Modelo de Jogo

 

 

“No desporto, tão importante como a aprendizagem de métodos é a aprendizagem de conteúdos. Os métodos, sem conteúdos, para pouco servem. É o conteúdo que torna, ou não, apetecível o método. E, no conteúdo, não há só tecnociência, há também filosofia e pedagogia e poesia e amor. Sabem estas coisas os especialistas em Desporto?”

(Sérgio, 2016)

“Mourinho não me ensinou a jogar futebol. Eu sei jogar futebol. Ele ensinou-me foi a jogar em equipa, o que é algo diferente. E é por isso que onde quer que ele se encontre, atinge o sucesso.”

Didier Drogba, citado por (Lourenço, 2010)

O mais importante numa equipa de Futebol é ter um modelo de jogo, um conjunto de princípios que dêem organização à equipa. Por isso a minha atenção é para ai dirigida desde o primeiro dia.

(Mourinho, 2006) citado por (Oliveira, et al., 2006)

““Auto-eco-hetero” faz colectivo acontecer

não é matilha nem manada

é cooperação p’ra organização engrandecer

o jogar, e no treino qualquer futebolada.”

(Frade, 2014)

Modelo de Jogo… em busca do quê?

Segundo o autor (Gomes, 2015), “uma qualquer equipa de futebol reflecte, quando joga, uma organização mais ou menos elaborada, visível fundamentalmente:

  • Na forma como os jogadores se colocam no terreno de jogo;
  • Na forma como os jogadores atacam e defendem;
  • Na forma como os jogadores se movimentam para resolverem as situações momentâneas de jogo.”

Neste sentido, o autor acrescenta que “quando falamos da organização do jogo em futebol é falar, entre outras coisas, na distribuição dos jogadores no terreno de jogo e das funções e tarefas a executar por cada um no decurso do jogo, isto é, nos conceitos de sistemas, métodos e princípios do jogo, que levam à racionalização do espaço de jogo e das missões tácticas”.

Desta forma, (Gomes, 2015) defende que o Modelo de jogo “é o sistema dinâmico de relações mais ou menos complexas que se estabelecem numa equipa durante a competição, nos proceossos ofensivos e defensivos”. O Modelo de Jogo, forma de jogar ou simplesmente jogar, pode se entender como a organização estrutural e funcional que o treinador idealiza e concebe para a sua equipa, expressa no seu sistema de jogo, e respectivos comportamentos ou princípios de jogo, os quais os jogadores deverão adoptar nos diferentes momentos de jogo de forma a conseguirem um entendimento colectivo do jogo, uma linguagem comum, o que garante a qualidade colectiva e um consequente entrosamento da equipa. Estes comportamentos podem ser de dominante posicional, de decisão, ou de execução.

Forma-se uma forte corrente de opinião no Futebol, defendendo que o Modelo de Jogo idealizado pelo treinador deverá variar, por um lado, em função dos jogadores disponíveis no plantel, tendo em conta a sua qualidade e características, e por outro, variar em função da cultura envolvente, manifestada no clube, país ou região. Outras opiniões defendem que deverá, inclusive, variar de forma profunda, pela intervenção sobre a dimensão estratégica, tendo em conta as características do próximo adversário. Constata-se a existência de diferentes filosofias na abordagem à organização de jogo das equipas. Procurando evitar uma visão extremista e redutora, devemos porém mudar o ângulo de análise à questão. É um facto, não existirem dois fenómenos no Universo exactamente iguais, por mais difícil que seja, ao Homem, ver e compreender essa diferença. Deste modo, e porque o Jogo de Futebol encerra determinadas características, como qualquer outro jogo haverá uma forma de jogá-lo que tornará, potencialmente, uma equipa mais eficaz. Resta-nos perceber qual.

Se pensarmos na utopia que seria um Modelo de Jogo ideal para o Futebol, adoptado por todas as equipas, então as variáveis que passariam a ser decisivas para o sucesso, seriam provavelmente a qualidade individual dos jogadores e a qualidade do trabalho desenvolvido pela equipa técnica e estrutura envolvente, nomeadamente ao nível da Liderança e Metodologia do Treino.

Relação entre a qualidade dos jogadores e as necessidades de qualidade do trabalho realizado perante o Modelo de Jogo Ideal.

Relação entre a qualidade dos jogadores e as necessidades de qualidade do trabalho realizado perante o Modelo de Jogo Ideal.

O que no fundo esta visão sustenta, é que com jogadores de menor qualidade, mais dependente estará o treinador da qualidade do seu trabalho. Assim, de forma a dar direcção ao trabalho o treinador necessita de uma referência, de um guia. Como compreendido atrás, o modelo de jogo é o aspecto nuclear no processo de treino. É a grande referência, a “carta de navegação”. Também (Junior, 2013) sublinha esta ideia descrevendo que o “Modelo de Jogo confere um determinado sentido ao desenvolvimento do processo face a um conjunto de regularidades que se pretendem observar. Deste modo, o modelo permite responder à questão: para onde vamos? A pertinência desta questão parece-nos fundamental para desenvolver um processo direcionado para um determinado JOGAR, ou seja, para um processo intencional”. Assim, segundo (Faria, 1999), “o modelo de jogo condiciona um modelo de treino, um modelo de exercícios e, necessariamente, um modelo de jogador”. Nesta lógica, (Amado, 2012) em comentário ao seu próprio artigo, defende que “um treinador deve ser essencialmente alguém com preocupações teóricas acerca do jogo. O problema dos aficionados das metodologias é que, estão a discutir questões estritamente práticas, sobretudo relacionadas com a eficácia de certo tipo de exercícios. Para mim, a eficácia dos exercícios é um problema secundário. Se um treinador achar que, defendendo com 11 e jogando em transição, pode ser campeão nacional, os seus treinos podem ser os melhores do mundo, a equipa pode defender melhor do que qualquer outra e ser a melhor do mundo em transição, mas dificilmente será campeã”.

Na opinião de Jorge Maciel citado por (Esteves, 2011), o modelo de jogo “é uma noção central para quem quer perceber o que é a Periodização Táctica. Aliás por norma há uma associação quase directa, por parte da generalidade das pessoas, entre a Periodização Táctica e a designação modelo de jogo. Contudo, penso não haver na generalidade das vezes uma correcta apreensão daquilo que representa e é o modelo de jogo para a Periodização Táctica. Penso mesmo que há uma banalização e consequente deturpar do conceito. Confunde-se muitas vezes modelo de jogo com a concepção de jogo, a organização estrutural da equipa, com o dito sistema de jogo e com outros aspectos. O principal motivo para tais equívocos resulta das pessoas, e também as instituições, estarem ainda muito presas ao convencionalismo científico. Mark Twain dizia que “para aqueles que têm apenas um martelo como ferramenta todos os problemas são pregos”, e é precisamente esse o problema que se coloca a quem quer seguir o caminho da Periodização Táctica, ou seja o caminho da complexidade. Por isso mesmo tomando-se tal decisão, tem de se ter consciência que se a nossa ferramenta é a complexidade então todos os problemas são complexos e requerem tratamento complexo. Portanto, quando nos referimos à noção de modelo de jogo cortamos com a ideia tradicional que resulta da modelação matemática, linear. Referimo-nos antes a uma concepção bem mais complexa e dinâmica da ideia de Modelo, o que implica a necessidade de conceber e tentar perceber a complexa noção de modelo de jogo de acordo com a ideia de Metamodelação ou Modelação Sistémica”. Também para (Azevedo, 2011), “o Modelo de Jogo em Futebol é normalmente mal-entendido pelas pessoas. Falase dele como sistema de jogo implementado ou a estrutura inicial que a equipa apresenta em campo. No entanto, o Modelo de Jogo é muito mais do que isso, o Modelo é tudo (Frade, 2006). Entendemos que um Modelo de Jogo é algo que identifica uma determinada equipa, o é apenas um sistema de jogo,o é o posicionamento e disposição dos jogadores, mas sim a forma como os jogadores estabelecem as relações entre si e como expressam a sua identidade, uma determinada organização apresentada em cada momento do jogo que se manifesta com regularidade. O Modelo de Jogo diz respeito a uma ideia/conjectura de jogo (Guilherme Oliveira, 2003a) alicerçada num conjunto de princípios, regras de acção e de gestão do jogo (Garganta, 2003), ou seja, um conjunto de ideias e princípios que determinam a forma de jogar Específica de uma equipa”.

“Todo o conhecimento é bem vindo, toda a discussão é bem vinda, qualquer ideia é bem vinda, e no fim o que eles têm de aprender é a pensar o futebol por si próprios. Apenas poderás dar vida a exercícios de treino, ou a sessões de treino, quando compreenderes o jogo, tiveres as tuas ideias e vires claramente o que é fundamental para ti. (…) No fim és tu que produzes a tua própria metodologia.”

(Mourinho, 2016)

A realidade e a sua modelação

Neste sentido, o autor (Batista, 2006), explica que “segundo Moigne (1990), se pretendemos construir a inteligibilidade de um fenómeno complexo, devemos modelá-lo. Modelar um sistema complexo é elaborar construções simbólicas de entendimento, com as quais poderemos definir projectos de aão em antecipação e por deliberação, prevendo ao mesmo tempo consequências e garantir um meio de avaliação do processo e da sua eficácia”. Assim, o autor refere que “o futebol assume-se como um fenómeno complexo (Frade, 2004), logo verificamos que é fundamental a criação de um modelo de jogo como concepção tendo em conta a “natureza inquebrantável do jogo (Frade, 2004). Tendo em consideração estas premissas, o Modelo de Jogo afigurase imprescindível na construção de um processo de treino, uma vez que será o orientador de toda a operacionalização do referido processo (Oliveira, 2004). O modelo de jogo constitui assim, o “guia do processo, um referencial fundamental porque congrega todos os princípios e subprincípios de um sistema complexo que é o jogo que pretendemos (Frade, 2004)”. Assim, para (Ramos, 2003), “é evidente que um processo sistemático de análise tem necessariamente de pormenorizar o que pretende observar e entender melhor. Podemos estudar o Futebol procurando um conhecimento profundo das acções que lhe são próprias, identificando os aspectos que determinam a melhor ou pior capacidade, do jogador e da equipa, de realizar essas acções”. O treinador português (Pereira, 2009), sustenta que “o modelo de jogo é a dinâmica comportamental, aquilo que quero ver como dinâmica comportamental colectiva e individual. Fundamentalmente em termos concretos é ter uma ideia de jogo definida e vê-la crescer, ir modelando essa ideia, operacionalizá-la e ver que de facto ela vai surgindo, vai crescendo em termos de qualidade. É definir muito bem os princípios e depois dar corpo a esses princípios, dar dinâmica a esses princípios, dar qualidade”.

O autor (Maciel, 2011), explica que “o Modelo é constituído por um conjunto de inúmeros aspectos, alguns mais relacionados com opções do treinador, como a concepção de jogo, a metodologia de treino, a operacionalização do processo, outros mais relacionados com os jogadores e com a própria realidade do clube e o contexto envolvente. Aspectos que vão desde as crenças de jogadores ou dirigentes, à história do clube, dimensão estatuto e competência do departamento médico, a realidade competitiva, até as picardias e rivalidades históricas que possam existir dentro e fora do clube. Pode dizer-se que o Modelo é tudo. E por isso mesmo penso que a imagem mais capaz de o retratar é a de um iceberg, à superfície, isto é a face visível, parece ser uma realidade circunscrita a uma determinada dimensão e complexidade, mas na verdade é bem mais complexa e edificada sobre muitos aspectos que não são visíveis à superfície, mas que se assumem como fundamentais para a dimensão visível do Modelo. O Modelo é tudo e resulta da interacção altamente dinâmica entre os aspectos visíveis e dizíveis com os aspectos invisíveis e indizíveis que o compõem. A melhor definição que conheço de Modelo é a do Professor Vítor Frade quando afirma que “o Modelo é qualquer coisa que não existe, mas que todavia se pretende encontrar”. Trata-se portanto de uma espécie de impossível necessário, que nós em termos ideais concebemos, mas que depois na sua concretização não conseguimos reproduzir tal e qual, pois ao nível do pormenor ele vai assumir contornos únicos resultantes da interacção com o que o envolve. No entanto, não deixa, ou não deve deixar de ter a configuração geral, os traços gerais daquilo que projectamos à partida. Temos de estar conscientes que por se tratar de uma realidade aberta dele vão emergir dimensões em termos de pormenor que nós à priori desconhecíamos. Muitas vezes quando se fala em Periodização Táctica refere-se a seguinte citação, “o caminho faz-se caminhando” e o Modelo é isso, faz-se modelando. O Modelo é o acto de Modelação, é o processo, e resulta do entrecruzamento dinâmico e complexo de uma intencionalidade estabelecida à priori com a sua operacionalização num determinado contexto, o qual, conjuntamente com a gestão que dele vamos fazendo vai permitir o emergir de uma realidade única, o nosso iceberg, o nosso modelo de jogo. É uma noção complexa e não facilmente entendível, porque causa em nós vários conflitos. Desde logo, sendo tudo, uma realidade aberta, simultaneamente redundante – porque nos seus contornos gerais deve ser padronizável – e imprevisível – em termos de detalhe, coloca o treinador perante o aparente paradoxo que é o de ter de gerir uma realidade que na sua essência é imprevisível. Para que seja capaz de o fazer tem de aceitar que o seu controlo do processo nunca vai ser pleno, mas que quanto melhor for, melhor será o processo. Para lidar com tal conflito importa perceber bem o que se entende por caos determinístico, porque o modelo de jogo é isso mesmo. É uma realidade dinâmica e complexa que assumindo contornos globais desejáveis e estabelecidos à priori, concretizados pela modelação do processo, não deixa de contemplar em menor escala uma dimensão imprevisível. O Modelo é sem dúvida permeável ao que o envolve, no entanto, ele é tanto mais selectivo nessa permeabilidade quanto mais consistente e coerente for a complexa e dinâmica operacionalização do processo. E o que dota de consistência e coerência o processo é o modo como o treinador gere os aspectos mais controláveis, que podemos designar de plano cientificavel do processo. Um plano que é composto por uma matriz conceptual, relativa à concepção de jogo que é padronizável nos níveis de organização superiores, e por uma matriz metodológica, que se reporta aos Princípios Metodológicos. Depois há o outro plano, que é uma consequência da essência aberta do processo, é o plano do detalhe, do inopinado, que não é cientificavel, pois como diz o Professor Vítor Frade “para o detalhe não há equação”. É um plano que sendo imprevisível, contempla uma propensão para se constituir como um imprevisível mais previsível. Isto porque surge sobredeterminado, ou seja como uma emergência contextualizada pelo plano cientificavel do processo, daí caos determinístico”.

Na mesma linha de pensamento, (Azevedo, 2011), aludindo-se a Garganta (1996), acrescenta que “podemos referir que entre a teoria e a prática encontramos as simplificações, sendo que o modelo é visto como um simplificação da realidade complexa, uma interpretação e uma síntese, no fundo, uma representação dessa mesma realidade. Assim, o modelo adquire a forma como que se caracteriza o “conteúdo táctico”, em que o treinador como modelador de um determinado jogar, transporta para um universo teórico aquilo que a prática lhe mostra; sabendo, contudo, que a realidade é sempre mais complexa e mais completa do que o modelo, do que a sua representação. Facilmente depreendemos que o modelo é uma representação simplificada da realidade, uma criação pessoal que está ligada a concepções de conhecimento (Garganta, 1997) de determinado fenómeno ou realidade (neste caso o Futebol)”. O autor acrescenta que “na perspectiva de Le Moigne (1990), a modelação de sistemas complexos permite a construção de interacções que vão direccionar as acções e permitir avaliar os processos e os respectivos resultados”. Constata-se assim que existe a real necessidade de privilegiar a estabilidade comportamental, perseguida através da implementação de um modelo de jogo ou jogar comum num grupo de jogadores, formando assim a equipa, em detrimento da resolução individual dos problemas e consequentemente da aleatoriedade.

Também (Casarin, et al., 2010), explica que “entende-se por modelo de jogo um corpo de idéias, relacionados como uma determinada forma de jogar, constituindo assim como um “perfil” de jogo da equipa (Graça e Oliveira, 1994). O mesmo consiste no mapeamento de um conjunto de referências necessárias para balizar a organização dos processos de organização ofensiva e defensiva e transições ofensivas e defensivas, respeitando os princípios definidos (Castelo, 1994; Morbaerts 1991)”. De acordo com (Azevedo, 2011), “o Modelo de Jogo é um conjunto de princípios, regras de acção e de gestão que orientam e permitem a regulação do processo de treino, possibilitando ao treinador e aos jogadores conceber o planeamento que se deve seguir, em função dos objectivos formulados (Garganta, 2003)”. O autor (Cardoso, 2006) vai mais longe e explica que “o Futebol pertence a um grupo de modalidades com características comuns, habitualmente designadas por jogos desportivos colectivos. Face a essa característica, a dimensão Táctica é reconhecidamente considerada como determinante para a coordenação entre os elementos de uma equipa, com vista a atingir determinados objectivos”.

Realimentação do Modelo

Desta forma, (Ramos, 2004) descreve que que “um modelo implica um esquema teórico de um sistema ou realidade complexa”. Porém, segundo o mesmo autor, o modelo jogo real estabelece-se adaptando à equipa o modelo teórico inicial, mas depois, fazendo-o evoluir. O autor (Azevedo, 2011) refere que “Guilherme Oliveira (2006, p. III) afirma que “os treinadores transmitem determinado tipo de ideias que querem que os jogadores assumam em termos de jogo, os jogadores vão receber essas ideias e vão reconstruir essas ideias. Por isso há uma criação de um Modelo …”. Assim, para (Lumueno, 2014), “o modelo de jogo é isso mesmo: a ideia do treinador em conjunção com a interpretação que os jogadores fazem dele”.

Assim, o autor (Batista, 2006), explica que “o Modelo de jogo é uma conjectura de jogo, é aquilo ques pretendemos que em termos mentais, aconteça durante o jogo. Esse modelo é constituído essencialmente por princípios que se articulam entre si e queo uma certa forma de jogar, com determinados padrões de comportamento em diferentes momentos tanto ofensivos, como defensivos, como transição defesaataque e transição ataque-defesa. o comportamentos ques queremos que a nossa equipa tenha em todos esses momentos. (Oliveira, 2003a). Quando falamos em Modelo de Jogo, estamos igualmente a ter em conta o futuro como realidade mutável ou como elemento causal do comportamento (Frade, 2004) e por conseguinte precursor de eventuais alterações que o modelo de jogo como realidade organizante deve saber dar resposta e possuir capacidade de adaptação. Quando em 2003 se perguntou ao Professor Rui Faria o que era para si modelo de jogo, ele diz que Modelo de Jogo é algo que existeo de uma forma estanque, é algo que está em constante modificação, que está dependente de um processo de treino, que está dependente da intervenção do treinador juntos dos atletas e da receptividade destes perante esse modelo e é no fundo, algo que está em constante evolução, em constante mutação. Agora num conceito mais geral, o modelo é a abrangência de todo o processo de treino e de competição”.

Para (Azevedo, 2011), “pode-se, então, depreender que o Modelo de Jogo é uma visão futura do que pretendemos que a equipa manifeste de forma regular nos diferentes momentos do jogo, ou melhor, o jogar que o treinador idealiza para a equipa. Carvalhal (2001) dá o seu contributo afirmando que o Modelo de Jogo constitui-se sempre como o futuro, aquilo que pretendemos alcançar e que estamos constantemente a visualizar, aquilo aonde pretendemos chegar, sendo a ideia de jogo que nos dá as coordenadas para poder trabalhar, para guiar e poder chegar ao nível máximo de jogo”.

Modelo de Jogo de qualidade em busca de uma… qualidade colectiva

Em traços muito gerais, podemos distinguir duas dimensões da qualidade no Jogo de Futebol. A qualidade individual, que está subjacente às qualidades que cada jogador apresenta para jogar, num determinado momento e numa determinada função e modelo de jogo. Por outro lado podemos falar de qualidade colectiva se estivermos a analisar uma equipa e o seu comportamento colectivo no jogo. Uma equipa apresenta qualidade quando manifesta valores, ideias, comportamentos e dinâmicas comuns. Nesta perspectiva, (Romano, 2007) defende que “a dinâmica é criada quando existe um entendimento comum do jogo, ou de determinada situação de jogo, por parte dos jogadores, o que lhes permite agir de acordo com os mesmos princípios. Neste sentido os padrões colectivos assumem-se como a referência sobre a qual, através da interacção de, e com, os jogadores, se procura promover a dinâmica desejada”.

Logicamente que qualidade colectiva e individual não perduram de forma autónoma, já que para que a qualidade individual tenha expressão na equipa e consequentemente no jogo tem que estar enquadrada no «jogar» colectivo e portanto qualidade colectiva, como por sua vez, para determinada qualidade colectiva, portanto, modelo de jogo, requer jogadores com determinadas qualidades individuais para que o todo faça mais sentido e seja coerente. Desta forma a qualidade colectiva, não é mais do que um modelo de jogo bem estruturado, coerente e solidário que assimila várias qualidades individuais, diferentes entre si, formando um todo de superior qualidade e mais do que a soma das suas individualidades.

“… é FUNDAMENTAL perceber que a organização é o sucesso e quanto mais organizada for a equipa mais probabilidade de sucesso haverá.”

Rui Faria, citado por (Campos, 2008)

“A liderança é muito importante, mas a experiência diz-me que a essência está no jogo, na organização.”

(Tomás Morais, 2008)

“A identidade

invariância identitária

das equipas para qualquer idade

é a condicionante prioritária.”

(Frade, 2014)

 


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