Quando menos é mais

No bom espírito quantitativo, falando-se em amplitude, quanto maior… melhor. Mas não. Quando os jogadores se afastam em demasia, a equipa fica como um universo em expansão: perde densidade, energia e “calor” colectivo; as interacções arrefecem e a qualidade do jogo dissipa-se.

Largura máxima relativa é, por isso, dar a largura e a profundidade máximas úteis para abrir espaços no bloco adversário sem perder ligações. É “relativa” porque depende da posição da bola, da organização do adversário e das nossas ligações: não é viver colado à linha por princípio. Os autores (Paulo Correia, et al., 2014) defendem que “quando em posse de bola, a equipa deverá fazer ‘campo grande’ (…) para uma circulação de bola rápida, segura e eficaz (…) A distância dos jogadores sem bola ao seu colega com bola depende sempre de imensos factores” — daí “amplitude máxima relativa”.  

No primeiro golo do FC Porto em Alvalade, em sub-momento de Construção, este princípio foi decisivo. No início da construção, a primeira linha do FC Porto não abriu. Aproximou-se para criar superioridade numérica local e encadear ligações curtas com o jogador adiantado na segunda linha. Menos amplitude (por instantes) → mais densidade → melhores ângulos de passe → saída limpa. Logo a seguir, a equipa voltou a alargar onde fazia sentido. Isto é largura máxima relativa em acção: fechar para ligar e atrair, abrir imediatamente para progredir. 

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