Jürgen Klopp


“Devo fazer tudo o que está ao meu alcance para mudar o lugar onde estou para melhor. Para mim, em variadíssimas situações, é importante que as pessoas que me rodeiam estejam bem. Eu estou sempre bem. Desejo verdadeiramente fazer um trabalho que torne o Mundo melhor. Infelizmente, esse desejo não significa que seja bem-sucedido na tarefa de aceitar que há coisas – como as doenças ou a dor – que não posso mudar”.

(Jürgen Klopp, 2009)

O treinador alemão Jürgen Klopp em (UEFA.com, 2012), descreve a propósito do seu comportamento altamente emocional durante os jogos que “nada disso é para benefício dos outros. Este é o verdadeiro Jürgen Klopp e talvez não seja sempre a melhor forma de ser, mas penso que uma equipa apenas pode actuar intensamente se for acompanhada de igual modo de fora. Não se tem uma grande influência de fora, mas aquilo que se procura durante a semana é ter um desempenho especial no fim-de-semana e não posso manter-me afastado disso, seja de forma negativa ou positiva. Pode haver uma melhor forma de treinar, mas pelo menos o risco de ter uma úlcera estomacal não é tão alto, porque não mantenho tudo dentro de mim”. O autor (Simão, 2013) cita Klopp, solicitando que “olhem para mim durante os jogos… eu festejo quando pressionamos, quando recuperamos a posse de bola ou quando ganhamos um lançamento lateral. E digo yesssss!”

Porque o Futebol também é isto

Porque o futebol também é emoção e sentimento… e porque a Liderança também é decisiva na intervenção do treinador.

“A alma de uma equipa é a alma do seu treinador”.

Miguel Delibes citado por (Urbea, et al., 2012)

 “Há um grande neorologista que diz: nós, médicos passamos a vida a dizer aos doentes: faça exercício físico, não coma açucar, não coma sal, etc. e esquecemo-nos de lhes dizer que o primeiro factor de saúde é que a vida tenha sentido para nós, o primeiro factor de saúde é… ser feliz!”

(Sérgio, 2012)

Fadiga central

O autor (Carvalhal, 2010), questiona se existe “apenas cansaço físico? A maioria das vezes o intervalo temporal entre jogos cumpre os limites “fisiológicos “ … Vejo com atenção alguns jogos, vivencio esta realidade, e constato que muitas vezes as equipas correm até demais, lutam, são intensas, no entanto falham muitos passes e por vezes perdem organização… como explicar tudo isto?” Segundo (Sampaio, 2013), “quando estudamos, quando lemos um livro, quando escrevermos um artigo, quando temos um trabalho de enorme concentração, mesmo realizando a tarefa sentados, no final estamos cansados. Deste modo, entendendo que um jogador para jogar futebol necessita de concentração de decisões, de pensamento simultaneamente com execução (físico) o entendimento do desgaste ou cansaço de um jogador não pode ser só entendido como uma recuperação física (muscular) mas também mental (cérebro e sistema nervoso central)”. Também de acordo com (Carvalhal, 2010), “é indescritível o cansaço que um treinador sente no final de um jogo! Mas como explicá-lo? Não andou muito, não correu, não teve uma relevante exigência física… estão certamente a pensar como eu… fadiga mental! É muito importante tomar consciência que tal como a fadiga física (sistema nervoso periférico), também existe a mental (sistema nervoso central) e ambas se fazem sentir no nosso organismo durante, e principalmente depois de um jogo.”

Experiência

Habitualmente não realizamos neste espaço, análises individuais e colectivas, nomeadamente depreciativas. O nosso foco está em seguir e teorizar o caminho que os melhores trilham. Porém, perante o tema que é objecto da nossa investigação, teremos sempre que abrir excepções.

Hoje na análise à pesada derrota do Bayer Leverkusen na Liga dos Campeões, um recente analista e ex-jogador, referiu que “apesar da qualidade do Paris SG, nada fazia supor este resultado, dada a força do futebol alemão e porque o treinador do Leverkusen, Sami Hyypiä é um treinador experientíssimo“. A pretensão não é analisar a qualidade do treinador em causa, porque para além de não ser esse o objectivo deste artigo, também não dispomos de informação e conhecimento suficiente para o fazer. Assim restringimo-nos à qualificação “experiência” utilizada pelo comentador, que nos parece incrivelmente desajustada.

Histórico de Sami Hyypiä como treinador, (zerozero.pt, 2014).

Histórico de Sami Hyypiä como treinador, (zerozero.pt, 2014).

A única explicação encontrada para esta qualificação é o seu passado como jogador, que é de facto, significativo. E é aqui que nos debruçamos. Continua viva a ideia de que uma carreira de jogador no Futebol de Rendimento é garante para se ser um treinador de sucesso. Não é. Ao longo da história do Futebol acumulam-se as experiências falhadas com ex-jogadores e por outro lado com recém-licenciados, por falta de preparação para a função. Tudo porque alguém, com responsabilidades directivas, viu neles algumas qualidades ou potencialidade para o cargo. Porém não percebeu, que a função exige muito mais do que algumas qualidades, experiência ou conhecimentos: exige tudo isso, a multidisciplinaridade de conhecimentos e uma formação e experiência contínuas.

Saber jogar Futebol está no domínio dos bons jogadores. Saber sobre o saber jogar é apenas restrito a alguns, que podem até nem ser os melhores. E saber sobre o saber jogar é apenas uma face da necessária competência do treinador – o saber treinar. Uma boa Liderança e uma Metodologia de Treino de qualidade são outras necessidades da função.

Saber sobre o saber treinar, ou seja, o conhecimento sobre a função do treinador apenas está ao alcance de quem sobre ele reflecte. Jogadores, treinadores, analistas, comentadores, etc., que não ultrapassaram a fasquia do saber jogar, terão sempre muita dificuldade em compreender esta realidade.

Livro

Êxito - as 11 chaves da motivação, do sucesso e da liderança vistas a partir dos melhores treinadores do mundo, Jordi Urbea & Gabriel García de Oro, 2012

Êxito – as 11 chaves da motivação, do sucesso e da liderança vistas a partir dos melhores treinadores do mundo, Jordi Urbea & Gabriel García de Oro, 2012

O Futebol podia ser mais vezes assim

Jürgen Klopp, José Mourinho e o árbitro da partida, minutos antes do jogo da primeira mão das meias-finais da Liga dos Campeões de 2013 entre Dortmund e Real Madrid.

Manuel Sérgio sobre a comunicação

Apresentação de Jorge Jesus na Faculdade de Motricidade Humana de 11 de Março de 2013, na íntegra em:

http://www.youtube.com/watch?v=JgY_mTD9HR4

Pai leva o filho ao seu primeiro jogo de Futebol

Para (Amado, 2012), ser adepto “é ser alguém que gosta especialmente de um clube, tendencialmente de modo irracional, e que se regozija com a vitória desse clube”. Ainda (Clemente, 2012), em comentário a (Amado, 2012), destaca que “a satisfação da vitória não é acerca do jogo, mas essencialmente acerca das pessoas à tua volta”.

Futebol de Formação

Josep Guardiola - no futebol de formação do Barcelona

O segredo do Barcelona “são 25 anos da mesma ideia. Foi a base
que fez mudar a primeira equipa e não o contrário. E hoje há uma comunhão
absoluta. Temos um treinador que chegou ao clube aos 13 anos, ganhou uma Taça
dos Campeões, foi capitão de equipa, passou pelas equipas de formação e
compreende tudo. Temos o círculo fechado.”

Director de formação do Barcelona Albert Puig, citado por (Paralvas, 2011)

Guardiola & Mourinho

error: Content is protected!