“O que ele terá sempre de fazer é ter calma, é não se precipitar. Porque se ele não está pressionado, então é como outro jogador qualquer noutra zona do campo. Calma, deixa-te estar. Porquê? Porque compete aos colegas movimentarem-se no sentido de proporcionarem um homem livre, uma solução de passe. Claro que nem sempre se decidiu bem, mas essas dinâmicas de movimentos permitem encontrar linhas de passe mais próximas, mais longe, mais à largura, mais dentro do adversário, mais às costas das defesas…”

(Miguel Cardoso, 2018)

As acções de jogo decorrentes da situação de saída de jogo do Guarda-Redes valorizam-se e vulgarizaram-se nos últimos anos. É certo que ao longo da história do jogo muitas equipas já faziam desse momento uma marca forte do seu jogar, no entanto parece-nos claro que o Barcelona de Guardiola, foi até hoje, a equipa da história do jogo que deu o maior impacto à acção. Isto porque tratou-se, naquele momento, de um fundamento importante no seu jogo uma vez que a “saída curta” permitia, entre outras coisas, desde logo, privilegiar o jogo curto e apoiado, manter a bola controlada, o bloco junto e uma consequente chegada, também junta, do mesmo à baliza adversária. O tal “viajar juntos” que Sampaoli descreveu. O autor (Amieiro, 2oo9) enalteceu na equipa “o modo como recusa cair na tentação do pontapé longo”. Por outro lado, na articulação de sentido que o jogo proporciona, esta coesão, trará reflexos aos momentos de jogo subsequentes. Na Transição Defensiva, a equipa irá desta forma garantir uma concentração defensiva que aumentará as probabilidades de sucesso numa eventual tentativa imediata de recuperação da bola. Ou então, no momento subsequente, perante a sua reorganização defensiva mais rápida e mais alta no campo, permitirá à equipa pressionar com todo o seu bloco, num posicionamento colectivo mais alto.

Noutra perspetiva, esta forma de resolver a saída de jogo do Guarda-Redes, transmitiu uma mensagem de coragem para dentro e para fora. Como um dia Matt Busby referiu, o Futebol tinha-se tornado “um jogo de medo”, e contribuições como a de Guardiola, do ponto de vista emocional, puxaram o jogo para outra dimensão e dessa forma, acabaram por influenciar terceiros. No entanto, analisar esta emocionalidade desligada de algumas razões organizativas descritas acima, estratégicas, ou mesmo de questões em torno do desgaste que o jogo, e cada jogar, provocam… é um constante erro do pensamento cartesiano. Estamos perante a procura de uma eficiência… que é táctica… e que nessa perspectiva provocará reflexos que se manifestam do ponto de vista técnico, físico e psicológico. Tentar compreendê-la ou transmiti-la apenas do ponto de vista de uma destas dimensões, apresenta-se como perigosa para o Todo… Táctico. E essa foi talvez a principal razão para que esta acção de jogo, nomeadamente na sua expressão de “saída curta”, tenha sofrido más interpretações e deturpações nos últimos anos. Sendo assim, esta é também mais uma razão que nos leva a reflectir sobre o tema.

Do ponto de vista táctico, o autor (Amado, 2016) aponta que “os benefícios de sair a jogar não se esgotam na possibilidade de ligar o jogo, de manter a posse de bola ou de preparar um ataque. Sair a jogar é também a maneira mais segura de uma equipa se precaver contra a incerteza das segundas bolas. (…) Aliviar quando se está a ser pressionado parece uma decisão sensata, na medida em que se evita o risco inerente à circulação numa zona defensiva. Mas, na verdade, aliviar envolve sempre a insensatez de deixar o destino do lance entregue ao acaso”. Reflectindo sobre as probabilidades de sucesso das acções, parece-nos claro que o passe curto terá maior probabilidade de sucesso do que o longo, mesmo nas tais zonas que muitas pessoas consideram de “risco”. Nesta linha de pensamento surge também (Lumueno, 2018), defendendo que “o passe longo é um passe de execução mais difícil que o passe curto, assim como também é de receção mais difícil. E a dificuldade é ainda maior no caso de existirem adversários por perto. Ou seja, tudo isso resulta numa maior possibilidade de o adversário recuperar a bola”. E neste sentido, (Correia et al., 2014) expõem que “as equipas de topo tentam sempre que possível sair a jogar curto e há aquelas ainda que o fazem mesmo que o contexto não seja o mais favorável. A questão fundamental é que, em condições normais, uma saída curta oferece mais garantias da equipa manter a posse de bola comparativamente às saídas longas”.

O treinador português (Vítor Pereira, 2014), acredita que “mesmo sob pressão há formas de sair a jogar. É preciso é entender como é que a pressão está a ser feita e preparar o antídoto”. Neste enquadramento, a prioridade deverá então passar pelo passe curto, logicamente se existirem condições mínimas. Os autores (Correia et al., 2014) sublinham esta ideia, referindo que “a primeira preocupação de toda a equipa num pontapé de baliza a seu favor será sair a jogar curto, desde que estejam reunidas as condições para tal. O posicionamento do adversário é aqui 0 principal fator a ter em conta na decisão a tomar“. Essas condições mínimas serão determinadas então pelo Modelo da equipa. Sejamos claros, pelo Modelo e não pela Ideia. Sendo o Modelo, a Ideia mais o Contexto, ele expõe portanto a interacção do que foi construído pelo treino, com as qualidades individuais dos jogadores, com o seu momento emocional, com a forma como absorveram a ideia, com a dimensão estratégica, ou seja, pelo conhecimento do que o adversário poderá ou não fazer e a influência que isso terá nos recursos disponíveis, entre um universo de outras coisas mais ou menos influentes.

Exemplificando o domínio estratégico, os autores (Correia et al., 2014) explicam que este “poderá ter também influência na forma de executar um pontapé de baliza, ou seja, questões relacionadas com as características do adversário com quem iremos jogar poderá influenciar na opção ou opções a tomar. Exemplos: explorar as zonas onde se encontram os jogadores menos fortes no jogo aéreo da equipa adversária, realizando para lá o pontapé de baliza; tentar a superioridade numérica no local previsto para a queda da bola após a reposição pelo guarda-redes, aumentando as hipóteses de êxito na disputa do lance“. Os autores tocam ainda num tema ao qual regressaremos no futuro. A relação tempo-espaço-número parece-nos hoje curta na tomada de decisão ou para avaliá-la. A qualidade, como quarta dimensão, parece-nos fundamental na busca de uma melhor compreensão da complexidade da acção, de uma maior aproximação à realidade do jogo, e consequentemente ao sucesso.

Assim, procurando esse sucesso, o treinador português (Villas-Boas, 2009) defende ser possível sair a jogar curto do Guarda-Redes “desde que o treines e acredites nisso… acho que sim… acho que é possível… obviamente que, se tiveres um central que tem dificuldade ou que tecnicamente é limitado não o vais querer fazer, não queres arriscar, se tiveres centrais que estão confortáveis com a bola… acho que sim, que podes arriscar… acho que é uma coisa que deves fazer”. Mas (Correia et al., 2014) descrevem que “muitos treinadores definem muito bem o posicionamento dos seus jogadores para que o pontapé de baliza seja executado, mas não preparam a equipa corretamente, através de exercícios de treino, para o conjunto dos comportamentos e ações que é imprescindível ter para que a manutenção da posse de bola esteja assegurada”. O treinador (Miguel Cardoso, 2018), relata, que em conversa com o seu Guarda-Redes, “também disse ao Cássio: “Não há problema nenhum se tu entenderes que a bola deve ser longa. Se entenderes que a equipa está num momento em que não quer sair curto, ou porque não te deu linhas de passe ou porque o adversário está numa fase muito pressionante…”

“O que nós dizemos é: “Tens aqui, tens ali, tens acolá e acolá. Escolhe. O que tu escolheres para mim está bem feito”. Agora, ele teve foi a coragem, muitas vezes, de encontrar soluções que permitiram ter mais certeza, por regularidade, por tendência. Em 20 vezes, ele encontrou 18 soluções que teoricamente para quem vê de fora são de risco, mas para nós não eram risco, porque eram o que nós fazíamos. E tu perguntas assim: mas treinavam assim? Assim e pior: treinávamos com dez contra onze. Agora tiro um médio, tiro o Pelé. Agora tiro o Tarantini. Agora tiro o Geraldes. Agora tiro um ala. Agora tiro um lateral. Agora o Guedes. E fazia isto 20 vezes seguidas. E contra a equipa B, por exemplo, em que dizia: agora vocês pressionam o guarda-redes, agora não pressionam o guarda-redes, agora fazem parede ao guarda-redes daquele lado, agora ficam à espera. Isto é dar soluções em contextos de dificuldade acrescida e incorporar permanentemente o guarda-redes nos exercícios de treino. E depois há uma coisa fundamental: o que é que é tão importante assim que faz a diferença toda quando se quer jogar desta forma? Não se pode receber bolas de costas. É preciso estar de apoios abertos. É preciso o próprio Cássio permanentemente estar preparado para receber a bola, seja para o lado contrário ou para o mesmo lado, é preciso que os colegas se movimentem para que o guarda-redes tenha soluções.”

(Miguel Cardoso, 2018)

Forçar então a Ideia sem que o Modelo apresente condições de sucesso, parece-nos um erro, que actualmente se vê repetido por imensas equipas, nos mais diferentes níveis de jogo. Porque se procura passar uma coragem abstracta… e não uma coragem táctica. Portanto, perante diferentes ideais / soluções / recursos para este momento do jogo, e tendo então também em conta o Modelo, na maioria das situações as probabilidade de sucesso deverão levar a prioridades na decisão. Mas talvez… não sempre. Não será que uma acção de probabilidade de sucesso inferior, mas que o seu sucesso colocará um atacante em situação de Criação, ou mesmo de Finalização deva ser pontualmente, a decisão? Ou mesmo uma solução que não estava na Ideia inicial? Não representa também isto… criatividade, a qual tantas vezes é solicitada e declarada como fundamental no jogo?

Por outro lado, o tal “aliviar” é diferente de passar longo, mesmo que este passe encontre oposição na disputa da recepção dessa bola. Porque há uma intencionalidade nessa acção e é isso o que para nós representa um passe. Uma forma de comunicação específica do jogo de futebol. A sua eficácia, pode depois ser avaliada, mas não deixa de ser uma intenção de passe. E para que a eficácia global da acção aumente, o Modelo não tem apenas que oferecer a solução de passe longo e recepção, como deve precaver uma provável disputa e a forma de ganhar uma eventual segunda bola. E concordando novamente com Amado, o “alívio” não é para nós uma opção aceitável. No máximo é um último recurso, mas que pode ser interpretado como a ausência de soluções de uma equipa perante determinada situação de jogo, e sendo assim, um assumir de incompetência. Deste modo, se a situação de jogo assim o “pedir”, diferentes soluções de passe longo deverão constituir-se como recursos, logo, deverão também estar presentes no Modelo de Jogo da equipa. Neste sentido, o autor (Lumueno, 2018) defende que “a saída de bola longa tem como grande vantagem em caso de perda a equipa estar toda mais ou menos organizada, e mais longe da baliza que defende. Se a equipa trabalhar para essas ações de jogo, em caso de perda, os jogadores estarão mais próximos uns dos outros e por isso com menos espaço para o adversário penetrar por entre as suas linhas”.

Nesta fase, torna-se fundamental, esclarecer o que é para nós, a saída de jogo do Guarda-Redes. Para muitos, a mesma diz respeito exclusivamente a situação de bola parada, pontapé de baliza. Contudo, a reposição do Guarda-Redes, ou seja, o primeiro passe após este ter recolhido a bola e estar na sua posse com o jogo a decorrer, quer a bola seja proveniente de uma intercepção, quer de uma recepção de um passe de um colega, dada a sua semelhança, também entra para nós neste Princípio de Jogo. Naturalmente temos que ter em conta as diferenças que existem entre ambos, e equacionar possíveis ajustes. Até agora, grandes diferenças passavam pelo menor tempo de decisão e execução, fruto da possível imediata pressão do adversário na reposição do Guarda-Redes, portanto na situação em que a bola está jogável, e também pela influência da regra da não invasão da grande-área dos jogadores que atacam no pontapé de baliza, e ao invés, essa possibilidade na reposição do Guarda-Redes. Com a recente alteração da regra, as diferenças reduziram-se ainda mais.

Atrás, abordámos um termo que se vulgarizou: a saída de jogo do Guarda-Redes curta. A reflexão e a experiência que o jogo e o treino nos trouxe, mostram-nos que o termo está desajustado. Ou melhor, está incompleto. Isto porque muitas equipas posicionam-se para essa saída curta, e normalmente devido à oposição adversária, optam depois por um passe longo do Guarda-Redes, normalmente aéreo, por exemplo, na opção que tem sido mais comum, para os seus Defesas-Laterais. Mas nas mesmas circunstâncias já assistimos a um passe longo, aéreo ou rasteiro, do Guarda-Redes no corredor central, para um companheiro que se encontra livre, resultado da pressão alta adversária e do garantir profundidade da equipa atacante pelo(s) seus Avançado(s), atraindo desse modo a última linha adversária para perto de do(s) mesmo(s) e criando assim mais espaço entre-linhas.

Nos últimos anos, assistimos ainda, a uma tentativa de último passe do Guarda-Redes, neste caso, apenas na situação de pontapé de baliza dada a ausência da regra de fora-de-jogo nesse momento. A mesma já foi protagonizada com sucesso, num atacante que se posiciona no espaço entre a última linha adversária e o Guarda-Redes adversário, procurando dessa forma saltar do sub-momento de construção, imediatamente para o sub-momento de criação. Aqui trata-se de um passe longo aéreo realizado com a equipa aberta de forma a criar incerteza ao adversário, nos últimos anos celebrizado pelo Guarda-Redes Ederson, constando até que terá sido essa uma das razões que levou Guardiola a optar pela sua contratação. No fundo, como refere o autor (Bouças, 2017), a questão sobre o passe longo estará em “perceber como pressionam… Se vêm apertar com todos homem a homem, trazes médios todos para baixo também, e aumentas-lhes o espaço entre médios e defesas, para então colocares lá a bola. Já dizia o Pep, “é uma bola que se a ganhas, é muito boa”. Ou seja, nessa situação, sem dúvida que não só te estás a proteger, como até estás já a preparar ferir o oponente, quando colocas a bola por cima da pressão”.

E logo aqui… o próprio Guardiola, o tal que celebrizou a saída de jogo do Guarda-Redes curta, mostra-se à frente da maioria, procurando novas soluções e mais recursos para o seu jogo, demonstrando que se as equipas ficarem presas a uma saída de jogo, expressam outra forma de reducionismo. Mesmo que aumentar os recursos, seja “simplesmente” para aumentar a imprevisibilidade do seu Modelo, continuando no entanto, a dar preferência, ou prioridade, à saída de jogo do Guarda-Redes curta, pela convicção de que a natureza desse primeiro passe, conduzirá o jogar da equipa a uma maior eficácia. Por outro lado, a necessidade de sucesso nessa situação específica do jogo, não se esgota na própria situação. De acordo com os autores (Correia et al., 2014), “uma equipa que tenha problemas na reposição de bola em jogo a partir desta situação, poderá tornar-se numa equipa insegura”. A ideia encaixa de forma perfeita na visão do todo complexo que é o jogar.

Deste modo, já identificámos diferentes possibilidades na saída de jogo do Guarda-Redes. Se ela pode ser realizada com a equipa aberta, quer dizer que também pode ser realizada com a equipa fechada (e neste artigo nem procuraremos ir mais longe e equacionar um posicionamento misto, ou seja parcialmente fechado e aberto). Numa segunda variável, independentemente se a equipa se apresenta aberta ou fechada, o passe do Guarda-Redes pode ser curto ou longo. E finalmente pode ainda ser realizado em trajectória rasteira, ou aérea. Portanto podemos identificar:

Saída de Jogo do Guarda-Redes

Aberta

Saída de Jogo do Guarda-Redes Aberta em Passe Curto Rasteiro
Saída de Jogo do Guarda-Redes Aberta em Passe Curto Aéreo
Saída de Jogo do Guarda-Redes Aberta em Passe Longo Rasteiro
Saída de Jogo do Guarda-Redes Aberta em Passe Longo Aéreo

Saída de Jogo do Guarda-Redes

Fechada

Saída de Jogo do Guarda-Redes Fechada em Passe Curto Rasteiro
Saída de Jogo do Guarda-Redes Fechada em Passe Longo Aéreo

Assim, uma vez que a saída de jogo aberta, também pode ser realizada em passe longo, e sendo que neste âmbito, a decisão que causa maior impacto no tempo de reorganização da equipa, passará por estruturar um posicionamento inicial aberto ou fechado, sentimos que esse deverá ser o primeiro critério a ter em conta na sua definição e classificação. A partir daí, podemos encontrar as possíveis variações das mesmas e eventualmente novas soluções futuras.

Saída de Jogo do Guarda-Redes Aberta em Passe Curto Rasteiro

Saída de Jogo do GR Aberta em Passe Longo Rasteiro

Saída de Jogo do GR Aberta em Passe Longo Aéreo

Saída de Jogo do GR fechada em passe curto rasteiro + Saída de Jogo do GR Aberta em Passe Curto Aéreo

Saída de Jogo do GR fechada em passe Longo Aéreo

Para além das soluções identificadas no quadro e nos vídeos acima, outras possíveis conjugações teóricas, não nos parecem ter grande viabilidade no jogo. Porém, ressalvamos que com a alteração da regra do pontapé de baliza, podendo esta também influenciar a reposição do Guarda-Redes, poderão surgir novas soluções, por exemplo importadas do Futsal, entre as quais, mais situações de saídas de jogo do Guarda-Redes abertas em passe curto aéreo, uma vez que estas são raras no momento actual. Contudo, ilustrámos um exemplo deste, na dupla saída de Manuel Neuer e da Alemanha. E continuando nas possíveis alterações provocadas pela nova regra, poderemos ainda assistir à introdução de um quarto critério para caracterizar este princípio de jogo. A mobilidade. Sendo verdade que a mesma já se encontra parcialmente presente nalgumas soluções de saídas de jogo, não nos parece expressiva essas situações, tendo como comparação o que se faz no Futsal. Isto porque no Futsal, essa mobilidade na saída de jogo, realiza-se com a totalidade ou quase a totalidade dos jogadores de campo. No Futebol isso não fará sentido, mas o princípio de jogo talvez possa evoluir para soluções do género com a totalidade ou quase a totalidade dos atacantes que garantem as linhas de passe mais próximas do Guarda-Redes. O exemplo que trazemos não é o mais feliz equacionando o transfere que terá do Futsal para o Futebol, mas é apenas um exemplo que utiliza a mobilidade.

Finalmente… deixamos um último vídeo como forma de “provocação” e de sentirmos que, por muito completa e complexa que seja uma sistematização ou representação teórica, ela nunca reproduzirá de forma perfeita a totalidade da realidade. Neste contexto, a totalidade da realidade do jogo. É o problema do pensamento analítico e da matemática. Muitas vezes a mesma ignora o detalhe, a ligação, a evolução e o tal todo que é mais que a soma das partes. Se todas as situações anteriores, que representam quase a totalidade deste género de acções encaixam perfeitamente no momento de Organização Ofensiva, a que publicamos a fechar este artigo, pertencerá para nós, ao momento de Transição Ofensiva. O que é perfeitamente equacionável na nossa sistematização do jogo, porém distingue-se então de todas as outras. Relembramos a Transição Ofensiva que propomos:

“Se a equipa conseguiu sair com eficácia e rapidamente da zona de pressão, poderá encontrar espaço e / ou uma relação numérica com o adversário interessante para optar pelo contra-ataque.”

Transição Ofensiva | Recação ao ganho + Contra-ataque | Saída de Jogo do GR fechada em passe Longo Aéreo

“Se nós formos fazer um estudo da quantidade de golos que ocorrem nos últimos 2 anos em Portugal, com a quantidade de bolas que saíram do Guarda-Redes para os Defesas-Centrais, se calhar é… 3000% a mais do que era nos anos anteriores. Porque agora identidade é toda a gente querer sair com os Guarda-Redes a jogar com os Defesas-Centrais, e às vezes não há condições para isso.”

(Silveira Ramos, 2019)