{"id":1388,"date":"2015-06-25T01:36:00","date_gmt":"2015-06-25T00:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/2015\/06\/25\/futebol-portugues_25\/"},"modified":"2019-03-25T18:03:47","modified_gmt":"2019-03-25T17:03:47","slug":"futebol-portugues_25","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/2015\/06\/25\/futebol-portugues_25\/","title":{"rendered":"Futebol Portugu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1831\" src=\"http:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/17924451_FfisE.jpeg\" alt=\"Futebol Portugu\u00eas\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/17924451_FfisE.jpeg 500w, https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/17924451_FfisE-450x338.jpeg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><b><i>&#8220;A nossa mat\u00e9ria-prima \u00e9 aquilo que temos entre as orelhas.&#8221;<\/i><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Agostinho da Silva<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"min-height: 12px; text-align: justify;\">Segundo o ex-seleccionador nacional de Rubby (Morais, 2014),\u00a0em Portugal\u00a0<i>\u201ctemos muito, muito, esp\u00edrito de clube. Mais do que esp\u00edrito desportivo e mais ainda que cultura desportiva\u201d.\u00a0<\/i>Tamb\u00e9m o autor (Neto, 2012), descreve que \u201c<i>em Portugal os adeptos que v\u00e3o aos est\u00e1dios s\u00f3 l\u00e1 v\u00e3o para testemunhar a vit\u00f3ria do seu clube \u2013 uma vit\u00f3ria sentida como vital para cada um. Da\u00ed a\u00a0 veem\u00eancia condenat\u00f3ria da actua\u00e7\u00e3o dos \u00e1rbitros.\u201d<\/i>\u00a0Jos\u00e9 Neto acrescenta ainda que em Portugal o Futebol \u00e9 predominantemente vivido \u201c<i>como drama \u2013 e para sofrer desgostos \u00e9 prefer\u00edvel ficar em casa: \u201cIntensamente vivido em quase todas as \u00e1reas e espa\u00e7os sociais, menos onde seria suposto faz\u00ea-lo com maior facilidade e impacto: nos est\u00e1dios\u201d (Jo\u00e3o Nuno Coelho, Nina Clara Tiesler, \u201c<\/i><b><i>O paradoxo do jogo portugu\u00eas: a omnipresen\u00e7a do futebol e aus\u00eancia de espectadores nos est\u00e1dios<\/i><\/b><i>\u201d, An\u00e1lise Social, n\u00ba 179, pg. 523)\u201d.<\/i><\/p>\n<p style=\"min-height: 12px; text-align: justify;\">Na opini\u00e3o de S\u00e9rgio Figueiredo em (Morais, 2006), \u201c<i>\u00e9 verdade que os portugueses s\u00e3o uns pessimistas natos. Uns pessimistas compulsivos. E convocam esse pessimismo tanto para as quest\u00f5es mais essenciais, como para as circunst\u00e2ncias mais simples do dia-a-dia\u201d.\u00a0<\/i>O autor refor\u00e7a que \u201c<i>se em Portugal n\u00e3o se sabe ganhar, tamb\u00e9m n\u00e3o se sabe perder\u201d.\u00a0<\/i>Por\u00e9m destaca: \u201c<i>no desporto como nos neg\u00f3cios, h\u00e1 portugueses que vingam, que se destacam, que se afirmam entre os melhores. Individualmente \u00e9 mais comum. Dif\u00edcil \u00e9 que isso aconte\u00e7a em equipa\u201d.<\/i>\u00a0Tamb\u00e9m na opini\u00e3o de (Morais, 2006), Portugal \u201c<i>n\u00e3o cresce por culpa do \u201cindividualismo, da inveja e do pensamento negativo de quem nos lidera\u201d.<\/i>\u00a0Isabel Vaz, em (Louren\u00e7o, 2010) descreve que o estere\u00f3tipo portugu\u00eas:\u00a0<i>\u201cn\u00e3o gostamos de vencedores, fomos educados a venerar a mediania e a nivelar por baixo como sinal de democracia\u201d.\u00a0<\/i>Neste sentido, o autor (S\u00e9rgio, 2012) descreve que \u201c<i>em Portugal n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa ser treinador de Futebol ou treinador de Basquetebol\u2026 as press\u00f5es s\u00e3o outras\u201d.<\/i><\/p>\n<p style=\"min-height: 12px; text-align: justify;\">A prop\u00f3sito deste tra\u00e7o que subsiste na cultura portuguesa, (Amado, 2011),\u00a0explica, noutro contexto, que\u00a0<i>\u201csomos um povo mais conservador, damos demasiada import\u00e2ncia ao &#8220;respeitinho&#8221; e temos ainda o v\u00edcio salazarento de achar que h\u00e1 agentes soberanos, nas mais diversas \u00e1reas, que est\u00e3o acima do di\u00e1logo e n\u00e3o precisam de justificar as suas decis\u00f5es de modo racional. Obedecer caladinho e servilmente a um \u00e1rbitro s\u00f3 porque \u00e9 \u00e1rbitro n\u00e3o faz sentido nenhum. O di\u00e1logo, a argumenta\u00e7\u00e3o, a contesta\u00e7\u00e3o, o protesto, fazem parte da vida p\u00fablica e deveriam, a bem daquilo que \u00e9 o jogo que melhor representa, nos dias que correm, a nossa sociedade, fazer parte desse jogo. N\u00e3o \u00e9 isso que se v\u00ea. Mais depressa um \u00e1rbitro penaliza um jogador por discordar dele do que por ter uma entrada em que p\u00f5e em risco a integridade f\u00edsica de um advers\u00e1rio. Isto n\u00e3o faz sentido nenhum. Esse \u00e1rbitro parece preferir ser juiz de car\u00e1cter do que juiz do jogo, ou seja, parece ter mais facilidade em exercer o poder que o estatuto de \u00e1rbitro lhe concede quando esse exerc\u00edcio n\u00e3o depende de uma decis\u00e3o t\u00e9cnica, o que \u00e9 &#8211; convenhamos &#8211; absurdo. Isto \u00e9 autorit\u00e1rio e politicamente primitivo. Faz parte de uma mentalidade ancestral que deveria estar arrumada nos livros de Hist\u00f3ria, mas que sobrevive pela transmiss\u00e3o, de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o, dos mais enraizados valores patriarcais\u201d.<\/i>\u00a0Amado vai mais longe e sustenta que\u00a0<i>\u201co Futebol portugu\u00eas, como ali\u00e1s o rochedo \u00e0 beira-mar plantado que \u00e9 o pa\u00eds, continua a resistir \u00e0 invas\u00e3o da modernidade como pode, com um instinto de auto-preserva\u00e7\u00e3o cuja natureza consiste em manter uma distin\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica bem definida, dentro da qual aquele que tem o poder deve exerc\u00ea-lo sem prestar contas do seu exerc\u00edcio. As nossas principais caracter\u00edsticas, enquanto povo, continuam a ser o &#8220;bairrismo&#8221;, a defesa da par\u00f3quia de cada um, a fam\u00edlia enquanto pilar social. N\u00e3o somos uma na\u00e7\u00e3o moderna, nem existe em Portugal um sentido democr\u00e1tico assaz relevante. Ali\u00e1s, somos uma democracia apenas institucionalmente, apenas porque temos a liberdade de eleger, por sufr\u00e1gio universal, aqueles que queremos que nos representem. No que diz respeito a valores morais e a compet\u00eancias pol\u00edticas, continuamos uma na\u00e7\u00e3o feudal; cada um tem por interesse \u00fanico o modo como os interesses alheios beneficiam ou prejudicam os seus interesses privados. A popula\u00e7\u00e3o sente-se insatisfeita com o estado de coisas a que o pa\u00eds chegou e vai a correr \u00e0s urnas votar em massa na conserva\u00e7\u00e3o e na austeridade, de modo a poder preservar o feudo de cada um. N\u00e3o est\u00e1 em causa, obviamente, a op\u00e7\u00e3o de voto de cada pessoa, mas a tend\u00eancia das massas e a incompreens\u00e3o colectiva do que \u00e9 exigido, na verdade, pela responsabilidade democr\u00e1tica. As pessoas revoltam-se hoje contra a classe pol\u00edtica como se revoltariam contra o mon\u00e1rquico que nos regesse, caso isto fosse uma monarquia; revoltam-se contra os soberanos quando se deveriam revoltar contra a ideia de soberania. O que est\u00e1 mal n\u00e3o \u00e9 a classe pol\u00edtica, nem os pol\u00edticos; o que est\u00e1 mal e deveria ser combatido \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o de soberania, subordinativa e hier\u00e1rquica, entre quem representa e quem \u00e9 representado. No actual sistema pol\u00edtico, exercemos praticamente um \u00fanico direito democr\u00e1tico, o de ir, de quatro em quatro anos, conceder poderes de decis\u00e3o sobre tudo o que nos diz respeito a meia-d\u00fazia de pessoas cujas ideias mal conhecemos. O nosso \u00fanico sentido democr\u00e1tico, no intervalo que \u00e9 cada legislatura, \u00e9 insurgirmo-nos contra aqueles que elegemos anteriormente, \u00e9 manifestarmo-nos contra a classe que nos governa, \u00e9 fazer greves, \u00e9 falar mal por falar mal. Tudo isso s\u00e3o idiotices sindicais e disparates das barata-tontas que somos. No fundo, somos como jogadores de Futebol que n\u00e3o aceitam uma decis\u00e3o do \u00e1rbitro, mas com a agravante de que, ao contr\u00e1rio do jogador de Futebol, que joga um jogo que n\u00e3o tem regula\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, estando por isso sujeito \u00e0 arbitrariedade das regras que elementos exteriores ao jogo estipulam, n\u00f3s estamos a jogar um jogo em cuja regula\u00e7\u00e3o podemos exercer um determinado papel\u201d.<\/i><\/p>\n<p style=\"min-height: 12px; text-align: justify;\">Por outro lado, para (Morais, 2006), os portugueses t\u00eam \u201c<b><i>a tend\u00eancia para vacilar nos momentos decisivos. Deixamo-nos pressionar, desconcentramo-nos e tornamo-nos indisciplinados\u201d.\u00a0<\/i><\/b>O ex-jogador portugu\u00eas e actual treinador Paulo Sousa, citado por (Ferreira, 2014), defende que perante o insucesso, com as nossas caracter\u00edsticas culturais\u00a0<i>\u201cpodemos entrar em depress\u00f5es. Mas a Hist\u00f3ria ensina-nos que o povo portugu\u00eas sempre teve capacidade para ultrapassar os problemas. Temos de ser positivos mas muitas vezes, frente \u00e0s dificuldades, n\u00e3o temos a capacidade necess\u00e1ria para o ser\u201d.<\/i><\/p>\n<p style=\"min-height: 12px; text-align: justify;\">Tamb\u00e9m no mesmo sentido, o autor (Ferreira, 2014), acha\u00a0<i>\u201cque os portugueses, quando est\u00e3o em grupo, quando t\u00eam que se enfrentar a outro grupo, por norma, entram com pensamentos negativos! N\u00e3o confiam o suficiente em si pr\u00f3prios! \u00c9 uma forma de estar na sociedade&#8230;somos simp\u00e1ticos, bons anfitri\u00f5es, acolhemos muito bem quem vem de fora&#8230;e \u00e9 um pouco esta a postura que temos quando nos enfrentamos a outros advers\u00e1rios&#8230;\u201d\u00a0<\/i>Nesta linha de pensamento, ainda Paulo Sousa, citado por (Ferreira, 2014), sente que\u00a0<i>\u201cPortugal tem muita qualidade e que, muitas vezes, somos n\u00f3s portugueses quem faz de n\u00f3s pr\u00f3prios mais pequenos. N\u00f3s, treinadores portugueses, jogadores e n\u00e3o s\u00f3, somos muito melhores do que, em geral, pensamos\u201d.\u00a0<\/i><\/p>\n<p style=\"min-height: 13px; text-align: justify;\">Em coment\u00e1rio ao seu pr\u00f3prio artigo, (Bou\u00e7as, 2012) sustenta que\u00a0<i>\u201cem Portugal sempre houve essa do frete de ir treinar. Mas isso quando o treino era s\u00f3 chutar umas bolas e n\u00e3o se fazia nada dirigido para o que se pretendia no jogo. Enfim, era encher chouri\u00e7os com uma bola. Acredito que isto se passe na maioria dos clubes em Portugal, mas \u00e9 um grande atestado de incompetencia a muitos treinadores. Mais ou pelo menos tanto quanto que o mau profissionalismo dos jogadores.\u201d\u00a0<\/i>Para (Bou\u00e7as, 2012),\u00a0<i>\u201cem Portugal, haver quem se relacione entre si dentro do campo, de forma definida e treinada j\u00e1 \u00e9 um upgrade grande em rela\u00e7\u00e3o a demasiados colegas de profiss\u00e3o. Acredite que ainda h\u00e1 equipas na segunda divis\u00e3o portuguesa a treinar combina\u00e7\u00f5es ofensivas sem oposi\u00e7\u00e3o na fase principal do treino\u201d.<\/i><b>\u00a0<\/b>O autor (Bou\u00e7as, 2011), sustenta que\u00a0<i>\u201cno Futebol portugu\u00eas, onde raras s\u00e3o as equipas com capacidade para sair a jogar quando pressionadas no seu meio campo defensivo, ter algu\u00e9m muito forte no ataque \u00e0 bola pelo ar para disputar a primeira bola, ajuda imenso a manter a equipa subida\u201d.<\/i>\u00a0Ainda (Bou\u00e7as, 2011),\u00a0<i>\u201cos golos que se marcam na Liga Portuguesa no momento de organiza\u00e7\u00e3o ofensiva s\u00e3o pouqu\u00edssimos. Essencialmente, porque para al\u00e9m de ser o momento mais dif\u00edcil para chegar ao golo, pela inferioridade num\u00e9rica,\u00a0\u00a0<\/i><b><i>h\u00e1 tamb\u00e9m uma incapacidade ofensiva gritante da generalidade das equipas da nossa Liga<\/i><\/b><i>\u201d.<\/i><\/p>\n<p style=\"min-height: 12px; text-align: justify;\">No entano (Bou\u00e7as, 2013) ressalva excep\u00e7\u00f5es, na sequ\u00eancia do trabalho daqueles que s\u00e3o melhores treinadores portugueses. Em 2013, qualifica a qualidade de jogo colectiva de Porto e Benfica de \u201c<b><i>n\u00edvel mundial<\/i><\/b><i>\u201d.<\/i>\u00a0Para o autor, o sucesso europeu dos dois clubes n\u00e3o tem maior continuidade pela\u00a0<i>\u201cmenor qualidade t\u00e9cnica, e de decis\u00e3o e criatividade nas individualidades comparativamente com os grandes da Europa\u201d<\/i>\u00a0e, acima de tudo, pelo est\u00edmulo. Segundo Bou\u00e7as,\u00a0<i>\u201c<\/i><b><i>mais forte ser\u00e1 quem mais e maiores est\u00edmulos enfrentar. Quantos jogos desta exig\u00eancia competitiva (sem espa\u00e7o para jogar, um segundo mais tarde, um metro mais ao lado, e o jogo est\u00e1 perdido) enfrentam FC Porto e SL Benfica a cada ano?<\/i><\/b><i>\u00a0Na presente temporada apenas Celtic (na forma como retirou espa\u00e7o de jogo ao advers\u00e1rio) e Barcelona tinham colocado semelhantes dificuldades aos lisboetas, e Paris SG e Braga aos nortenhos. Quando chega a hora de competir contra jogadores\/equipas que est\u00e3o habituados a n\u00edveis de concentra\u00e7\u00e3o alt\u00edssimos todo o ano, fim de semana ap\u00f3s fim de semana, \u00e9 natural que quebre por quem enfrenta menor competitividade ano ap\u00f3s ano. O que para uns ser\u00e1 um esfor\u00e7o maior (mental\/concentra\u00e7\u00e3o\/velocidade a reagir \u00e0s diversas situa\u00e7\u00f5es) por um jogo diferente, para outros ser\u00e1 uma esp\u00e9cie de &#8220;just another day at the office&#8221;.\u201d<\/i><\/p>\n<p style=\"min-height: 12px; text-align: justify;\">Paulo Sousa, citado por (Ferreira, 2014),\u00a0justifica esta opini\u00e3o com o facto de nesse momento encontrarem-se seis treinadores portugueses na Liga dos Campe\u00f5es:\u00a0<i>\u201c\u00e9 extraordin\u00e1rio e isso s\u00f3 confirma o que disse, que temos qualidade e estamos preparados. Claro que h\u00e1 fatores que determinar\u00e3o os resultados que cada um deles ir\u00e1 obter mas isso n\u00e3o por\u00e1 em d\u00favida a compet\u00eancia de todos eles que, com o tempo, ir\u00e1 sendo cada vez maior\u201d.\u00a0<\/i>Assim, segundo Jorge Jesus, citado por (Braz, 2009) e abordando os melhores, \u201c<i>os treinadores portugueses s\u00e3o dos melhores do mundo, ao n\u00edvel dos holandeses e dos italianos\u201d.<\/i>\u00a0O treinador portugu\u00eas (Jesus, 2013), refor\u00e7a esta ideia, colocando os treinadores\u00a0<i>\u201c\u00e0 frente dos outros, mas que est\u00e3o a frente \u00e9 garantido. Todos querem aprender connosco\u201d.<\/i>\u00a0Para (Ramos, 2015), o treinador portugu\u00eas encontra-se \u00e0 frente de colegas de outros pa\u00edses, pois para o autor, h\u00e1 d\u00e9cadas que perspectiva o treino de uma forma mais global, mais hol\u00edstica, contrariando a divis\u00e3o das dimens\u00f5es do rendimento protagonizada pela maioria das outras culturas futebol\u00edsticas. Por\u00e9m, para tal, o autor defende que foi preciso errar, foi preciso\u00a0<i>\u201ctrilhar o caminho\u201d<\/i>, foi necess\u00e1rio inovar, e tamb\u00e9m a\u00ed o treinador portugu\u00eas foi corajoso e pioneiro. O autor (Lobo, 2010), parece subscrever esta ideia ao defender que \u201c<i>tacticamente, o treinador portugu\u00eas \u00e9 dos mais inteligentes do mundo. Domina o treino e a leitura de jogo. \u00c9 multicultural, sem complexos de ouvir outras escolas mas, ao mesmo tempo, tem um orgulho pessoal que n\u00e3o o deixa converter-se, pelo que, no fim, imp\u00f5e a sua filosofia<\/i>\u201d. Lobo, acrescenta que o treinador portugu\u00eas,<i>\u00a0\u201cprova, como diz Capello que \u201co melhor treinador \u00e9 o maior dos ladr\u00f5es\u201d. Aprende em todos os s\u00edtios e com todos os outros t\u00e9cnicos, mas, no fim, aproveitando tudo, mete a suas ideias e cria uma filosofia pr\u00f3pria global. O Futebol portugu\u00eas, n\u00e3o duvidem, sempre esteve cheio de grandes \u201cladr\u00f5es\u201d\u201d.<\/i>\u00a0O autor (Pinheiro, 2013) destaca tr\u00eas pontos que fortes no treinador portugu\u00eas:<\/p>\n<ul>\n<li><em>&#8220;Trabalho realizado em ambiente de adversidade. O autor refere que \u201ctreinador portugu\u00eas est\u00e1 acostumado a trabalhar com poucos recursos, tanto ao n\u00edvel humano quanto ao material. Vejamos o exemplo de algumas equipas fant\u00e1sticas que se alicer\u00e7am em jogadores \u201caparentemente\u201d normais, mas que com grande rigor e organiza\u00e7\u00e3o conseguem resultados fant\u00e1sticos;<\/em><\/li>\n<li><em>Forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica. Para Valter Pinheiro, \u201co advento de t\u00e9cnicos com forma\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica trouxe ao futebol maior rigor e cientificidade;<\/em><\/li>\n<li><em>Capacidade de adapta\u00e7\u00e3o. Finalmente o autor sublinha \u201ca capacidade \u201ccamale\u00f3nica\u201d do treinador portugu\u00eas, capaz de se adaptar a contextos dif\u00edceis e muitas vezes hostis. J\u00e1 se tornou normal ver equipas com muitos meses de sal\u00e1rios em atraso que em campo revelam uma motiva\u00e7\u00e3o feroz. Em muitas destas situa\u00e7\u00f5es o treinador assume-se como a pedra angular que congrega a uni\u00e3o da equipa.&#8221;<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num \u00e2mbito geral, (Xavier, 2014), e de acordo com um levantamento que fez do futebol portugu\u00eas e da forma como\u00a0<em>\u201cas equipas s\u00e3o formatas, e \u00e9 c\u00edclico, \u00e9 sist\u00e9mico que as equipas s\u00e3o trabalhadas em 4:3:3. Tri\u00e2ngulo invertido ou n\u00e3o, 1 + 2 ou 2 + 1, este \u00e9 basicamente o sistema que est\u00e1 instalado no futebol portugu\u00eas\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma investiga\u00e7\u00e3o do Observat\u00f3rio de Jogadores Profissionais de Futebol concluiu que em 2010 que\u00a0<em>\u201cos clubes da Liga portuguesa de Futebol s\u00e3o os que menos jogadores aproveitam para as forma\u00e7\u00f5es principais\u201d<\/em>.\u00a0Segundo o estudo\u00a0<em>\u201capenas 6,4 por cento dos jogadores dos emblemas lusos alinharam nos respectivos clubes pelo menos tr\u00eas anos, entre os 15 e os 21 anos. Este \u00e9 um valor muito abaixo da m\u00e9dia europeia &#8211; quase um em cada quatro jogadores fizeram a forma\u00e7\u00e3o no clube actual (23,33 por cento). Entre os 36 campeonatos estudados pelo O.J.P.F., os clubes da Isl\u00e2ndia (50) e da Est\u00f3nia (41) s\u00e3o os que mais jogadores promovem \u00e0s equipas principais. Nas cinco principais ligas, apenas a francesa e a espanhola superam a m\u00e9dia europeia, com 25,8 e 24,2 por cento de jogadores promovidos da forma\u00e7\u00e3o, respectivamente, superando largamente as competi\u00e7\u00f5es de Alemanha (19), Inglaterra (16,2) e It\u00e1lia (8,9).\u00a0Os clubes portugueses s\u00e3o os mais renitentes da Europa a lan\u00e7ar jovens defesas, apenas 3,3 por cento, e m\u00e9dios, s\u00f3 8,0 por cento, enquanto os italianos lideram nos guarda-redes (13,3) e os turcos nos avan\u00e7ados (3,9), posi\u00e7\u00f5es em que o aproveitamento luso n\u00e3o \u00e9 muito melhor: 14 por cento nos guardi\u00f5es e 4,1 por cento nos atacantes. No sentido oposto, os holandeses s\u00e3o os que mais apostam em m\u00e9dios (28,1) e avan\u00e7ados (20,6) da forma\u00e7\u00e3o, enquanto os franceses destacam-se nos guarda-redes (36,2) e os espanh\u00f3is nos defesas (25,9).\u201d<\/em>\u00a0Ao n\u00edvel dos clubes, comprova-se que o Sporting \u00e9\u00a0<em>\u201ca quinta equipa da Europa com mais jogadores colocados noutros clubes inclu\u00eddos no estudo (39), menos cinco do que os ucranianos do D\u00ednamo de Kiev, que lideram este \u201cranking\u201d, que coloca o FC Porto no 19.\u00ba posto (24)\u201d<\/em>.\u00a0Muitas opini\u00f5es convergem na redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de equipas presentes na primeira liga de Futebol. As raz\u00f5es passam pela fraca competitividade e incapacidade or\u00e7amental de alguns clubes. No entanto, para (Ramos, 2004), o caminho deve ser o oposto, o do alargamento. Mesmo que os or\u00e7amentos tivessem de ser mais reduzidos, a principal raz\u00e3o apontada seria no sentido de alargar o espa\u00e7o competitivo a mais jogadores portugueses de qualidade que se encontram em equipas de divis\u00f5es inferiores ou mesmo para os melhores juniores na sua transi\u00e7\u00e3o para o Futebol de rendimento. Desta forma, todos estes jogadores poderiam competir e evoluir com os melhores, propiciando-se o crescimento das suas compet\u00eancias, melhorando assim o seu patamar de rendimento, e consequentemente, na globalidade, todo o Futebol portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o treinador portugu\u00eas Fernando Valente, em entrevista a (Lumueno, 2015),\u00a0<i>\u201cos jogadores em Portugal n\u00e3o percebem o jogo, porque n\u00e3o sabem interpretar e aplicar os Princ\u00edpios do Jogo\u201d.\u00a0<\/i>Ainda assim, segundo (Matos, 2014), dois rankings da FIFA indicam que Portugal \u00e9 o 70\u00ba pa\u00eds no n\u00famero de jogadores que praticam futebol e o 5\u00ba nos resultados. Segundo o ex-jogador\u00a0<i>\u201calguma coisa se faz bem em Portugal na forma\u00e7\u00e3o\u2026\u201d\u00a0<\/i>Por\u00e9m, ser\u00e1 mesmo que o potencial e qualidade do jogador portugu\u00eas justifica-se pelo trabalho na generalidade do Futebol de Forma\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na opini\u00e3o de (Neto, 2012), Portugal \u201c<i>\u00e9 dos poucos pa\u00edses que rivalizam com o Brasil no que concerne \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de jogadores com capacidade de improvisa\u00e7\u00e3o, com elevado esp\u00edrito de jogo ofensivo, capacidade t\u00e9cnica elevada e improvisa\u00e7\u00e3o. A pouca objectividade e algumas caracter\u00edsticas do individualismo n\u00e3o destroem a espectularidade do criativo e do imaginativo\u201d.\u00a0<\/i>Uma justifica\u00e7\u00e3o para o facto, segundo (Lobo, 2002) citado por (Neto, 2012),\u00a0o Futebol portugu\u00eas ter sido\u00a0<i>\u201cfortemente influenciado pela miscigena\u00e7\u00e3o, resultante da inclus\u00e3o de jogadores das ex-col\u00f3nias. O Futebol portugu\u00eas \u201ctem cheiro de \u00c1frica e do Brasil sul-americano, o toque, o bailado \u00e0 brasileira, como gostavam de referir os analistas\u201d, caracterizando-se pela domin\u00e2ncia dos aspectos t\u00e9cnicos, pelo passe curto, a desmarca\u00e7\u00e3o constante, e pelo improviso dos jogadores\u201d.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, na opini\u00e3o do autor (Silva, 2013), em Portugal\u00a0<i>\u201co futebol de rua est\u00e1 a desaparecer e, com ele, as boas mem\u00f3rias de todos os que t\u00eam mais de 25 anos. A melhoria de condi\u00e7\u00f5es nos clubes desportivos (longe v\u00e3o os tempos em que o CAC fez furor em Lisboa com um dos primeiros sint\u00e9ticos) teve tamb\u00e9m um efeito nefasto e o \u201claborat\u00f3rio\u201d portugu\u00eas tem-se limitado a repetir a mesma f\u00f3rmula de incutir o colectivo, reprimindo a qualidade individual que possa existir. N\u00e3o sou o primeiro a falar da falta que o futebol de rua faz a Portugal (e n\u00e3o s\u00f3, porque a tend\u00eancia \u00e9 mundial), n\u00e3o serei o \u00faltimo. Mas junto-me ao coro de treinadores e comentadores que j\u00e1 perceberam as consequ\u00eancias revolucion\u00e1rias que a tend\u00eancia provocar\u00e1. De uma forma ou de outra, ficaremos cada vez mais longe da alcunha de \u201cBrasil da Europa\u201d e mais pr\u00f3ximo da \u201cIt\u00e1lia da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica\u201d. A qualidade individual permitia-nos ser brasileiros, a mentalidade portuguesa jamais nos deixar\u00e1 ser verdadeiramente italianos\u201d.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na opini\u00e3o de (S\u00e1, 2011),\u00a0<i>\u201cBrasil e Portugal s\u00e3o pa\u00edses irm\u00e3os em muitos pontos culturais, mas est\u00e3o em p\u00f3los opostos no que respeita \u00e0 forma como lidam com craques em final de carreira. No Brasil, h\u00e1 uma valoriza\u00e7\u00e3o v\u00e1rias vezes desmesurada desse tipo de jogadores. Em Portugal, ao contr\u00e1rio, o bilhete de identidade \u00e9 mesmo sin\u00f3nimo de preconceito na opini\u00e3o que \u00e9 tida sobre o valor desportivo dos jogadores\u201d.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A nossa mat\u00e9ria-prima \u00e9 aquilo que temos entre as orelhas.&#8221; Agostinho da Silva Segundo o ex-seleccionador nacional de Rubby (Morais, 2014),\u00a0em Portugal\u00a0\u201ctemos muito, muito, esp\u00edrito de clube. Mais do que esp\u00edrito desportivo e mais ainda que cultura desportiva\u201d.\u00a0Tamb\u00e9m o autor (Neto, 2012), descreve que \u201cem Portugal os adeptos que v\u00e3o aos est\u00e1dios s\u00f3 l\u00e1 v\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1831,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[407],"tags":[858,59,67,8],"class_list":["post-1388","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-conhecimento-do-jogo","tag-conhecimento-do-jogo","tag-cultura-de-jogo","tag-futebol-portugues","tag-modelo-de-jogo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1388","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1388"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1388\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1831"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1388"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1388"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1388"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}