{"id":16732,"date":"2026-09-14T20:05:14","date_gmt":"2026-09-14T19:05:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/?p=16732"},"modified":"2026-09-15T20:04:04","modified_gmt":"2026-09-15T19:04:04","slug":"gianluca-prestianni-potencial-e-rendimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/2026\/09\/14\/gianluca-prestianni-potencial-e-rendimento\/","title":{"rendered":"Gianluca Prestianni. Potencial e Rendimento."},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: center;\"><strong><em><span class=\"s2\">\u201cComo reconhecer o potencial naquilo que parece comum? No fundo, trata-se de um problema de previs\u00e3o: que aspecto tem o potencial que ainda n\u00e3o encontrou express\u00e3o?\u201d<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: center;\"><span class=\"s1\">(Rasmus Ankersen, 2012)<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">O potencial projecta-se. O rendimento manifesta-se. Um vive no futuro poss\u00edvel; o outro joga-se no presente concreto.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Dizer que um jovem \u00abtem potencial\u00bb n\u00e3o \u00e9 apenas descrev\u00ea-lo. \u00c9 fazer uma previs\u00e3o. Os autores (Stratton, Reilly, Williams e Richardson, 2004) estabelecem uma distin\u00e7\u00e3o fundamental: o potencial existe enquanto possibilidade, ao passo que apenas o rendimento actual pode ser observado, medido e validado. Contudo, num jogo colectivo, at\u00e9 esse rendimento \u00e9 complexo por ser insepar\u00e1vel da equipa, do advers\u00e1rio e do contexto que o permite \u2014 ou condiciona. Portanto, quantidades, n\u00fameros ou outras m\u00e9tricas puramente anal\u00edticas s\u00e3o extremamente curtas para o avaliar. Melhor, para os avaliar. Rendimento e potencial.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Rendimento \u00e9 jogar bem\u2026 agora. Portanto n\u00e3o se reduz a marcar golos, fazer assist\u00eancias ou \u00abgrandes defesas\u00bb. \u00c9 perceber, decidir e executar no tempo que o jogo concede; relacionar-se com os companheiros, com uma ideia colectiva e com os problemas colocados pelo advers\u00e1rio; transformar recursos individuais em utilidade para a equipa.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">\u00c9, no fundo, aproximar-se do trin\u00f3mio Est\u00e9tica-Efic\u00e1cia-Efici\u00eancia de V\u00edtor Frade. N\u00e3o uma est\u00e9tica ornamental, desligada de ganhar, mas a \u00abbeleza\u00bb de um jogar eficiente que sustenta a efic\u00e1cia.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Um jogador pode marcar e ter jogado mal. Pode n\u00e3o marcar e ter sido determinante. Uma vez mais, os n\u00fameros n\u00e3o definem o rendimento, embora deixem marcas daquilo que foi produzido.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">J\u00e1 o potencial \u00e9 diferente. O autor (Rasmus Ankersen, 2012) alerta para aquilo a que chama \u00abcegueira do rendimento\u00bb: a tend\u00eancia para assumir que um rendimento elevado no presente significa necessariamente elevado potencial e que um rendimento apenas mediano denuncia possibilidades limitadas. Por vezes, o potencial ainda n\u00e3o encontrou forma de se expressar. <\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">As qualidades que o indiciam tendem a ser mais raras e menos adquir\u00edveis no imediato. Por exemplo, uma rela\u00e7\u00e3o invulgar com a bola, qualidade no um contra um e no drible, coordena\u00e7\u00e3o, velocidade, dissimula\u00e7\u00e3o das inten\u00e7\u00f5es, criatividade, capacidade para enganar o advers\u00e1rio, pensamento divergente ou determinadas caracter\u00edsticas mentais e motoras.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Portanto, aquilo que se observa s\u00e3o qualidades. Aquilo que se projecta \u00e9 potencial. N\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, um dep\u00f3sito fixo, escondido no interior do jogador. O autor (David Shenk, 2010) apresenta o talento como um processo de desenvolvimento resultante da interac\u00e7\u00e3o cont\u00ednua entre caracter\u00edsticas individuais, experi\u00eancias e envolvimento. Paralelamente, (David Epstein, 2013) refor\u00e7a que natureza e educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o constituem explica\u00e7\u00f5es concorrentes, mas est\u00e3o permanentemente entrela\u00e7adas na produ\u00e7\u00e3o do desempenho. J\u00e1 (Anders Ericsson e Robert Pool, 2015) v\u00e3o ainda mais longe, referindo que aprender n\u00e3o significa apenas alcan\u00e7ar um potencial previamente estabelecido. Significa tamb\u00e9m desenvolv\u00ea-lo, construindo qualidades que antes n\u00e3o existiam.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Nesta linha de pensamento, o potencial n\u00e3o \u00e9 apenas aquilo que o jogador poder\u00e1 revelar. \u00c9 tamb\u00e9m aquilo que poder\u00e1 construir.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">O pedagogo brit\u00e2nico (Ken Robinson, 2011) define a criatividade como o processo de desenvolver ideias originais que tenham valor. Tamb\u00e9m no Futebol n\u00e3o basta fazer diferente. \u00c9 necess\u00e1rio que o diferente produza algo a seu favor no jogo. Os autores (Wormhoudt, Savelsbergh, Teunissen e Davids, 2018) distinguem a capacidade divergente de encontrar v\u00e1rias solu\u00e7\u00f5es da capacidade convergente de escolher a mais adequada. H\u00e1 aqui um paradoxo aparente, pois quanto mais possibilidades um jogador consegue imaginar, mais rapidamente ter\u00e1 de excluir quase todas\u2026 para executar apenas uma.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">O potencial permite ver aquilo que outros n\u00e3o v\u00eaem. O rendimento exige escolher, no instante certo, aquilo que serve o jogo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">O argentino Gianluca Prestianni constitui um exemplo particularmente interessante neste dom\u00ednio. Estreou-se na equipa principal do V\u00e9lez Sarsfield a 24 de Maio de 2022, com apenas 16 anos e menos de quatro meses, tornando-se o jogador mais jovem da hist\u00f3ria profissional do clube. Antes de chegar ao Benfica, j\u00e1 figurava entre os jovens mais promissores da sua gera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">A velocidade de execu\u00e7\u00e3o, o drible, a agilidade, a criatividade e a capacidade para provocar desequil\u00edbrios no um contra um eram evidentes. E j\u00e1 apresentava rendimento jogando no futebol s\u00e9nior argentino quando muitos jogadores da sua idade ainda competiam exclusivamente na forma\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Mas potencial e incompletude podem coexistir. Quando chegou ao Benfica, precisamente no dia em que completou 18 anos, mudou o pa\u00eds, o campeonato, o contexto competitivo, a equipa, os companheiros, a ideia de jogo, a press\u00e3o e os problemas que precisava de resolver. A bola era a mesma. O jogador tamb\u00e9m. Mas o jogo j\u00e1 n\u00e3o era.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Passou pela equipa B do Benfica e, nas primeiras apari\u00e7\u00f5es na equipa principal, as qualidades surgiam sobretudo em lampejos. Apareciam decis\u00f5es inadequadas, perdas de bola, pouca cria\u00e7\u00e3o e reduzida influ\u00eancia na finaliza\u00e7\u00e3o. Chegou-se a noticiar a sua ced\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Contudo, o potencial n\u00e3o tinha desaparecido. Ele n\u00e3o desaparece. Caso contr\u00e1rio estamos perante um erro de avalia\u00e7\u00e3o. O potencial, por diversas raz\u00f5es, pode \u00e9 nunca vir a ser concretizado.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Prestianni, como tantos outros jogadores de elevado potencial, ainda n\u00e3o se expressava com regularidade e funcionalidade no seu novo contexto.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">O professor J\u00falio Garganta concorda com a ideia ao defender que o talento \u00e9 contextual, actualiz\u00e1vel e transit\u00f3rio. Por outro lado, (Bruno Pereira, 2018) acrescenta que o jogador necessita de confirmar as suas qualidades no contexto profissional e que o processo de forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o termina quando chega ao futebol s\u00e9nior. A subida de n\u00edvel obriga-o a adaptar-se, a reconstruir rela\u00e7\u00f5es e a continuar a aprender. Porque o rendimento n\u00e3o est\u00e1 apenas dentro do jogador. Emerge da rela\u00e7\u00e3o entre jogador e contexto. Curiosamente \u00e0 imagem da Ideia e do Modelo de Jogo. Neste sentido, o potencial n\u00e3o deixa de ser uma Ideia que se tem de um jogador.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">N\u00e1 \u00e9poca 2025\/26, Prestianni apresentou maior continuidade e influ\u00eancia no jogo. No in\u00edcio de 2026\/27, o crescimento transformou-se numa explos\u00e3o do seu rendimento: \u00e0 data de 13 de Setembro, somava oito golos em dez jogos oficiais. Na Liga Europa marcou tr\u00eas vezes em quatro jogos e voltou a marcar na sexta jornada da Liga Portuguesa.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Os n\u00fameros n\u00e3o explicam tudo. Mas ajudam a perceber que aquilo que antes surgia episodicamente passou a produzir consequ\u00eancias com maior frequ\u00eancia. N\u00e3o nasceu outro jogador. O mesmo jogador come\u00e7ou a organizar melhor as suas possibilidades, a decidir melhor e isso trouxe-lhe uma melhor condi\u00e7\u00e3o emocional.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Analisando de fora, n\u00e3o podemos distribuir com exactid\u00e3o a responsabilidade entre treino, experi\u00eancia competitiva, conhecimento do jogo, confian\u00e7a, matura\u00e7\u00e3o, entrosamento com os companheiros ou clarifica\u00e7\u00e3o da sua fun\u00e7\u00e3o. Podemos observar o resultado: as qualidades tornaram-se mais \u00fateis para a equipa.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Ericsson e Pool relacionam ainda a evolu\u00e7\u00e3o dos \u201cexperts\u201d com a constru\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00f5es mentais progressivamente mais ricas e eficientes. No Futebol, significa reconhecer melhor os problemas, antecipar possibilidades, distinguir informa\u00e7\u00e3o relevante e encontrar solu\u00e7\u00f5es adequadas sob crescente press\u00e3o espacial, temporal e emocional.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">O autor (M\u00e1rio Fagundo, 2008), num estudo realizado com jovens futebolistas, encontrou uma associa\u00e7\u00e3o entre maior tempo de pr\u00e1tica deliberada e maior efic\u00e1cia ofensiva e defensiva. Por\u00e9m, n\u00e3o se trata simplesmente de acumular horas. Importa a representatividade das tarefas, o grau de desafio, a qualidade do feedback e a possibilidade de experimentar, reconhecer e corrigir.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Tamb\u00e9m o famoso autor de obras sobre o talento, (Daniel Coyle, 2009), destaca precisamente o valor dos \u00aberros produtivos\u00bb. S\u00e3o erros que n\u00e3o funcionam como senten\u00e7as sobre a capacidade do praticante, mas como informa\u00e7\u00e3o para reorganizar o acto t\u00e1ctico. J\u00e1 (Carol Dweck, 2017) mostra como uma mentalidade de crescimento permite interpretar a dificuldade e o insucesso transit\u00f3rio enquanto partes do processo e oportunidades, em vez de provas definitivas de falta de talento.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Optimizar um jogador n\u00e3o \u00e9 retirar-lhe aquilo que o torna especial para o tornar seguro. \u00c9 ajud\u00e1-lo a reconhecer o qu\u00ea, quando, onde, como, porqu\u00ea e com quem deve usar essa diferen\u00e7a. Um drible pode ser apenas um drible. Ou pode eliminar um advers\u00e1rio, atrair outro, libertar um companheiro, criar um espa\u00e7o ou uma linha de passe e aproximar a equipa do golo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">A mesma qualidade pode gerar vantagem ou perda. O que muda \u00e9 o conhecimento que a orienta.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">\u00c9 tamb\u00e9m aqui que surge a velocidade-for\u00e7a-resist\u00eancia, outrora vistas como puras qualidades f\u00edsicas, hoje por\u00e9m, enquanto qualidades complexas. Complexas no jogo de futebol, deste modo, qualidades t\u00e1cticas, ao servi\u00e7o de uma projec\u00e7\u00e3o de potencial. Velocidade n\u00e3o s\u00f3 para executar, mas para perceber e decidir. For\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 para exercer supremacia f\u00edsico-motora, mas para assumir, arriscar e competir. Resist\u00eancia para durar do ponto de vista energ\u00e9tico, mas tamb\u00e9m conservar concentra\u00e7\u00e3o, agressividade, ambi\u00e7\u00e3o e confian\u00e7a perante o erro, a fadiga e a adversidade. Deste modo, para al\u00e9m das mais evidentes compet\u00eancias t\u00e9cnicas, criativas e motoras, h\u00e1 que ir mais longe na identifica\u00e7\u00e3o de talento e potencial e procurar perceber a parte submersa do \u201ciceberg\u201d que \u00e9 o homem que joga futebol.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">No Futebol de Forma\u00e7\u00e3o, a distin\u00e7\u00e3o entre potencial e rendimento torna-se ainda mais delicada. Um mais r\u00e1pido desenvolvimento maturacional f\u00edsico-morfol\u00f3gico ou mental-emocional pode garantir rendimento imediato. O jovem mais forte, mais r\u00e1pido, mais confiante ou mais agressivo resolve problemas que os restantes ainda n\u00e3o conseguem resolver.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">E por vezes, essa superioridade camufla a aus\u00eancia de outras qualidades. Por exemplo porque, consegue ultrapassar, e n\u00e3o precisa de enganar. Porque consegue impor-se fisicamente, e n\u00e3o precisa de antecipar. Porque ganha facilmente, n\u00e3o \u00e9 suficientemente perturbado para descobrir novas solu\u00e7\u00f5es. Rasmus Ankersen recorda que, durante a adolesc\u00eancia, jovens da mesma idade cronol\u00f3gica podem apresentar v\u00e1rios anos de diferen\u00e7a maturacional. Se avaliarmos apenas o que produzem naquele momento, corremos o risco de seleccionar vantagens maturacionais transit\u00f3rias como se fossem demonstra\u00e7\u00f5es de elevado potencial. E muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o. S\u00e3o antes demonstra\u00e7\u00f5es de elevado rendimento\u2026 pontual.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">E a selec\u00e7\u00e3o produz novas diferen\u00e7as. Como explica J\u00falio Garganta, os jogadores precocemente identificados recebem frequentemente melhores treinadores, companheiros, condi\u00e7\u00f5es de treino e oportunidades competitivas. Uma vantagem maturacional inicial converte-se, assim, numa vantagem acumulada. Entretanto, os jogadores mais tardios podem ser exclu\u00eddos antes de disporem de tempo e contexto para revelar as suas possibilidades.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Do mesmo modo, a variedade de experi\u00eancias n\u00e3o deve ser confundida com atraso. O autor (David Epstein, 2019) mostra que muitos praticantes que posteriormente alcan\u00e7am a excel\u00eancia passaram, durante a inf\u00e2ncia, por per\u00edodos de explora\u00e7\u00e3o de diferentes actividades e formas de jogo. O portugu\u00eas (Bruno Pires, 2009) encontra nos Jogos e Futebol de Rua precisamente essa diversidade: liberdade, criatividade, espontaneidade, diferentes espa\u00e7os, pisos, bolas, advers\u00e1rios e problemas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Portanto, o potencial tamb\u00e9m se constr\u00f3i nessa variabilidade. O problema n\u00e3o est\u00e1 no jogador maturado render. Muitos deles at\u00e9 exibem outras qualidades para al\u00e9m das que a matura\u00e7\u00e3o lhes garantem. O problema est\u00e1 em confundirmos uma determinada vantagem moment\u00e2nea com uma senten\u00e7a sobre o futuro.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Tamb\u00e9m n\u00e3o devemos transformar o potencial numa explica\u00e7\u00e3o vaga, obscura e imune \u00e0 realidade. Dizer que um jogador tem potencial exige identificar qualidades concretas, compreender como produz o rendimento, observar a sua capacidade de aprender e projectar at\u00e9 onde essas possibilidades poder\u00e3o evoluir em contextos mais exigentes. O potencial sem rendimento permanece uma hip\u00f3tese. O rendimento sem desenvolvimento pode ser apenas circunstancial.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Prestianni n\u00e3o deixou de ter potencial quando jogou (se posicionava, decidia e executava) menos bem no Benfica. Nem o adquiriu subitamente quando come\u00e7ou a produzir bons desempenhos e a marcar. O que mudou foi a frequ\u00eancia com que as suas qualidades passaram a produzir jogo de qualidade para a equipa. Portanto\u2026 desenvolveu-se.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Potencial \u00e9 poder vir a jogar com qualidade. Individualmente e colectivamente. Rendimento \u00e9 jogar bem\u2026 agora.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">E formar \u00e9 n\u00e3o destruir o primeiro pela pressa do segundo \u2014 e criar as condi\u00e7\u00f5es para que, um dia, ambos estejam ao mesmo n\u00edvel. Preferencialmente na equipa principal, ou seja, no futebol de rendimento.<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: center;\"><strong><em><span class=\"s2\">\u201cO talento potencial pode existir antes do treino, mas o jogador s\u00f3 existe depois disso.\u201d<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: center;\"><span class=\"s1\">(J\u00falio Garganta, 2014)<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cComo reconhecer o potencial naquilo que parece comum? No fundo, trata-se de um problema de previs\u00e3o: que aspecto tem o potencial que ainda n\u00e3o encontrou express\u00e3o?\u201d (Rasmus Ankersen, 2012) O potencial projecta-se. O rendimento manifesta-se. Um vive no futuro poss\u00edvel; o outro joga-se no presente concreto. 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