{"id":13310,"date":"2024-01-30T04:51:34","date_gmt":"2024-01-30T03:51:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/?p=13310"},"modified":"2024-02-02T23:21:09","modified_gmt":"2024-02-02T22:21:09","slug":"a-inteligencia-artificial-e-uma-ameaca-ao-treinador-ao-jogador-ao-futebol-a-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/2024\/01\/30\/a-inteligencia-artificial-e-uma-ameaca-ao-treinador-ao-jogador-ao-futebol-a-humanidade\/","title":{"rendered":"A Intelig\u00eancia Artificial \u00e9 uma amea\u00e7a ao treinador? Ao jogador? Ao Futebol? \u00c0 humanidade?"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>&#8220;A IA \u00e9 potencialmente mais perigosa do que armas nucleares. As pessoas que s\u00e3o chamadas para criar IA precisam aceitar a responsabilidade de que podem estar a criar a nova vida na Terra.&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Demis Hassabis<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema \u00e9 extenso e profundo. Mas extremamente actual e importante. Como defende Demis Hassabis CEO da DeepMind, empresa que estuda a Intelig\u00eancia Artificial \u00e0 12 anos, e entretanto comprada pela Google, talvez estejamos perante a inven\u00e7\u00e3o mais importante que a humanidade ir\u00e1 vivenciar at\u00e9 \u00e0 data. Deste modo, pode parecer que pensar nas suas implica\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito do Futebol seja redutor, ou at\u00e9 um pouco ofensivo tendo em conta a tremenda evolu\u00e7\u00e3o, ou, ao contr\u00e1rio, a tremenda amea\u00e7a, que poderemos ter pela frente enquanto esp\u00e9cie. Amea\u00e7a, porque no cen\u00e1rio mais pessimista, tal tecnologia poder\u00e1 ditar o princ\u00edpio do fim dos seres humanos. Por\u00e9m, apesar disto, e at\u00e9 ver, o jogo que tanto amamos n\u00e3o p\u00e1ra e interessa-nos tamb\u00e9m reflectir sobre as consequ\u00eancias da Intelig\u00eancia Artificial no seu contexto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Procur\u00e1mos a perspectiva da pr\u00f3pria Intelig\u00eancia Artificial em rela\u00e7\u00e3o ao tema, atrav\u00e9s ChatGPT e Bard, a nova ferramenta de Intelig\u00eancia Artificial da Google. Ambos defendem que a IA est\u00e1 a revolucionar o futebol de v\u00e1rias formas, e o papel do treinador de futebol n\u00e3o ser\u00e1 exce\u00e7\u00e3o. Segundo o ChatCPT <i>\u201ca IA pode ajudar os treinadores a tomar decis\u00f5es mais informadas sobre uma ampla gama de quest\u00f5es, desde a sele\u00e7\u00e3o de jogadores at\u00e9 \u00e0 estrat\u00e9gia de jogo<\/i>\u201d. A ferramenta destaca ainda a import\u00e2ncia crescente da IA na an\u00e1lise do imenso volume de dados associado a uma equipa, como forma de identificar padr\u00f5es e tend\u00eancias colectivas ou grupais, mas tamb\u00e9m na an\u00e1lise do desempenho individual, na preven\u00e7\u00e3o de les\u00f5es, identifica\u00e7\u00e3o de pontos fortes e fracos de cada jogador e consequente prescri\u00e7\u00e3o de treino individualizado na procura de maximizar a efici\u00eancia individual. No plano da prepara\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, tamb\u00e9m \u00e9 descrita como uma ajuda preciosa para analisar advers\u00e1rios e desenvolver planos de jogo com o intuito de superar determinada oposi\u00e7\u00e3o. Mesmo durante os jogos e em tempo real. At\u00e9 o Scouting \u00e9 contemplado, <i>\u201cajudando a identificar jovens talentos com base em caracter\u00edsticas espec\u00edficas. Algoritmos podem analisar dados de v\u00e1rias fontes para prever o potencial de um jogador antes mesmo de ele atingir o n\u00edvel profissional\u201d.<\/i> As possibilidades tornam-se ent\u00e3o, imensas.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em forma de conclus\u00e3o, \u00e9 referido que <i>\u201cem \u00faltima an\u00e1lise, a IA tem o potencial de transformar o papel do treinador de futebol. Os treinadores que est\u00e3o dispostos a abra\u00e7ar a IA e aprender a us\u00e1-la ter\u00e3o uma vantagem competitiva significativa\u201d. <\/i>Por outro lado, <i>\u201cembora a IA continue a desempenhar um papel crescente no desporto, muitos acreditam que a presen\u00e7a humana ser\u00e1 sempre essencial no papel de treinador de futebol. A integra\u00e7\u00e3o bem-sucedida da IA no treino depender\u00e1 de como as tecnologias evoluem e de como s\u00e3o incorporadas de maneira eficaz, mantendo o equil\u00edbrio entre as capacidades anal\u00edticas da IA e as habilidades humanas \u00fanicas\u201d.<\/i> \u00c9 praticamente factual que os mais bem sucedidos treinadores da hist\u00f3ria do jogo tinham em comum enormes qualidades humanas, de lideran\u00e7a, empatia e intelig\u00eancia emocional. Aparentemente a Intelig\u00eancia Artificial reconhece isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a procura deste equil\u00edbrio n\u00e3o \u00e9 novidade no futebol. J\u00e1 no final da d\u00e9cada de 70, um dos mais not\u00e1veis treinadores da hist\u00f3ria do jogo, o ucraniano Valeriy Lobanovskyi, que acumulou jogos, vit\u00f3rias e t\u00edtulos, principalmente ao servi\u00e7o do D\u00ednamo de Kiev e selec\u00e7\u00e3o da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, vivia semelhante dilema. De acordo com (Jonathan Wilson, 2016), <i>\u201cLobanovskyi, enquanto jogador, era um diletante que se opunha aos limites impostos por Viktor Maslov. Ainda assim, o seu racionalismo perfeccionista, a sua ambi\u00e7\u00e3o e a sua intelig\u00eancia anal\u00edtica estavam presentes desde o in\u00edcio. Tratam-se de qualidades que n\u00e3o deveriam surpreender se considerarmos que ele demonstrara talento suficiente como matem\u00e1tico para ganhar uma medalha de ouro ao se formar no ensino m\u00e9dio e, al\u00e9m disso, crescera numa era em que se nutria verdadeira obsess\u00e3o pelo progresso cient\u00edfico. Nascido em 1939, Lobanovskyi era um adolescente quando a URSS inaugurou sua primeira central el\u00e9ctrica nuclear e enviou a Sputnik ao espa\u00e7o, e Kiev era o centro da ind\u00fastria de computa\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica. O primeiro instituto cibern\u00e9tico da URSS foi aberto em 1957 e rapidamente ficou conhecido como refer\u00eancia mundial em sistemas de controle automatizados, intelig\u00eancia artificial e modelos matem\u00e1ticos. Foi l\u00e1 que um prot\u00f3tipo do computador pessoal da atualidade foi desenvolvido, em 1963. Na \u00e9poca em que Lobanovskyi estava estudando engenharia de aquecimento no Instituto Polit\u00e9cnico de Kiev, o potencial dos computadores e de suas poss\u00edveis aplica\u00e7\u00f5es em quase todas as esferas sociais tornava-se cada vez mais claro. Eram tempos excitantes, de muita novidade, e n\u00e3o \u00e9 surpreendente que Lobanovskyi tenha sido contagiado pela onda de optimismo tecnol\u00f3gico. Dentro dele, desenrolava-se o grande conflito entre individualidade e sistema: a sua parte de jogador queria driblar, carregar a bola, inventar truques que deixassem os rivais envergonhados, mas, mesmo assim, como ele admitiria mais tarde, o treino que recebia no Instituto Polit\u00e9cnico impulsionava-o a uma abordagem sistem\u00e1tica, cuja meta seria dividir o futebol entre as tarefas que o compunham\u201d.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando \u00e0 actualidade, tendo em conta a imberbidade das ferramentas, mas por outro lado demonstrando maior sensibilidade humana que alguns humanos, ChatGPT e Bard sublinham, neste momento, que apesar da crescente import\u00e2ncia e papel da Intelig\u00eancia Artificial no Futebol, torna-se <i>\u201ccrucial que a componente humana, como a intui\u00e7\u00e3o e a compreens\u00e3o emocional dos jogadores, continue a desempenhar um papel fundamental no processo de treino e gest\u00e3o de equipas\u201d. <\/i>Ora, assistimos sistematicamente, nas televis\u00f5es, jornais, blogs, etc., a an\u00e1lises desprovidas da tal sensibilidade emocional, ou seja, desprovidas de sensibilidade humana, que interpretam jogadores e treinadores como m\u00e1quinas. \u201cAnalistas\u201d esses, que por vezes, tamb\u00e9m por n\u00e3o estarem presentes no processo de treino, at\u00e9 ignoram o papel decisivo do mesmo na evolu\u00e7\u00e3o das equipas e jogadores, na constru\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es e execu\u00e7\u00f5es de qualidade, no desenvolvimento do entrosamento, da coes\u00e3o, na cria\u00e7\u00e3o de uma emocionalidade e sentimentalidade decisiva \u00e0 equipa de qualidade e que se deseja de sucesso. Assim, s\u00e3o \u201canalistas\u201d que tratam ent\u00e3o os humanos que jogam de forma mais artificial que a pr\u00f3pria intelig\u00eancia artificial. N\u00e3o ser\u00e1 isto, desde logo um sintoma de que podemos estar em risco de ser ultrapassados?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entramos ent\u00e3o num dom\u00ednio de ainda maior complexidade. Emo\u00e7\u00f5es, intui\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia colectiva. Assim\u2026 a \u201cconsci\u00eancia\u201d para o todo complexo que estrutura a nossa realidade \u00e9 precisamente um dos sintomas de\u2026 intelig\u00eancia. Esta preocupa\u00e7\u00e3o pela pr\u00f3pria complexidade surge da pr\u00f3pria IA, referindo que <i>\u201co futebol \u00e9 um desporto altamente complexo que envolve n\u00e3o apenas a estrat\u00e9gia t\u00e1tica, mas tamb\u00e9m a gest\u00e3o de personalidades, motiva\u00e7\u00e3o, tomada de decis\u00f5es r\u00e1pidas e adapta\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00f5es imprevis\u00edveis. A componente humana do treino, que inclui compreens\u00e3o emocional, lideran\u00e7a e comunica\u00e7\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil de replicar totalmente por meio de algoritmos\u201d. <\/i>A isto a ferramenta soma o desafio que a intui\u00e7\u00e3o e criatividade se constituem \u00e0 IA, supostamente ainda longe do que os humanos conseguem fazer. E ainda a lideran\u00e7a e as rela\u00e7\u00f5es complexas, emocionais e inter-pessoais, e por outro lado em garantir um pensamento evolutivo que eleve o jogo a outros patamares. \u00c9 mesmo referido que <i>\u201ca capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica humana que pode ser desafiadora de replicar por completo em sistemas de IA\u201d. <\/i>Em tom mais descontra\u00eddo, parece que tivemos de investir milh\u00f5es e algumas das melhores mentes humanas para chegarmos \u00e0 conclus\u00e3o que afinal, no Futebol, \u201c<i>nem tudo est\u00e1 inventado<\/i>\u201d\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta fus\u00e3o que a pr\u00f3pria Intelig\u00eancia Artificial prop\u00f5e seria o cen\u00e1rio perfeito. Numa vis\u00e3o mais profunda, o equil\u00edbrio entre raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o. Como o neurocientista (Ant\u00f3nio Dam\u00e1sio, 2018) aponta, referindo-o como um <i>\u201cvislumbre de esperan\u00e7a\u201d<\/i>, tendo em conta<i> <\/i>a<i> \u201cgrande diferen\u00e7a entre esfor\u00e7os passados e tentativas futuras, est\u00e1 no vasto conhecimento sobre a natureza humana que agora temos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o e na possibilidade de planear uma estrat\u00e9gia mais humanamente inteligente do que no passado. Essa abordagem consideraria a ideia de que a raz\u00e3o deve estar no comando como pura tolice, um mero res\u00edduo dos piores excessos do racionalismo, mas tamb\u00e9m rejeitaria a ideia de que devemos simplesmente obedecer \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es das emo\u00e7\u00f5es \u2014 sermos gentis, compassivos, raivosos, sentir nojo \u2014 sem pass\u00e1-las pelo filtro do conhecimento e da raz\u00e3o. Promoveria uma parceria produtiva entre sentimentos e raz\u00e3o, enfatizando as emo\u00e7\u00f5es salutares e suprimindo as negativas. Por fim, ela rejeitaria a no\u00e7\u00e3o da mente humana como um equivalente das cria\u00e7\u00f5es da intelig\u00eancia artificial\u201d. <\/i>Isto, partindo do pressuposto que a Intelig\u00eancia Artificial poder\u00e1 apenas replicar com alguma semelhan\u00e7a a grande fun\u00e7\u00e3o do hemisf\u00e9rio esquerdo do nosso c\u00e9rebro e que n\u00e3o o conseguir\u00e1 fazer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s qualidades emergentes do direito. Mas ser\u00e1 essa a evolu\u00e7\u00e3o da IA? E ser\u00e1 o equil\u00edbrio que Dam\u00e1sio refere poss\u00edvel no ser humano? Ser\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o entre humano e IA sustent\u00e1vel a prazo? Ser\u00e1 que a pr\u00f3pria IA n\u00e3o ir\u00e1 desenvolver uma dimens\u00e3o mais intuitiva, hol\u00edstica, emocional, sentimental (uma esp\u00e9cie de hemisf\u00e9rio direito), atingindo esse equil\u00edbrio e tornando o humano dispens\u00e1vel? S\u00e3o as quest\u00f5es mais importantes. No futebol, mas derradeiramente, para a esp\u00e9cie humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, algo que \u00e0 maioria parecia imposs\u00edvel, parece estar a concretizar-se. Em regimes de auto-aprendizagem, a Intelig\u00eancia Artificial est\u00e1 a fazer emergir propriedades n\u00e3o expect\u00e1veis. Curiosamente, a Google utiliza o jogo de futebol como forma de a desenvolver. No plano te\u00f3rico, ao n\u00edvel do software, mas tamb\u00e9m aplicando o mesmo \u00e0 rob\u00f3tica. O programa Toda a Verdade, mostra-nos isso e chamamos aten\u00e7\u00e3o para a parte em que Raia Hadsell, vice-presidente da DeepMind, explica que a IA, atrav\u00e9s de rob\u00f4s, aprendeu o jogo sozinha. Os investigadores n\u00e3o os programaram para jogar, apenas para moverem-se como os seres humanos. E disseram-lhes que o objectivo do jogo era marcar golo. Tendo isso em conta, a IA aprendeu ent\u00e3o a decidir e a executar e, fun\u00e7\u00e3o do mesmo. E segundo a investigadora, est\u00e1 inclusive a chegar a \u201c<i>diferentes e interessantes estrat\u00e9gias, formas diferentes de se deslocar, formas diferentes de receber a bola\u201d<\/i>.<\/p>\n<div class=\"streamable-embed-container\" style=\"width: 100%; height: 0px; position: relative; padding-bottom: 56.338%;\"><iframe class=\"streamable-embed\" src=\"https:\/\/streamable.com\/e\/2x5dl9?id=2x5dl9&#038;width&#038;height&#038;autoplay&#038;muted\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" style=\"width: 100%; height: 100%; position: absolute;\" allowfullscreen webkitallowfullscreen mozallowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 incr\u00edvel quando \u00e9 demonstrado um rasgo de criatividade. Ou melhor, dois. E em apenas alguns segundos de video. Se a criatividade, segundo o ChatGPT, \u00e9 a qualidade de pensar de forma original, gerar ideias inovadoras e encontrar solu\u00e7\u00f5es \u00fanicas para problemas, envolvendo a habilidade de conectar informa\u00e7\u00f5es aparentemente desconexas, pensar fora das normas convencionais e produzir algo novo e valioso, ent\u00e3o, quando no programa, o atacante sem bola simula que vai receber a bola iludindo o seu defensor mais pr\u00f3ximo, mas acaba por realizar um esp\u00e9cie de tabela parando a bola de calcanhar para o companheiro, para depois, ainda dar um inesperado passo \u00e0 sua esquerda que s\u00f3 se pode entender como uma finta de corpo para esconder a posterior desmarca\u00e7\u00e3o pela direita, criando uma situa\u00e7\u00e3o de 2&#215;1, tal mostra-nos criatividade emergente. E\u2026 entrosamento. Ou como Hadsell descreveu, coordena\u00e7\u00e3o emergente, tal como as crian\u00e7as vivenciam na sua rela\u00e7\u00e3o evolutiva com o jogo. Importa sublinhar\u2026 tudo isto fruto da Intelig\u00eancia Artificial\u2026 Ent\u00e3o, se a coordena\u00e7\u00e3o e criatividade se tornam poss\u00edveis, porque n\u00e3o ser\u00e1 a leitura emocional, a sua interpreta\u00e7\u00e3o e a intelig\u00eancia emocional igualmente pass\u00edveis de serem aprendidas? At\u00e9 porque como reconhecido atr\u00e1s pela m\u00e1quina, a raz\u00e3o n\u00e3o vive sem a emo\u00e7\u00e3o e vice-versa. E sendo assim, fica aberta a \u201ccaixa de Pandora\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O neurocientista (Ant\u00f3nio Dam\u00e1sio, 2020) aponta que <i>\u201cpode parecer paradoxal, porque quando se pensa na intelig\u00eancia artificial o que vem \u00e0 ideia \u00e9 que s\u00e3o criaturas absolutamente invulner\u00e1veis, feitas de a\u00e7o e de pl\u00e1stico em vez da nossa pobre carne humana. \u00c0 primeira vista pode parecer uma asneira introduzir vulnerabilidade numa coisa que \u00e9 robusta, no entanto, s\u00f3 a introduzindo teremos a possibilidade de fazer qualquer coisa de mais rico em mat\u00e9ria das rea\u00e7\u00f5es que esse &#8220;organismo&#8221; poder\u00e1 tomar\u201d. <\/i>Ser\u00e1 que a pr\u00f3pria Intelig\u00eancia Artificial n\u00e3o ir\u00e1 ent\u00e3o antecipar isso? Ou at\u00e9 j\u00e1 antecipou? Regressando ao exemplo da DeepMind, sem mais informa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 um exerc\u00edcio de especula\u00e7\u00e3o da nossa parte. Por\u00e9m, quando o defensor fica na situa\u00e7\u00e3o de 2&#215;1, n\u00e3o seria expect\u00e1vel que algo estritamente racional e eficiente como uma m\u00e1quina em auto-aprendizagem, n\u00e3o decidisse que a conten\u00e7\u00e3o seria o melhor caminho naquela situa\u00e7\u00e3o para minimizar as probabilidades de golo advers\u00e1rio? N\u00e3o decidia, at\u00e9 por defini\u00e7\u00e3o, esse comportamento, aguardando\u2026 \u201cfriamente\u201d\u2026 o erro advers\u00e1rio para o desarme ou intercep\u00e7\u00e3o? Num jogo de 2&#215;2, com certeza que n\u00e3o foi a primeira situa\u00e7\u00e3o dessas que a m\u00e1quina experimentou. Se a sua principal fun\u00e7\u00e3o \u00e9 aprender, o que aconteceu ali? Porque ter\u00e1 o defensor \u201cido \u00e0 queima\u201d? Ter\u00e1 sido uma decis\u00e3o emocional? Noutro exemplo, ser\u00e1 que a Intelig\u00eancia Artificial ir\u00e1 reconhecer que a compet\u00eancia de J\u00fcrgen Klopp est\u00e1 imbu\u00edda de emo\u00e7\u00f5es e sentimentos e sendo assim, n\u00e3o encontrar\u00e1 forma de a reproduzir? Se a resposta for sim a tudo isto, ser\u00e1 ent\u00e3o a m\u00e1quina a reconhecer\u2026 raz\u00e3o\u2026 a Dam\u00e1sio. Quer o tenha lido, ou n\u00e3o\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 pouco mais de dois anos atr\u00e1s, o treinador (Miguel Quaresma, 2021) escreveu um artigo em que questionava: <i>\u201cAmanh\u00e3, ficar\u00e1 o futebol nas m\u00e3os da intelig\u00eancia artificial? Ser\u00e1 o treinador, no futuro, substitu\u00eddo por um avatar? Um Cyber treinador, inteiramente cientifico-tecnol\u00f3gico?\u201d <\/i>Tal como acreditamos ter sido a posi\u00e7\u00e3o de Quaresma, se naquele momento defend\u00edamos acerrimamente a import\u00e2ncia do humano no processo, hoje n\u00e3o temos a mesma certeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sentido figurado mas com id\u00eanticos potenciais efeitos devastadores \u00e0 nossa esp\u00e9cie, estamos perante a descoberta de um aster\u00f3ide que pode estar em rota de colis\u00e3o com a Terra, e portanto, que pode extinguir os seres humanos. Resta-nos decidir o que podemos e vamos fazer para evitar isso. E se formos bem sucedidos nessa miss\u00e3o, se ainda for poss\u00edvel, procurar extrair os seus eventuais raros e extraordin\u00e1rios recursos naturais.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><b><i>\u201cRa\u00fal Rojas, especialista em Intelig\u00eancia Artificial da Universidade Livre de Berlim, participou das primeiras experi\u00eancias: \u201cDesenvolvemos rob\u00f4s futebolistas que jogam t\u00e3o bem futebol que n\u00e3o h\u00e1 maneira de ganhar-lhes\u201d. Em 2013 fez-se uma experi\u00eancia na qual os jogadores deviam marcar penaltis a um Guarda-Redes robot. Com a exce\u00e7\u00e3o de Messi, nenhum futebolista conseguiu marcar mais de um golo ao Guarda-Redes robot.<\/i><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b><i>Em 1997 realizou-se o primeiro Mundial de Futebol de robots. No futuro enfrentar robots humanoides nos treinos gerar\u00e1 mais oposi\u00e7\u00e3o e se obter\u00e3o melhores resultados e um maior n\u00edvel competitivo do que nos treinos e jogos amig\u00e1veis atuais.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/i><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b><i>Espera-se que em 2050 a equipa de robots humanoides ganhador da Robocup seja capaz de vencer a equipa campe\u00e3 do mundo dos torneios da FIFA. Esta data coincide com a predi\u00e7\u00e3o do momento no qual a intelig\u00eancia artificial superar\u00e1 a humana (singularidade tecnol\u00f3gica). Para o ano de 2075 existe 90% de probabilidades de que as m\u00e1quinas alcancem a intelig\u00eancia humana, segundo os resultados combinados de quatro sondagens realizadas por Nick Bostrom, diretor do Future Humanity Institute da Universidade de Oxford.<\/i><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b><i>Esta perspetiva do triunfo dos robots n\u00e3o parece absurda se tivermos como exemplo que em 1997 o supercomputador Deep Blue (desenvolvido pela IBM) venceu Gary Kasparov, campe\u00e3o mundial de xadrez. O acontecimento repetiu-se em 2006, quando o campe\u00e3o do mundo Vladimir Kramnik caiu derrotado frente \u00e0 Deep Fritz. Estes antecedentes s\u00e3o superados pelo ocorrido em 2016, quando um programa inform\u00e1tico (desenhado pela filial da Google DeepMind para jogar o jogo de Go) derrotou o melhor jogador do mundo: o sul-coreano Lee Se-dol. Os especialistas afirmam que \u00e9 muito mais complexo para um computador aprender do Go do que do xadrez.<\/i><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b><i>Os computadores podem inovar? Faz j\u00e1 um tempo que entramos numa era na qual as m\u00e1quinas est\u00e3o programadas para aprender de si mesmas. O futur\u00f3logo e tecn\u00f3logo Santiago Bilinkis o explica com precis\u00e3o: \u201cAtr\u00e1s destes mecanismos de ensino conhecidos como Deep Learning escondem-se redes artificiais, inspiradas no funcionamento do c\u00e9rebro humano. Muitas propriedades destes computadores mostram analogias com as capacidades humanas pelo seu engenho e criatividade\u201d.<\/i><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(G\u00e9rman Casta\u00f1os, 2018)<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A IA \u00e9 potencialmente mais perigosa do que armas nucleares. 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