“O futebol é um jogo de erros. E dos erros aprende-se.”
“O futebol é um jogo de erros. E dos erros aprende-se. Agora que o futebol na rua passou à história – pelo menos na Europa – a única solução para este défice técnico está na formação do futebolista. Por isso insisto sempre na importância do futebol de formação. (…) Educativamente, o futebol de sete, com as medidas de campo com que se joga, não faz sentido. Aqui, os erros passam mais despercebidas. Tu erras num passe, mas entre as generosas dimensões do campo e o facto de teres sempre um companheiro extra para corrigir o teu erro, a tua falha pode não ser total. E se erras mas não se nota, dificilmente aprenderás com os teus erros. Com as medidas de campo mais pequenas e com cinco jogadores mais o guarda-redes, a evolução do futebolista dispara. Não só em termos de jogo de equipa, mas, o que é mais importante, no jogo individual. Aqui, cada passe mal dado nota-se. Cada mau controlo nota-se. Se jogo com sete em vez de seis, sempre haverá um livre que possa corrigir o meu possível erro no passe e, com as medidas do campo de futebol sete, isso faz com que o que é fundamental, que é potenciar a sua técnica, se perca. Essa é a minha obsessão. A de outros, é a preparação física. E, que eu saiba, com boa saúde, todas as crianças correm. Mais vantagens educativas de jogar futebol seis. Num campo mais pequeno, há muito poucas faltas. E dificilmente alguém se magoa. Aqui prima a técnica em vez do físico. E prima o cérebro em vez da força. Jogando cinco contra cinco, mais o guarda-redes, não sobra ninguém. Todos, sem exceção, ver-se-ão na necessidade de enfrentar um um-contra-um. O defesa e o avançado. O defesa aprenderá a atacar e o avançado a defender. Há anos colaborei na organização de um torneio de futebol seis em Amesterdão com quatro equipas profissionais: Ajax, Liverpool, Milan, e creio recordar que Celtic de Glasgow. Catorze minutos de jogo. Sem faltas diretas e, aos três cantos, penálti. Isso espicaça até os defesas mais rudes. Até eles têm de ser espertos para defender bem, com critério, sem abusar de mandar a bola para canto, porque ao terceiro canto é penálti para a outra equipa. O pontapé de baliza tem de tocar sempre no campo próprio. Rapidez, sim, máxima, mas sempre jogando a bola. Rematar desde o teu próprio campo não vale, pelo que estarás obrigado a sair bem com a bola na defesa. O desempenho foi uma coisa fantástica… e Baggio, então no Milan, foi dos melhores. Ali, com a sua enorme qualidade técnica, era o rei.”





