios bem definidos e, a partir daí, andamos à volta disso”.

De forma geral, o autor (Rodrigues, 2009), descreve que “nos tempos que correm parece tornar-se muito comum ouvir que um futebolista de qualidade deve passar por ter a bola e sabê-la usar com critério”. O autor reforça que “assim, mais que a posse de bola a utilização criteriosa desta ganha especial relevo nos vários momentos do jogo”. Recorrendo a exemplos específicos, tentar a progressão em situação de 2×4+GR é na maioria dos casos uma má decisão, independentemente do modelo de jogo da equipa. Por outro lado, na situação inversa (4×2+GR), será uma boa decisão acelerar a progressão, atacando rápido, procurando a criação de uma situação de finalização, mesmo que o modelo da equipa assente em grande posse e circulação da bola. Caso a situação seja bem resolvida pelos atacantes, as probabilidades de sucesso da segunda situação serão muito superiores às da primeira, na qual o risco de perda da bola é demasiado alto. Por outro lado, noutro exemplo simples e abordando o critério específico a um modelo de jogo, na marcação do pontapé de baliza um guarda-redes de uma determinada equipa decidirá bem pela saída curta dados os apoios garantidos através do posicionamento dos seus companheiros, pois assim tornam elevada a probabilidade de sucesso de uma sequente progressão, enquanto para outra equipa esse critério não será tão ajustado uma vez que concentra muitos jogadores junto ao meio-campo, e faltarão depois opções para o segundo e terceiro passe.

Deste modo, na óptica da tomada de decisão sob um referencial colectivo que um modelo de jogo propõe, torna-se fundamental para o treinador a definição clara desse modelo para que surjam critérios de êxito às decisões dos jogadores. Sendo o critério de êxito uma ferramenta usual na Educação Física, muitas vezes associado à execução motora, pode também ser aplicado nos Desportos Colectivos, de forma a direcionar os comportamentos dos jogadores em jogo, num determinado sentido que um modelo de jogo aponta.

Assim, (Carlos, 2005) conclui que “o sucesso de quem dirige uma equipa em relação ao insucesso de outros é que os primeiros evidenciam maior capacidade para levar os seus atletas a decidirem, fazendo uso da sua percepção e análise das situações momentâneas do jogo e não das tomadas de decisão de quem está de fora, neste caso o treinador. Treinar exige conduzir o jogador à independência futura, consubstanciada num critério colectivo, a que eu chamo EQUIPA”.

 “(…) com a bola buscava a baliza adversária, tocando-a com paciência e critério, até encontrar o momento e o lugar para acelerar e agredir. Se o adversário cometesse um erro posicional, descobriram-no em cinco toques, se o rival não se deixava distrair, voltavam a começar as vezes que fossem necessárias da única  maneira que se conhece: tocavam a bola para trás e tentavam por outro sector”.

Jorge Valdano sobre a equipa do Ajax de Johan Cruyff, citado por (Soares, 2009)

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