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Exercício A-3OO3A

Adicionamos aos conteúdos Saber Sobre o Saber Treinar, especificamente ao Programa de Treino, a apresentação do Exercício A-3OO3A. Como referido, no Programa de Treino, o exercício Exercício A-3OO3A situa-se no primeiro Ciclo Semanal (A) dos quatro que o compõem, terceira sessão de treino (-3), objectivo de Organização Ofensiva (OO), terceira e última parte da sessão (3) e exercício (A) dessa parte. Exercício que tem por objectivo específico os sub-momentos de Construção e Criação, que se encontram articulados com os sub-momentos de Transição Defensiva Reação à perda e Recuperação defensiva. Os princípios a que o exercício deverá garantir mais propensão passam pelo Equilíbrio defensivo, Saída de jogo do GR, Decisão pelo ataque rápido, Construção pela primeira linha, Jogo entre-linhas, Construção pelo corredor central, e Construção pelo corredor lateral.

“E no dia seguinte, digamos assim, é mais os Macro Princípios, as referências são outras, o espaço… mas não necessariamente a campo inteiro, mas já faz sentido que o treino não seja tão intermitente. Mas se eu conseguir na não intermitência colocar intermitência ainda melhor, ou seja, em vez de fazer duas vezes 20 minutos ou três vezes 15 minutos, fazer quatro ou cinco vezes 10 minutos, porque tenho intervalos e é isso que me garante a lógica.”

Vítor Frade em entrevista a (Xavier Tamarit 2013)

Exercício A-3OO2B

Adicionamos aos conteúdos Saber Sobre o Saber Treinar, especificamente ao Programa de Treino, a apresentação do Exercício A-3OO2B. Como referido, no Programa de Treino, o exercício Exercício A-3OO2B situa-se no primeiro Ciclo Semanal (A) dos quatro que o compõem, terceira sessão de treino (-3), objectivo de Organização Ofensiva (OO), segunda parte da sessão (2) e exercício (B) dessa parte. Exercício que tem por objectivo específico as Acções Individuais Ofensivas, em particular, o Provocação, o Drible e Finalização.

“(…) a Periodização Tática é afinação, é precisão, ou seja, vou lhe dizer mais, a refutação da noção habitual que se tem de técnica, que é uma abstração. Periodização Tática promove a fundamental, a precisão. A precisão na diversidade dos contextos a enfrentar, e a necessidade de precisão na variabilidade de contextos vai dar uma instrumentalidade padronizada em função das semelhanças nos contextos, e essa é que é a técnica para a Periodização Tática. Mas é a técnica que os jogadores conquistam.”

(Vitor Frade, 2012)

Exercício A-3OO2A

Adicionamos aos conteúdos Saber Sobre o Saber Treinar, especificamente ao Programa de Treino, a apresentação do Exercício A-3OO2A. Como referido, no Programa de Treino, o exercício Exercício A-3OO2A situa-se no primeiro Ciclo Semanal (A) dos quatro que o compõem, terceira sessão de treino (-3), objectivo de Organização Ofensiva (OO), segunda parte da sessão (2) e exercício (A) dessa parte. Exercício que tem por objectivos os sub-momentos de Construção, Criação e Reação à perda (articulação com a Transição Defensiva) e os princípios de Equilíbrio defensivo em construção, Saída de jogo do GR, Decisão pelo ataque rápido, Construção pela primeira linha, Construção no corredor central, Construção no corredor lateral.

“Estas formas modificadas de jogo procuram no entanto preservar os seus ingredientes específicos, apelando à utilização das habilidades em situações-problema. Pela redução do número de jogadores envolvidos, pela restrição das zonas de acção, inclusive pela delimitação do quadro de possibilidades, podemos estabelecer um contexto que simplifique a leitura das situações, sem que no entanto se prescreva de forma estereotipada o que os alunos terão de fazer (Mertens & Musch, 1990; Graça, 1998; Duarte, 2004).”

(Ricardo Duarte et. al., 2006)

Exercício A-3OO1B

Adicionamos aos conteúdos Saber Sobre o Saber Treinar, especificamente ao Programa de Treino, a apresentação do Exercício A-3OO1B. Como referido, no Programa de Treino, o exercício Exercício A-3OO1B situa-se no primeiro Ciclo Semanal (A) dos quatro que o compõem, terceira sessão de treino (-3), objectivo de Organização Ofensiva (OO), primeira parte da sessão (1) e exercício (B) dessa parte. Exercício que tem por objectivo específico as Acções Individuais Ofensivas, em particular, o Provocação, o Drible e Finalização.

“Quando ia para a escola podia esquecer-me de levar as canetas ou um livro, mas nunca da bola. Nos intervalos, no fim das aulas, a seguir ao jantar, a bola era para nós como um membro do corpo, tinha sempre de andar connosco. Soava a campainha para sair e logo corria para o pátio da escola. Tocava agora para entrar e lá tinha a professora que nos ir chamar pois a jogar ninguém ouvia ou queria ouvir o sinal que anunciava o regresso à sala. No caminho para casa era o concurso de “toques”. Todos os dias tentava superar o meu record! Chegado a casa era comer à pressa para que o intervalo no jogo não fosse prolongado. A nossa imaginação de criança era muito fértil. A minha casa em Jugueiros tinha um alpendre, construído pelo meu Pai para o proteger enquanto trabalhava. Para mim era apenas a baliza. Marcava os quatro cantos com diferente pontuação e depois desafiava-me, tentando sempre superar a minha classificação. Quando se tornava fácil e o desafio era superado, logo criava um novo. Então, a bola tinha de ir ao telhado e eu, sem a deixar cair, rematava para os pontos. Se a bola caísse ao chão não contava! O desafio seguinte foi colocar-me de costas viradas para a baliza (ou alpendre se preferirem) atirar a bola para o telhado e esperar o momento certo que me era dado pelo som da bola a percorrer o telhado, para no momento certo rodar, enquadrar com a baliza e rematar para fazer pontos! Não estando satisfeito, procurei ainda mais rapidez de execução. Então lançava a bola ao telhado e, antes dela cair procurava subir e descer o maior número de escadas possível antes de rematar para a baliza!”

Paulo Sousa em (Hélder Fonseca & Júlio Garganta, 2006)

Exercício A-3OO1A

Adicionamos aos conteúdos Saber Sobre o Saber Treinar, especificamente ao Programa de Treino, a apresentação do Exercício A-3OO1A. Como referido, no Programa de Treino, o exercício Exercício A-3OO1A situa-se no primeiro Ciclo Semanal (A) dos quatro que o compõem, terceira sessão de treino (-3), objectivo de Organização Ofensiva (OO), primeira parte da sessão (1) e exercício (A) dessa parte. Exercício que tem por objectivo específico as Acções Individuais Ofensivas, em particular, o Passe, a Recepção e a Desmarcação.

“Não é pensar. É fazer. E ao fazer, eu encontro o meu caminho. Eu usava a parede de tijolo ao redor da entrada do prédio. Você vê aquela linha de tijolos verticais, como uma trave? Na maioria das vezes eu estava sozinho, apenas chutando a bola contra a parede, observando como ela ressaltava, como voltava, apenas controlando-a. Eu achava isso tão interessante! Tentando de diferentes maneiras: primeiro com um pé, depois com o outro, procurando coisas novas: parte interna do pé, parte externa do pé, chuto com o peito do pé… criando um tipo de ritmo, acelerando, desacelerando. Às vezes eu fazia mira a um tijolo específico, ou à trave. Pé esquerdo, pé direito, fazendo a bola girar. Repetidas vezes. Era apenas divertido. Eu estava aproveitando. Interessava-me. Talvez outras pessoas não se incomodassem. Talvez não achassem interessante. Mas eu estava fascinado. Muito mais tarde, você poderia dar um passe num jogo e talvez olhar para trás e perceber: “Ah, espera aí, eu sei de onde vem esse toque.” Mas quando criança você está apenas chutando uma bola contra a parede. Você não está pensando num passe. Apenas está apreciando a mecânica disso, o prazer de fazê-lo.”

Dennis Bergkamp em (David Winner, 2013)

Exercício A-4TD3A

Adicionamos aos conteúdos Saber Sobre o Saber Treinar, especificamente ao Programa de Treino, a apresentação do Exercício A-4TD3A. Como referido, no Programa de Treino, o exercício Exercício A-4TD3A situa-se no primeiro Ciclo Semanal (A) dos quatro que o compõem, segunda sessão de treino (-4), objectivo de Transição Defensiva (TD, terceira parte da sessão (3A) e último exercício da sessão.

“eu me revolto quando dizem o treino de tensão, não é nada disso. Não é nada o dia da tensão, ele não é o dia da tensão! Porque isso leva as pessoas a estarem preocupadas com a tensão, e então fazem uma merda qualquer com tensão e já está. Não! É o dia dos detalhes, dos «pequenos» princípios, das coisas pequenas, dos planos mais micro e não sei quê… sendo do ataque ou sendo da defesa, mas com a garantia que há uma densidade significativa de contracções excêntricas, portanto, há um aumento da tensão, mas em pormenores, pormaiores do jogar! Tenho que estar preocupado, para dar variabilidade ao treino em inventar e discorrer essas situações de jogo, que são para o jogar o que me interessa. Portanto tenho duas coisas, tenho que inventar isso e tenho que saber que a tensão está acrescida. Não é o dia da tensão, senão punha uma merda qualquer ou faço uns skippings, não é nada disso, é preci­samente o contrário!”

Vítor Frade em entrevista a (Xavier Tamarit, 2013)

Exercício A-4TD2A

Adicionamos aos conteúdos Saber Sobre o Saber Treinar, especificamente ao Programa de Treino, a apresentação do Exercício A-4TD2A. Como referido, no Programa de Treino, o exercício Exercício A-4TD2A situa-se no primeiro Ciclo Semanal (A) dos quatro que o compõem, segunda sessão de treino (-4), objectivo de Transição Defensiva (TD) e primeiro e único exercício da segunda parte da sessão (2A).

“o momento de transição defensiva começa no preciso instante em que a equipa perde a bola e tem que reagir muito rápido! A questão que se levanta é, o que fazer? O que fazer evidentemente que depende dos princípios de jogo que o treinador estabeleceu para este momento do jogo: Recuperar rapidamente a bola? Defender mais perto da minha baliza? Etc…”

(Carlos Carvalhal, 2010)

Exercício A-4TD1B

Adicionamos aos conteúdos Saber Sobre o Saber Treinar, especificamente ao Programa de Treino, a apresentação do Exercício A-4TD1B. Como referido, no Programa de Treino, o exercício Exercício A-4TD1B situa-se no primeiro Ciclo Semanal (A) dos quatro que o compõem, segunda sessão de treino (-4), objectivo de Transição Defensiva (TD) e segundo exercício da primeira parte da sessão (1B).

“Estes exercícios comportam uma elevada densidade de contracções excêntricas, incluindo, por isso, bastantes travagens, acelerações, saltos, quedas, mudanças de direcção, contactos físicos, etc. É importante referir que, apesar da definição deste regime de contracção muscular, os objectivos inerentes a cada exercício prendem-se com a sua forma de jogar. As contracções excêntricas são apenas “um meio” para superar certas dificuldades associadas ao seu jogar.”
(Alexandra Silva, 2010)

Exercício A-4TD1A

Adicionamos aos conteúdos Saber Sobre o Saber Treinar, especificamente ao Programa de Treino, a apresentação do Exercício A-4TD1A. Como referido, no Programa de Treino, o exercício Exercício A-4TD1A situa-se no primeiro Ciclo Semanal (A) dos quatro que o compõem, segunda sessão de treino (-4), objectivo de Transição Defensiva (TD) e primeiro exercício da primeira parte da sessão (1A).

“São contextos de exercitação onde estão implicados efectivos numéricos reduzidos, realizados em espaços igualmente reduzidos e que devem proporcionar elevada propensão para a ocorrência de uma gestualidade com muita excentricidade (contracções musculares excêntricas) mas sempre tendo como propósito fundamental a vivenciação de escalas menores do nosso jogar.”

(Jorge Maciel, 2011)

Exercício e contra-exercício

“escolher o jogo reduzido é um acto complexo, desafiador, onde o escolher e não escolher, tem igual peso na resultante da resposta do futebolista e onde os efeitos podem ser claramente diferentes para os distintos futebolistas envoltos no jogo.”

(Filipe Clemente, 2022)

O exercício, tal como o seu propósito, o próprio jogo, emanam uma incrível complexidade. Essa é provavelmente uma das razões do imenso fascínio e desafio que provoca a quem o planeia e operacionaliza.

Um dos reflexos que essa complexidade gera está na outra “face” do exercício. O contra-exercício. Esta é a denominação com que nos referimos, num exercício competitivo, ao(s) jogador(es) que estão na oposição ao(s) outro(s) que estão dentro do objectivo proposto. Dando um exemplo simples, propomos um jogo reduzido de GR+2×2+GR, de objectivos ofensivos de Organização Ofensiva + Transição Defensiva, mais especificamente de progressão, penetração, cobertura ofensiva e mobilidade. Articulando isso com a Reacção à perda da bola da Transição Defensiva como segundo objectivo. Então, para lhes garantir propensão e estímulo a estes objectivos, propomos que sempre que a equipa marque golo, reinicie a situação com bola. Neste contexto, a equipa que está na oposição à que está a jogar nos objectivos do exercício, referimos que está no contra-exercício. Neste exemplo, essa equipa estará, por exemplo, na Organização Defensiva e Transição Ofensiva, especificamente na contenção, cobertura defensiva, Reação ao ganho da bola e decisões posteriores de transição.

Parece algo simples porque também trazemos um exemplo mais simples. Simples do ponto de vista da percepção sobre o exercício e objectivos, mas complexo do ponto de vista comportamental. Contudo, em exercícios de maior número de jogadores, eventualmente maior espaço e principalmente, com mais regras, nem sempre se torna fácil a sua análise, planeamento e operacionalização. Até porque a manipulação do jogo em função de objectivos para determinado exercício promove a perda ou deterioração de outros comportamentos. Manipular o jogo tem este efeito, por isso torna-se fundamental perceber e antecipar o que se promove e o que se prejudica. 

Noutro exemplo, temos uma situação similar à anterior. Mas agora de GR+2(+1)x2+Gr, ou seja, adicionamos um apoio interior que joga sempre pela equipa que ataca. Nesta função específica colocamos um médio-centro para que tenha propensão em comportamentos de apoio, cobertura ofensiva, mobilidade e passe, pródigos para um jogador nesta função. Porém, sendo apoio de quem ataca, fica portanto castrado dos comportamentos de Transição e Organização Defensiva, algo igualmente fundamental nessa função. Terá que ser o treinador a definir e priorizar o que será mais importante naquele momento, mas não pode ignorar que estará a degradar esses comportamentos àquele jogador. Desse modo, torna-se fundamental que os promova noutros momentos.

Por outro lado, esta complexidade também traz outra riqueza ao exercício. Se teremos uma equipa dentro dos objectivos propostos, a oposição estará eventualmente em objectivos antagónicos. Assim, identifá-los e dar-lhes relevância durante o exercício, enriquecerá o mesmo do ponto de vista aquisitivo. Uma solução para tal passa por definir um dos treinadores para acompanhar essa equipa que estará em oposição à que estará mais tempo nos objectivos do exercício, ou seja, a que está no contra-exercício. Deste modo, garantindo-lhe apoio, feedback e relevância. Em exercícios nos quais, dadas as regras dos mesmos, as equipas repartem a propensão em exercício e contra-exercício, caberá ao treinador definir se nos papéis dos treinadores responsáveis por cada equipa se torna importante o feedback a objectivos secundários.

Flexibilidade e adaptabilidade do Programa de Treino

“Os exercícios apenas são potencialmente específicos”

Guilherme Oliveira, citado por (Esteves, 2010)

Continuamos a explorar o Programa de Treino que temos vindo a desenvolver, aprofundando a flexibilidade do mesmo.

Sublinhamos que o Programa não é dirigido a nenhuma Ideia de Jogo Específica. Porém, será ele exequível para todas as Ideias? Essa foi uma das nossas preocupações e intenções, mas lançamos um verdadeiro desafio à criatividade. Será possível criar uma Ideia de Jogo que não seja operacionalizável desta forma? Caso afirmativo, por outro lado, será um óptimo tónico à evolução do trabalho realizado.

À imagem de um Microciclo ou Morfociclo padrão, no qual a preocupação seja transmitir uma Ideia de Jogo à equipa, enquadrando uma série pressupostos para que a “óptima” aquisição deva acontecer, por sua vez o Programa enquadra um ciclo mais alargado (quatro semanas), nas quais são abordadas todas as dimensões da Ideia de Jogo da equipa.

Se a Ideia de Jogo (o projecto do treinador) é o ponto de partida e o Modelo de Jogo (o jogar propriamente dito da equipa) o ponto de chegada, o Programa será um dos veículos, através dos quais podemos fazer esse trajecto. Cremos nós, e esse foi o principal objectivo na sua elaboração, com grande eficiência e eficácia.

No passado texto escrevemos o seguinte sobre o tema:

“Também procurámos que o Programa fosse, por um lado, suficientemente fechado para se conseguir um razoável controlo do processo de aquisição e repetição num plano macro, por outro, que também fosse suficientemente aberto para poder ser implementado com diferentes Ideias de Jogo, diferentes níveis competitivos e ainda diferentes escalões etários.”

Para tal, usámos a Sistematização do Jogo que desenvolvemos no passado, para definir diferentes escalas de actuação. Os momentos, os sub-momentos, os princípios, os sub-princípios e as acções individuais.

Relativamente aos momentos, temos uma sessão por semana direccionada para cada um deles. Quanto aos sub-momentos, procurámos dar maior volume aos que surgem mais vezes no jogo. Por exemplo, em relação à Transição Defensiva é facilmente perceptível que as equipas passam mais tempo na Reação à perda e menos na Defesa do contra-ataque, logo, será lógico dar maior propensão a um sub-momento que pode até evitar que a equipa não tenha que defender um contra-ataque adversário.

Em relação aos princípios, tratam-se de ideias comuns a todas as equipas. No mesmo enquadramento, Transição Defensiva, sub-momento de Reação à perda, damos o exemplo da “Pressão imediata na bola”. É algo que todas as equipas procuram. Se é para procurar recuperar imediatamente a bola ou apenas para conter, não permitindo o contra-ataque adversário e procurar garantir a reorganização defensiva da equipa, isso será território específico da Ideia de Jogo de cada treinador. Como exemplo de sub-princípio, “Referências de pressão”, ou seja, em que circunstâncias a equipa passa da contenção à pressão para recuperar a bola, ou se simplesmente não o faz nunca. Importa referir que os sub-princípios são comuns a diferentes princípios. O exemplo que acabámos de dar confere isso, pois “Referências de pressão” estará também presente noutros sub-momentos do jogo, nomeadamente nos de Organização Defensiva.

O mesmo sucede com as Acções Individuais. Neste caso, defensivas, e damos o exemplo da “Posição de base”, através da qual o defensor procura orientar-se, posicionar-se, adoptar determinada postura corporal, etc., para, da forma mais eficiente possível, passar da contenção à eventual pressão com objectivo de recuperar a bola.

Ora bem, nesta lógica, o Programa define o quando (momentos e sub-momentos do jogo) e o quê (princípios, sub-princípios e acções individuais). Contudo, não define o como e porquê, ficando esse domínio contemplado na Ideia de Jogo Específica de cada treinador.

Deste modo, o Programa também se torna ajustável a cada nível de jogo. Se, por exemplo, o nível é o da Etapa de Iniciação do Futebol de Formação, a Ideia (extremamente simples, reduzida, necessariamente aberta e ampla) e a intervenção do treinador deverão ter determinado carácter. O que não implica que não hajam conteúdos programados, tal como sucede nos programas nacionais do ensino básico. De uma forma geral, abordados de forma mais elementar e muitas vezes apenas usando um exercício / jogo simples como estímulo ao conteúdo desejado, e sem grande intervenção do treinador. Noutro exemplo, se o Programa é aplicado no Futebol de Rendimento Profissional, o detalhe, a exigência, o plano estratégico, etc., deverão estar contemplados através da Ideia de Jogo, conteúdos e da actuação do treinador em cada exercício. Mesmo que não haja intervenção do treinador no exercício. Isso deve ser deliberado e fruto de um pensamento estratégico e operativo naquele contexto específico. Não porque o nível de intervenção pressupõe isso.

Haverá sempre uma questão pertinente no nível de Rendimento. Se o Programa engloba quatro semanas, dado que uma não será suficiente para se atingir todas as dimensões do jogo da equipa na propensão desejada, então, atendendo à eventual necessidade de investimento na dimensão estratégica em função do próximo jogo, essa semana do Programa poderá não atingir em volume de forma satisfatória determinado sub-momento do jogo e / ou da forma desejada (espaço do campo onde determinados princípios se desejam trabalhar). Neste caso, a manipulação do exercício, nomeadamente na sua operacionalização, torna-se decisiva.

Não modificando conteúdos, ao longo da semana o treinador vai encontrar momentos e sub-momentos contrários aos objectivos estratégicos que persegue. Nesses momentos, pode usar o contra-exercício, ou seja, os objectivos inversos aos do Programa em determinado exercício para intervir e tornar-se o protagonista maior no foco e, possivelmente feedback, que pretende. Por exemplo, na semana C do Programa, no exercício C-3OO2B:

Os objectivos, sub-momentos da Organização Ofensiva, são a Criação e Finalização, e ainda com ligação à Reacção à perda na Transição Defensiva. O exercício é passado no meio-campo adversário.

Se, em função do próximo adversário, o treinador tem a preocupação de preparar determinado(s) princípio(s) da Organização Defensiva, sub-momento, Impedir a Criação em bloco médio ou baixo, poderá escolher este e eventualmente outro(s) exercício(s) para garantir essa intervenção. Nesta semana do programa, para além deste, surgem mais 5 exercícios em que pode atingir, ou no objectivo principal, ou no contra-exercício, este propósito. Assim, no enquadramento da equipa técnica e definição de tarefas no treino, poderá trocar o seu papel, inicialmente no objectivo principal, com outro treinador responsável pela equipa / grupo de jogadores que se encontram no objectivo inverso. Ou seja, trocar a sua intervenção para a equipa que, com maior propensão no exercício em causa, defende e transita ofensivamente no exercício. Deste modo, o programa não perde os objectivos iniciais e a estimulação sistemática de determinadas ideias. Simultaneamente o treinador encontra o espaço e o momento para dar mais ênfase a determinada preocupação e objectivo estratégico.

Estamos, e não nos cansamos de repetir, perante um processo altamente complexo. O Programa de Treino, torna-se para nós um caminho muito interessante para o treinador ter um satisfatório controlo sobre o jogo da sua equipa. No caso particular do Futebol de Rendimento, controlo sobre a dimensão da sua Ideia de Jogo e também sobre a dimensão estratégica.

“Treinar deve implicar

que a percepção cumpra sua função

não é a de memorizar, mas de percepcionar

a complexidade do jogo na complexificação.

Resultante…

De cada instante

duma e outra equipa na acção.”

(Vítor Frade, 2014)

Exercício A-5TO3A [Subscrição Anual]

Publicamos um primeiro elemento do Programa de Treino. O exercício A-5TO3A. Lembramos que não se trata de um exercício concreto, mas de um tema numa perspectiva micro do Programa, que obedece a determinada lógica da respectiva sessão, do ciclo semanal e do programa ao nível da distribuição de conteúdos. Porém, associado a ele, publicamos também 6 propostas de exercícios concretos. Deixamos uma amostra do que ficará disponível na subscrição anual.

Deixamos alguns excertos da página do exercício A-5TO3A:

(…)

Ainda abordando a duração na sua relação com a pausa, mais concretamente, a densidade, torna-se fundamental que o(s) treinador(es) responsáveis pela operacionalização dos exercícios A-5TO3A e A-5TO3B, num ciclo semanal que sucede à competição, promovam pausas óptimas entre repetições e entre exercícios, para que os objectivos se mantenham em aquisição ou consolidação e paralelamente ajudem na recuperação e não resultem em significativo aumento de fadiga acumulada. Para tal, é fundamental a sensibilidade dos treinadores aos indicadores subjectivos de fadiga e engenho, criatividade e comunicação de forma a manipular a competitividade dos exercícios e os “quandos” e formas de os pausar. Neste contexto, de acordo com a treinadora (Marisa Gomes, 2011), jogadores em estado de fadiga, apresentam-se “contraídos, lentos e com uma enorme incapacidade para jogar com sucesso, com passes errados, com más decisões e com uma execução (drible, remate, desmarcação, etc)”. Segundo Paco Seirul·lo em (Zona Mister, 2016) um jogador fatigado apresenta “músculos tensos, menor tempo de reacção, e menor destreza mental”. Carlos Queiroz citado por (João Romano, 2007), partilha a mesma opinião ao referir “que quando uma equipa tem de enfrentar um jogo sem conseguir uma regeneração completa, do ponto de vista fisiológico e emocional, se ressente, através de menor concentração, menor entusiasmo, menor alegria, menor disponibilidade e menor eficiência. Assim, o surgimento da fadiga reflecte-se, em suma, numa diminuição da intensidade das acções”. Jogadores e outros autores, entre outras qualidades, referem também uma perda substancial de criatividade quando o jogador está sob fadiga, o que se torna facilmente explicável pela menor disponibilidade nervosa para a tarefa, levando o jogador a procurar se concentrar no essencial e no que apresenta padrão e conforto.

(…)

““como” tirar da zona de pressão para manter a posse de bola poderá estar no “proteger, rodar, passar”. Mas, tão importante como os “comos” são os “porquês”. Partindo do princípio que a equipa pretende ter a bola, quando não a tem deve ter o objectivo de a recuperar. Por sua vez, quando a recupera deve ter o objectivo… de a manter! Manter, com a consciência do que se pretende com essa manutenção. Não a posse pela posse, que fique claro. O que se pretende é desequilibrar a equipa adversária.”

(Mauro Santos, 2010)

 

Deixamos algumas ideias para o desenvolvimento deste exercício:

Exercício 166 | A-5TO3A-1 | Impedir a criação + Reação ao ganho + Valorização da posse de bola | Garantir imediatos apoios ao portador + Garantir imediata cobertura ofensiva + Tirar a bola da pressão + Aproveitar os espaços livres + Reorganização ofensiva + Critério na posse

Exercício 167 | A-5TO3A-2 | Impedir a criação + Reação ao ganho + Valorização da posse de bola | Garantir imediatos apoios ao portador + Garantir imediata cobertura ofensiva + Tirar a bola da pressão + Aproveitar os espaços livres + Reorganização ofensiva + Critério na posse

Exercício 168 | A-5TO3A-3 | Impedir a criação + Reação ao ganho + Valorização da posse de bola | Garantir imediatos apoios ao portador + Garantir imediata cobertura ofensiva + Tirar a bola da pressão + Aproveitar os espaços livres + Reorganização ofensiva + Critério na posse

Exercício 169 | A-5TO3A-4 | Impedir a criação + Reação ao ganho + Valorização da posse de bola | Garantir imediatos apoios ao portador + Garantir imediata cobertura ofensiva + Tirar a bola da pressão + Aproveitar os espaços livres + Reorganização ofensiva + Critério na posse

Exercício 170 | A-5TO3A-5 | Impedir a criação + Reação ao ganho + Valorização da posse de bola | Garantir imediatos apoios ao portador + Garantir imediata cobertura ofensiva + Tirar a bola da pressão + Aproveitar os espaços livres + Reorganização ofensiva + Critério na posse

Exercício 171 | A-5TO3A-6 | Impedir a criação + Reação ao ganho + Valorização da posse de bola | Garantir imediatos apoios ao portador + Garantir imediata cobertura ofensiva + Tirar a bola da pressão + Aproveitar os espaços livres + Reorganização ofensiva + Critério na posse

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