{"id":11774,"date":"2023-07-12T02:39:45","date_gmt":"2023-07-12T01:39:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/?p=11774"},"modified":"2023-07-12T11:23:23","modified_gmt":"2023-07-12T10:23:23","slug":"o-erro-de-descartes-e-de-ricardo-araujo-pereira-o-entrosamento-a-forma-o-flow-e-a-necessidade-do-pensamento-complexo-o-caso-do-benfica-22-23-de-roger-schmidt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/2023\/07\/12\/o-erro-de-descartes-e-de-ricardo-araujo-pereira-o-entrosamento-a-forma-o-flow-e-a-necessidade-do-pensamento-complexo-o-caso-do-benfica-22-23-de-roger-schmidt\/","title":{"rendered":"O erro de Descartes e de\u2026 Ricardo Ara\u00fajo Pereira. O entrosamento, a forma, o flow e a necessidade do pensamento complexo. O caso do Benfica 22\/23 de Roger Schmidt."},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b><i>\u201c(\u2026) \u00e9 na complexidade humana que se encontra o radical fundamento do futebol, para al\u00e9m da t\u00e9cnica, da t\u00e1ctica e da condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica.\u201d<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\">Manuel S\u00e9rgio em (Jos\u00e9 Neto, 2014)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Ricardo Ara\u00fajo Pereira atinge a genialidade na sua \u00e1rea, mas tamb\u00e9m em diversos outros temas. No entanto, naturalmente influenciado culturalmente pelo paradigma de pensamento vigente, e \u00e0 imagem da maioria de n\u00f3s onde tamb\u00e9m se incluem outras figuras que atingiram um elevado n\u00edvel de conhecimento e cultura geral, o humorista portugu\u00eas aparenta ter dificuldades em observar os fen\u00f3menos de uma perspectiva complexa. Eventualmente ajudar\u00e1, tendo em conta a pr\u00f3pria s\u00e1tira que faz de si mesmo, que nos momentos em que fala de Futebol e mais especificamente do Benfica, tornar-se, segundo o pr\u00f3prio, aborrecidamente s\u00e9rio perdendo por vezes at\u00e9 a racionalidade. De qualquer das formas, durante a apresenta\u00e7\u00e3o do livro <em>Schmidtologia <\/em>de Lu\u00eds Mateus, apontou que a direc\u00e7\u00e3o do clube devia ter antecipado o que sucedeu no PSV Eindhoven e agido. Que algu\u00e9m deveria ter aconselhado Roger Schmidt a n\u00e3o dar folgas t\u00e3o prolongadas. E que todos sabem, porque <\/span><em><span class=\"s2\">\u201cest\u00e1 cientificamente comprovado\u201d <\/span><\/em><span class=\"s1\">que tal per\u00edodo de paragem \u00e9 nefasto para as equipas.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 100%; height: 0px; position: relative; padding-bottom: 56.250%;\"><iframe loading=\"lazy\" style=\"width: 100%; height: 100%; position: absolute; left: 0px; top: 0px; overflow: hidden;\" src=\"https:\/\/streamable.com\/e\/q873ic\" width=\"100%\" height=\"100%\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/div>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Ora bem\u2026 isto coloca-nos logo uma quest\u00e3o pr\u00e9via. Um treinador de futebol n\u00e3o \u00e9 o respons\u00e1vel t\u00e9cnico pelo processo da sua equipa? N\u00e3o \u00e9 contratado como especialista para o planear e operacionalizar? Para tomar as decis\u00f5es que achar\u00e1 adequadas em benef\u00edcio do rendimento da equipa? N\u00e3o ser\u00e1 o mais capaz no clube, pela sua forma\u00e7\u00e3o, experi\u00eancia, pela sua proximidade e conhecimento da equipa para o fazer? E se algu\u00e9m participar nesse processo, ou se tomar as decis\u00f5es pelo treinador, tamb\u00e9m ser\u00e1 despedido se as mesmas resultarem em insucesso?<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Atrav\u00e9s da forma como a equipa joga ligada nos quatro momentos do jogo, Schmidt mostra, no m\u00ednimo, uma sensibilidade para o todo complexo que \u00e9 o ser humano e consequentemente, o jogo de Futebol. Nessa linha de pensamento, o t\u00e9cnico alem\u00e3o, como os treinadores que subsistem nos mais altos patamares de rendimento (Ruben Amorim e S\u00e9rgio Concei\u00e7\u00e3o s\u00e3o outros exemplos por c\u00e1), dada a sua rela\u00e7\u00e3o conhecimento \/ experi\u00eancia \/ sucesso, ter\u00e3o necessariamente, nesta fase de desenvolvimento do jogo e do treino que perspectivar o rendimento de forma complexa. Seja de forma consciente ou inconsciente. O que \u00e9 que isso significa? Que n\u00e3o separam o \u201cf\u00edsico\u201d do \u201cmental\u201d, que acreditar\u00e3o que esse rendimento, tal como a fadiga \/ desgaste ser\u00e3o alcan\u00e7ados por um todo, que na realidade n\u00e3o pode ser desconstru\u00eddo em partes, apesar de algumas pistas e indicadores que se poder\u00e3o obter no processo de forma a possibilitar uma interven\u00e7\u00e3o mais precisa.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Portanto, nada disto, nomeadamente o referido &#8211; a tal semana de folga, est\u00e1 realmente \u201c<i>comprovado cientificamente<\/i>\u201d de que ser\u00e1 algo prejudicar\u00e1 a equipa. Porque essa \u201ccientificidade\u201d com que o fen\u00f3meno \u00e9 analisado \u00e9 mutiladora, e como tal, desfasada da realidade. Deste modo, procurando isolar \u201cpartes\u201d e as suas rela\u00e7\u00f5es de um fen\u00f3meno complexo, tem tudo para estar errada. O ser humano n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 f\u00edsico\u2026 Ali\u00e1s, como j\u00e1 dissemos tantas vezes, o f\u00edsico \u00e9 s\u00f3 uma forma simplista e redutora de observar o comportamento humano.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b><i>\u201c (\u2026) de acordo com Gaiteiro (2006) podemos afirmar que aquilo a que chamamos \u201cparte\u201d \u00e9 apenas um padr\u00e3o numa teia insepar\u00e1vel de rela\u00e7\u00f5es, n\u00e3o existindo portanto, partes em absoluto.\u201d<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\">(Joaquim Pedro Azevedo, 2011)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Deste modo, a experi\u00eancia e sensibilidade de Schmidt face ao contexto, leva-o a decidir, naturalmente pesando os pr\u00f3s e contras, que essa tal folga beneficiar\u00e1 mais do que prejudicar\u00e1 a equipa. Tantas pessoas nas mais diversas profiss\u00f5es, mais ou menos desgastantes, n\u00e3o dizem precisar, ou n\u00e3o fazem mesmo um per\u00edodo de f\u00e9rias a meio do ano para se \u201cdesligarem\u201d da rotina e stress acumulado? Claro que que todas as actividades s\u00e3o diferentes. Claro que muitas delas n\u00e3o t\u00eam a exig\u00eancia <i>f\u00edsico-energ\u00e9tica <\/i>que o Futebol contempla. Claro que a decis\u00e3o tem riscos. Claro que se realizarmos o exerc\u00edcio te\u00f3rico de isolarmos esses efeitos <i>f\u00edsico-en\u00e9rgicos<\/i> sobre a adapta\u00e7\u00e3o at\u00e9 a\u00ed alcan\u00e7ada haver\u00e1 alguma perda. Mas todas as decis\u00f5es perante um fen\u00f3meno complexo t\u00eam riscos. A fun\u00e7\u00e3o do treinador \u00e9 gerir tudo isso, equacionar as oportunidades e amea\u00e7as e procurar a optimiza\u00e7\u00e3o do todo. Focando-se, obrigatoriamente no processo. E n\u00e3o no do PSV Eindhoven. No do Benfica. No \u201caqui e agora\u201d porque os contextos s\u00e3o todos diferentes.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 qualquer linearidade ou receita para se obter sucesso desportivo. No m\u00e1ximo haver\u00e3o ideias e experi\u00eancias que levaram a tal, mas sublinhamos\u2026 sempre em contextos diferentes. Nem sequer, a paix\u00e3o, o compromisso e o empenho, unanimemente defendidos, s\u00e3o suficientes por si s\u00f3s para o alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Falou-se em \u201cbizarria\u201d perante as decis\u00f5es de Schmidt. Perguntamos se na altura tamb\u00e9m n\u00e3o foi bizarro quando os treinadores deixaram de ir correr para o pinhal e para a praia e come\u00e7aram a trabalhar sempre no campo atrav\u00e9s do jogo ou de <i>fatias<\/i> do mesmo? Tamb\u00e9m n\u00e3o foi bizarro quando Pit\u00e1goras anunciou a esfericidade da Terra, ou Cop\u00e9rnico que afinal o Sol n\u00e3o girava \u00e0 volta do nosso planeta? Por outro lado, autores como Peter Tschiene ainda na d\u00e9cada de 80, muitos outros depois disso, e por c\u00e1, os professores Monge da Silva, Francisco Silveira Ramos, Jorge Castelo entre outros, defendiam de facto esses per\u00edodos, a que chamavam \u201cprofil\u00e1cticos\u201d, nas pausas das competi\u00e7\u00f5es, ao inv\u00e9s do refor\u00e7o da \u201ccarga\u201d que pressupunha o ent\u00e3o paradigma instalado, encabe\u00e7ado por Lev Matveyev.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b><i>\u201c(\u2026) o autor (Peter Tschiene, 1985) defende a manuten\u00e7\u00e3o de um alto n\u00edvel de intensidade durante todo o processo de treino, utilizando fundamentalmente os exerc\u00edcios especiais de competi\u00e7\u00e3o, realizando um grande n\u00famero de competi\u00e7\u00f5es, tendo como objectivo o aumento da intensidade espec\u00edfica do treino. (\u2026) por outra, a introdu\u00e7\u00e3o de intervalos espec\u00edficos \u201cintervalos profil\u00e1cticos\u201d antes do per\u00edodo de treino, para que o atleta se encontre plenamente descansado para o in\u00edcio de um novo per\u00edodo competitivo.\u201d<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\">(Rui Afonso, et al., 2011)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3prio (Roger Schmidt, 2023) explicou a decis\u00e3o pelas mesmas raz\u00f5es, ao defender <i>\u201cque \u00e9 crucial dar dias de folga aos jogadores neste tipo de calend\u00e1rio competitivo, com mais jogos, mais intensos, com intervalos mais curtos. Se conseguirmos dar algumas folgas aos jogadores, isso \u00e9 essencial\u201d<\/i>. Tamb\u00e9m o treinador, professor e metod\u00f3logo (Jorge Castelo, 2022) a prop\u00f3sito do mesmo assunto tamb\u00e9m apresentou concord\u00e2ncia com o treinador alem\u00e3o. Castelo, formador de treinadores, com vasta experi\u00eancia e obra no treino de Futebol defendeu ser <i>\u201cabsolutamente oportuno, porque come\u00e7aram a \u00e9poca mais cedo. Naturalmente que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o compreens\u00edvel, pode ser equacionado o tempo de cinco dias, mas \u00e9 um tempo que parece ajustado, principalmente para os jogadores mais utilizados. Devem ser monitorizados no sentido do cuidado com o que comem e bebem. S\u00e3o profissionais, h\u00e1 sempre um bichinho de treino que poder\u00e3o fazer algo durante os dias\u201d.<\/i><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, Peter Tschiene entre outros autores, tamb\u00e9m abordam o conceito intensidade, por\u00e9m, n\u00e3o na perspectiva tradicional ilustrada pelas declara\u00e7\u00f5es de Ricardo Ara\u00fajo Pereira. Elevar a intensidade atrav\u00e9s de exerc\u00edcios espec\u00edficos significa preservar nos mesmos a complexidade do jogo. Como o professor V\u00edtor Frade refere\u2026 \u201creduzir sem empobrecer\u201d. Portanto, estamos no \u00e2mbito de uma dimens\u00e3o que n\u00e3o se circunscreve apenas ao <i>f\u00edsico-energ\u00e9tico. <\/i>Ent\u00e3o\u2026 se o jogo \u00e9 complexo, o treino tamb\u00e9m tem de o ser. E a tal \u201cforma\u201d? Tamb\u00e9m n\u00e3o o ser\u00e1? Obviamente que sim. A mesma n\u00e3o passa apenas por \u201cestar bem fisicamente\u201d. Recuperemos ideias de Jos\u00e9 Mourinho nos \u201clong\u00ednquos\u201d anos de 2001 e 2005:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b><i>\u201c(\u2026) no &#8220;flash interview&#8221; ouvi falar de quebras f\u00edsicas e logo dei por mim a pensar que a minha cruzada vai ser mesmo dif\u00edcil. \u00c9 que n\u00e3o consigo mesmo que se perceba que isso n\u00e3o existe. A forma n\u00e3o \u00e9 f\u00edsica. A forma \u00e9 muito mais que isso. O f\u00edsico \u00e9 o menos importante na abrang\u00eancia da forma desportiva. Sem organiza\u00e7\u00e3o e talento na explora\u00e7\u00e3o de um modelo de jogo, as defici\u00eancias s\u00e3o expl\u00edcitas, mas pouco t\u00eam a ver com a forma f\u00edsica.&#8221;<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\">(Jos\u00e9 Mourinho, 2005)<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b><i>\u201c(\u2026) a forma desportiva \u00e9 \u201co jogador estar fisicamente bem, inserido num modelo de jogo que ele domina na perfei\u00e7\u00e3o. Quanto ao aspecto psicol\u00f3gico, que \u00e9 fundamental para poder jogar ao mais alto n\u00edvel, o jogador em forma sente-se confiante e \u00e9 solid\u00e1rio e cooperante com os seus companheiros e acredita neles. Ora tudo isto junto significa estar em forma e traduz-se em jogar bem.\u201d<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\">(Jos\u00e9 Mourinho, 2001)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Assim, nesta perspectiva complexa de forma desportiva, ser\u00e1 que far\u00e1 sentido chegar \u00e0 conclus\u00e3o que as quebras de rendimento do Benfica de Roger Schmidt sucederam por um eventual ligeiro decl\u00ednio de rendimento <i>f\u00edsico-en\u00e9rgico<\/i>, ignorando por outro lado os efeitos positivos que as folgas ter\u00e3o trazido a todos? Sim, a todos. Porque equipa t\u00e9cnica e staff tamb\u00e9m necessitam de estar \u201cfrescos\u201d e mentalmente bem para tomarem decis\u00f5es e actuar. A equipa e o seu rendimento, tamb\u00e9m s\u00e3o\u2026 o todo. Ou seja\u2026 todos os que no processo influem.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">E neste dom\u00ednio, n\u00e3o ter\u00e1, a sa\u00edda de Enzo Fernandez tamb\u00e9m contribu\u00eddo significativamente para a quebra de desempenho? At\u00e9 \u00e0 pausa competitiva para o Campeonato do Mundo, o argentino assumia-se como um jogador que claramente acrescentava outro desempenho \u00e0 equipa. Tanto que, tamb\u00e9m por isso, acabou por sair por um valor incr\u00edvel para o Chelsea. E j\u00e1 que estamos a falar do Mundial, na folga de 10 dias dada em Dezembro (a maior de todas), os jogadores com mais tempo de jogo ao momento at\u00e9 estavam ao servi\u00e7o das suas selec\u00e7\u00f5es, portanto, nem sequer usufru\u00edram desse prolongado per\u00edodo de folga. Tal como na folga de 5 dias no final de Setembro e na de uma semana em Mar\u00e7o.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o portando diversas as hip\u00f3teses e \u00e9 por isso que estamos perante um fen\u00f3meno complexo. Certezas nunca teremos em rela\u00e7\u00e3o a nenhuma formula\u00e7\u00e3o. Nada na verdadeira especificidade do jogo pode estar <i>\u201ccientificamente comprovado\u201d<\/i> porque n\u00e3o h\u00e1 uma linearidade no processo. Pelo menos atrav\u00e9s do actual conhecimento cient\u00edfico. E na situa\u00e7\u00e3o em causa, que decidindo uma semana de folga, ir\u00e1, com certeza, implicar uma quebra de rendimento. Diferentes contextos, seres humanos diferentes, equipas diferentes, lideran\u00e7as diferentes, trabalho diferente, formas de jogar diferentes, etc., etc.,\u2026 resultados diferentes.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Posto isto, chegamos \u00e0 principal motiva\u00e7\u00e3o deste artigo. Sublinhamos que certezas sobre causas para determinados resultados, quer antes quer \u00e0 posteriori, num processo \/ sistema complexo como \u00e9 o caso do treino e rendimento de um equipa de Futebol, n\u00e3o existir\u00e3o. Contudo, poderemos procurar explica\u00e7\u00f5es mais prov\u00e1veis. Neste sentido, naturalmente acrescentando o m\u00e9rito advers\u00e1rio (porque as equipas nunca jogam sozinhas e os jogos que protagonizaram a perda de rendimento do Benfica eram de dificuldade elevada para o Benfica), e tamb\u00e9m a sa\u00edda de Enzo Fern\u00e1ndez, no fundo at\u00e9 suspeitamos que ter\u00e3o sido de facto as pausas competitivas para as selec\u00e7\u00f5es que ter\u00e3o estado por tr\u00e1s dos tr\u00eas momentos de menor rendimento do Benfica. Por\u00e9m\u2026 por raz\u00f5es diferentes.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Assim, tendo em conta o que Jos\u00e9 Mourinho sustentava, se o entendimento de forma no contexto do Futebol, nos planos colectivo e individual \u00e9 estar a jogar bem no \u00e2mbito de determinado Modelo de Jogo, com os jogadores manifestando grande confian\u00e7a em si e nos companheiros, recordamos os momentos em que o Benfica, nomeadamente at\u00e9 Dezembro, transparecia essa confian\u00e7a, coopera\u00e7\u00e3o, solidariedade, criatividade, proximidade com o sucesso e at\u00e9, felicidade. No fundo\u2026 o nosso entendimento de qualidade de jogo. Uma qualidade que parecia transparecer \u201cinvencibilidade\u201d e que nem grandes clubes europeus, repletos de qualidade individual, conseguiram contrariar.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O autor (Pedro Bou\u00e7as, 2011) descreve que <i>\u201c(\u2026) n\u00e3o h\u00e1 divers\u00e3o igual aquela que se retira quando se consegue jogar de olhos fechados. Aquela que sentimos quando as coisas saem com um entrosamento tal que deixamos o advers\u00e1rio s\u00f3 a cheirar a bola (\u2026)\u201d.<\/i><b><i> <\/i><\/b>Tamb\u00e9m (Antonio Gagliardi, 2023), num artigo recente em que aborda uma eventual nova tend\u00eancia evolutiva do jogo, chamada de <i>\u201crelacionismo\u201d, <\/i>vai ao encontro deste pensamento explicando que tais ideias de jogo, que como o pr\u00f3prio nome indica t\u00eam por base os jogadores e as suas rela\u00e7\u00f5es, portanto, o seu entrosamento, real\u00e7am <i>\u201cas qualidades, caracter\u00edsticas e emo\u00e7\u00f5es dos jogadores, especialmente os mais t\u00e9cnicos, tamb\u00e9m porque ao ligar os jogadores entre si, torna todos um pouco mais felizes\u201d.<\/i><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Neste enquadramento, a forma, ser\u00e1, do ponto de vista colectivo a equipa, e individualmente cada um dos jogadores, manifestar qualidade ou entrosamento, conduzindo a desempenho e rendimento, tendo sempre em conta o contexto competitivo \/ advers\u00e1rios que defrontam. Passa por um entendimento ou \u201clinguagem\u201d comum, que simultaneamente os jogadores apresentam em rela\u00e7\u00e3o ao jogo, antecipando at\u00e9 o comportamento de colegas e advers\u00e1rios. E n\u00e3o conseguimos deixar de relacionar este fen\u00f3meno, a uma escala incrivelmente mais diminuta, com o entrela\u00e7amento qu\u00e2ntico, o qual, segundo a (Wikip\u00e9dia, 2023), <i>\u201cpermite que dois ou mais objectos estejam de alguma forma t\u00e3o ligados que um objecto n\u00e3o possa ser corretamente descrito sem que a sua contra-parte seja mencionada &#8211; mesmo que os objetos possam estar espacialmente separados por milh\u00f5es de anos-luz\u201d.<\/i><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b><i>&#8220;\u00c9 sobre esta representa\u00e7\u00e3o que os Jogadores retiram do contexto que fundamenta o quesito comunica\u00e7\u00e3o, dado que \u00e9 desenvolvido e elevado posteriormente a um car\u00e1cter de Linguagem quando aplicado sobre condi\u00e7\u00f5es mais complexas e intelig\u00edveis (Capra, 1996). Esta linguagem se tornar\u00e1 na Linguagem da Equipa [Espec\u00edfica] que \u00e9 um tanto mais \u00abfluente\u00bb quando os Jogadores se apresentam entrosados. Tendo em conta as diferentes l\u00ednguas da linguagem espec\u00edfica do Jogo de Futebol, esta Linguagem Espec\u00edfica da Equipa se torna um dialecto, espec\u00edfico a esta microsociedade (Teodorescu, 2003), fortalecendo que um aumento exponencial [quando em condi\u00e7\u00f5es cada vez mais complexas] de c\u00f3digos, e por sua vez informa\u00e7\u00f5es deste \u00abdialecto\u00bb a ponto de se tornar incompreens\u00edvel para outras Equipas da mesma linguagem espec\u00edfica. A pegar nos exemplos do Brasil e Espanha ambos pa\u00edses com uma diversidade cultural muito grande, esta compreens\u00e3o do dialecto colectivo Espec\u00edfico \u00e9 a mesma maneira que a perman\u00eancia e valora\u00e7\u00e3o que os Cearenses ou Ga\u00fachos [respectivamente dos Estados do Cear\u00e1 e Rio Grande do Sul] atribuem ao seu dialecto Espec\u00edfico e os Bascos sua l\u00edngua basca, sendo ambas atribu\u00eddas \u00e0 l\u00edngua portuguesa e espanhola mas, um tanto Espec\u00edfica que os pr\u00f3prios brasileiros e espanh\u00f3is em momentos n\u00e3o a compreendem t\u00e3o bem quando falado.&#8221;<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\">(Rodrigo Almeida, 2009)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Como (Jos\u00e9 Neto, 2014) descreve, estar em forma \u00e9 ent\u00e3o <i>\u201cdespertar para uma intelig\u00eancia colectiva, subjacente a uma exigente adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00faltiplas situa\u00e7\u00f5es, t\u00e3o rigorosas qu\u00e3o simples, que a pr\u00e1tica deste belo jogo imp\u00f5e\u201d. <\/i>No entanto, se visamos o m\u00e1ximo rendimento, este articula\u00e7\u00e3o relacional n\u00e3o poder\u00e1 inibir as qualidades individuais dos jogadores, mas sim<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>ponteci\u00e1-las, como tamb\u00e9m n\u00e3o dever\u00e1 levar, colectivamente, a equipa a se tornar pouco criativa, mec\u00e2nica e incapaz de se adaptar a novos problemas. Deste modo, o autor (Rodrigo Almeida, 2009), acrescenta que o entrosamento implica que a equipa consiga jogar em<i> \u201ccondi\u00e7\u00f5es Longe-do-Equilibrio e em n\u00edveis de complexidade cada vez maiores\u201d <\/i>e que a leve<i> \u201ca transcender o seu jogar por um grande n\u00edvel de ac\u00e7\u00f5es complexas dispon\u00edveis, numa forte rela\u00e7\u00e3o entre os elementos\u201d.<\/i><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">No fundo, a forma e o entrosamento, significam atingir uma fluidez ou estado de <i>flow<\/i> em que do caos natural do jogo, entre outras qualidades, emergem ordem, organiza\u00e7\u00e3o, coopera\u00e7\u00e3o, solidariedade, ambi\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia, criatividade, imprevisibilidade, naturalidade, sucesso e felicidade. Como (\u00d3scar Cano, 2022) sustenta, \u201c<i>os jogadores come\u00e7am a admirar-se entre eles, come\u00e7am a ver a correspond\u00eancia que h\u00e1 entre as capacidades de uns e as de outros. Come\u00e7am a ver qu\u00e3o necess\u00e1rios s\u00e3o os outros para que eu possa fazer o que sei fazer\u201d. <\/i>Perante esta perspectiva emocional \/ sentimental, podemos ent\u00e3o estar perante a poss\u00edvel justifica\u00e7\u00e3o para a tal rela\u00e7\u00e3o\u2026 \u201cqu\u00e2ntica\u201d.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O treinador e autor (Jorge Maciel, 2012) refere que <i>\u201cquando tais desempenhos se verificam o que se observa \u00e9 uma fus\u00e3o intencional e funcional entre os v\u00e1rios Eus (especificidades) que comp\u00f5em a equipa e que se concretiza pela fluidez e harmonia com que o todo (Especificidade), o jogar da equipa, se expressa\u201d, <\/i>concluindo que se trata de um processo<i> \u201cno qual partes e todo se harmonizam engrandecendo-se mutuamente\u201d. <\/i>\u00c9 ent\u00e3o nesse momento que o todo se torna maior que a soma das partes. E uma equipa entrosada, manifesta as partes (jogadores) no todo (equipa), e o todo (equipa \/ valores e intelig\u00eancia colectiva) nas suas partes (jogadores \/ valores \/ intelig\u00eancias individuais).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"width: 100%; height: 0px; position: relative; padding-bottom: 64.545%;\"><iframe loading=\"lazy\" style=\"width: 100%; height: 100%; position: absolute; left: 0px; top: 0px; overflow: hidden;\" src=\"https:\/\/streamable.com\/e\/39yavk\" width=\"100%\" height=\"100%\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/div>\n<blockquote>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b><i>\u201cO entrosamento<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b><i>\u00c9 ao acontecer<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b><i>o acontecimento,<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b><i>o fazer\u2026<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b><i>Cada um dos entrosados<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b><i>faz-se \u00fatil no instante,<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b><i>e mais do que \u00e9 aqui chegados\u2026<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b><i>Se o colectivo \u00e9 dominante.\u201d<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\">(V\u00edtor Frade, 2014)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Nesta linha de pensamento a aquisi\u00e7\u00e3o de entrosamento implica tempo e trabalho, para al\u00e9m de qualidade individual, se bem que mesmo dispondo de pouca, a equipa que atinge tal qualidade colectiva, ir\u00e1 esconder alguma das suas eventuais debilidades individuais.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Voltando ao exemplo do Benfica de Schmidt, a qualidade e fluidez que a equipa foi manifestando n\u00e3o foi excep\u00e7\u00e3o. Necessitou de trabalho de qualidade, quer no per\u00edodo preparat\u00f3rio, quer no competitivo e tempo de consolida\u00e7\u00e3o. Importa clarificar que este trabalho n\u00e3o \u00e9 algo que se realiza apenas no campo de treino. Naturalmente que o sucesso e as vit\u00f3rias catalisaram o processo, mas estas tamb\u00e9m surgiram pelo trabalho realizado. A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 naturalmente rec\u00edproca.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Perante tudo isto\u2026 perguntamos: o que sucede objectivamente nas paragens para os jogos das selec\u00e7\u00f5es? A integra\u00e7\u00e3o, normalmente dos jogadores mais utilizados noutros contextos e processos colectivos diferentes, com outras ideias de jogo, com outros l\u00edderes, com outros companheiros, com outros objectivos competitivos, noutro contexto de treino, operacional e organizativo. J\u00e1 para n\u00e3o referirmos as viagens, est\u00e1gios e desgaste da\u00ed decorrente, que s\u00e3o de facto extremamente influentes em todo o processo.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">E se essa integra\u00e7\u00e3o, numa selec\u00e7\u00e3o que treine com qualidade, que apresente sucesso e na qual o contexto individual seja favor\u00e1vel ao jogador logicamente j\u00e1 implicar\u00e1 influ\u00eancias e mudan\u00e7as individuais relativas ao seu contexto no clube, ou seja, uma perda do entrosamento que os jogadores apresentavam antes desse momento no seu clube, imagine-se ent\u00e3o nos casos em que o contexto \u00e9 desfavor\u00e1vel ou de insucesso.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b><i>&#8220;A minha resposta foi que os jogadores, \u00e0s vezes, v\u00e3o para a sele\u00e7\u00e3o e alguns n\u00e3o jogam, est\u00e3o 10 ou 12 dias no hotel, praticamente n\u00e3o treinam e por isso perdem alguma forma e intensidade. O problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 nosso, \u00e9 de todos os treinadores, e mesmo assim ganham jogos. N\u00e3o uso isso como desculpa.&#8221;<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\">(Roger Schmidt, 2023)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Portanto, Roger Schmidt at\u00e9 partilha a mesma opini\u00e3o. Como seria expect\u00e1vel de um treinador deste patamar competitivo. Os que atingem este contexto, como referido atr\u00e1s, possuir\u00e3o uma sensibilidade tal para o processo que compreendem-no enquanto sistema complexo, no qual qualquer micro mudan\u00e7a poder\u00e1 resultar num macro impacto. E neste caso nem estamos perante pequenas mudan\u00e7as. As diferen\u00e7as entre o que os jogadores fazem nos clubes e nas selec\u00e7\u00f5es s\u00e3o na maior parte das vezes, enormes. Deste modo, a perda de entrosamento tem que ser previs\u00edvel. No caso do Benfica, perante a qualidade de jogo manifestada at\u00e9 \u00e0s paragens, ainda mais.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Estar em forma, o emergir de entrosamento, ou o <i>flow<\/i> \u00e9 como uma rela\u00e7\u00e3o de duas pessoas apaixonadas. Os problemas tornam-se desafios, os envolvidos conhecem-se de \u201colhos fechados\u201d e antecipam os comportamentos um do outro. Emanam cumplicidade, fluidez e o bem mais precioso que o ser humano pode alcan\u00e7ar\u2026 felicidade. E nesse contexto, se as partes e todo<i> \u201cn\u00e3o se harmonizarem engrandecendo-se mutuamente\u201d<\/i> n\u00e3o haver\u00e1 \u201crendimento\u201d, ou seja\u2026 n\u00e3o haver\u00e1 amor e felicidade. E \u00e9 principalmente por isso, ao reproduzir no seu contexto espec\u00edfico o comportamento humano em geral, que este jogo \u00e9 t\u00e3o especial.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><b><i>\u201cDevemos redefinir o que \u00e9 ordem e organiza\u00e7\u00e3o. O interc\u00e2mbio de posi\u00e7\u00f5es que vimos outro dia no Real Madrid-Sevilha \u00e9 de jogadores que n\u00e3o olham para o banco, que n\u00e3o olham para o treinador, est\u00e3o a fluir, a jogar. Tenho um filho de 17 anos e j\u00e1 sabes que t\u00eam um vocabul\u00e1rio distinto do nosso, mas h\u00e1 uma palavra que me fascina: flow. A\u00ed est\u00e1 o futebol, no flow. Quando v\u00eas uma equipa a fluir, que n\u00e3o se det\u00e9m, que ningu\u00e9m pensa onde tem de estar, que ningu\u00e9m est\u00e1 a pensar, mas sim a sentir, est\u00e3o a jogar&#8230; isso \u00e9 impar\u00e1vel. Isso \u00e9 ordem. O caos, ou o aparente caos, \u00e9 uma forma sublime de ordem. O que acontece \u00e9 que se reduziu a ordem ao que podemos controlar, e isso \u00e9 distinto: isso n\u00e3o \u00e9 ordem, \u00e9 controlo. Uma coisa \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o de um conjunto de jogadores, que \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o em si; a ordem est\u00e1 sempre, sempre marcada por algo que n\u00e3o se pode medir, que n\u00e3o se pode atestar, que se intui, que se sente. \u00c9 algo que a ci\u00eancia n\u00e3o pode definir, \u00e9 o flow. Quando estou a treinar, a minha grande preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 misturar os jogadores at\u00e9 encontrar esse\u00a0flow\u00a0que me permite ser menos treinador, n\u00e3o dar tantas instru\u00e7\u00f5es, n\u00e3o ser t\u00e3o invasivo no dia a dia. Afinal, o treinador converteu-se, infelizmente, numa pessoa que oferece e emite informa\u00e7\u00e3o. E o treino n\u00e3o \u00e9 isso, n\u00e3o \u00e9 isso o futebol. Estamos a comunicar: eu atrav\u00e9s da palavra, porque n\u00e3o posso jogar, e eles atrav\u00e9s da conduta e comportamento.\u201d<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\">(\u00d3scar Cano, 2022)<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c(\u2026) \u00e9 na complexidade humana que se encontra o radical fundamento do futebol, para al\u00e9m da t\u00e9cnica, da t\u00e1ctica e da condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica.\u201d Manuel S\u00e9rgio em (Jos\u00e9 Neto, 2014) Ricardo Ara\u00fajo Pereira atinge a genialidade na sua \u00e1rea, mas tamb\u00e9m em diversos outros temas. 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