{"id":11401,"date":"2023-05-12T04:52:58","date_gmt":"2023-05-12T03:52:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/?p=11401"},"modified":"2023-05-12T05:25:22","modified_gmt":"2023-05-12T04:25:22","slug":"dawn-of-the-dead","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/2023\/05\/12\/dawn-of-the-dead\/","title":{"rendered":"Dawn of the Dead"},"content":{"rendered":"<div data-offset-key=\"f5mri-0-0\">\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>&#8220;A \u00fanica forma de construir uma equipa \u00e9 reunir jogadores que falem a mesma l\u00edngua e que saibam jogar em equipa. N\u00e3o se consegue atingir nada sozinho e, se o fizer, isso n\u00e3o dura muito tempo. Costumo citar o que Michelangelo disse: &#8216;O esp\u00edrito guia a m\u00e3o&#8217;.&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Arrigo Sacchi)<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-offset-key=\"f5mri-0-0\"><span style=\"text-align: justify;\">Tal como o filme Dawn of the Dead de 1978 foi alvo de um <\/span><em style=\"text-align: justify;\">remake<\/em><span style=\"text-align: justify;\"> por Zack Snyder em 2004, hoje assistimos no Futebol a um <\/span><em style=\"text-align: justify;\">remake<\/em><span style=\"text-align: justify;\"> do m\u00e9todo defensivo individual. E tal como nos filmes, estamos perante um fen\u00f3meno &#8220;morto-vivo&#8221; e os momentos de &#8220;terror&#8221; v\u00e3o-se acumulando dentro do campo.<\/span><\/div>\n<p style=\"margin-bottom:2em\">\n<div style=\"width: 100%; height: 0px; position: relative; padding-bottom: 56.250%;\"><iframe loading=\"lazy\" style=\"width: 100%; height: 100%; position: absolute; left: 0px; top: 0px; overflow: hidden;\" src=\"https:\/\/streamable.com\/e\/myp07i\" width=\"100%\" height=\"100%\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/div>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>\u201cQuem marca ao homem corre por onde o advers\u00e1rio quer. Essa ca\u00e7ada tem por fim capturar o inimigo, mas o meio usado converte o ca\u00e7ador em prisioneiro.\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Jorge Valdano, 2002)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00e1rios treinadores e analistas defendem o regresso da defesa individual com argumentos que favorecem uma maior agressividade e capacidade pressionante das equipas e de press\u00e3o sobre jogadores considerados fundamentais na <a href=\"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/2022\/06\/19\/organizacao-ofensiva-subscricao-anual\/\">Constru\u00e7\u00e3o e Cria\u00e7\u00e3o<\/a> advers\u00e1ria. Este \u00faltimo tamb\u00e9m ele um argumento cl\u00e1ssico, como a <em>responsabiliza\u00e7\u00e3o individual <\/em>de quem defende, entre outros mais. Ora, jogadores e equipas que individual e colectivamente tenham essa predisposi\u00e7\u00e3o e maior agressividade no momento defensivo podem esconder em alguns jogos ou momentos as raz\u00f5es para a fal\u00eancia da ideia. Tal como sucedeu no passado. Na actualidade, a recupera\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo tamb\u00e9m apresenta sucesso, a espa\u00e7os, por ser algo diferente e <em>inovador<\/em> do que se tornou norma. Consequentemente muitas equipas n\u00e3o se apresentam preparadas para defrontar advers\u00e1rios que defendam dessa forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja na prepara\u00e7\u00e3o de uma equipa de Rendimento, mas tamb\u00e9m em debilidades identificadas do processo formativo dos jogadores, que julgando a Defesa Individual totalmente ineficaz e mesmo, <em>morta, <\/em>determinadas decis\u00f5es t\u00e9cnicas n\u00e3o confrontam os jogadores com esse g\u00e9nero de problemas. Mas evidentemente, de forma mais basilar, este fen\u00f3meno tamb\u00e9m revela lacunas ofensivas no processo formativo n\u00e3o s\u00f3 nos princ\u00edpios espec\u00edficos da Mobilidade e Espa\u00e7o, mas tamb\u00e9m na pr\u00f3pria Progress\u00e3o \/ Penetra\u00e7\u00e3o. Por outro lado h\u00e1 que reconhecer que tudo o que \u00e9 novidade e pensamento divergente (neste caso apenas aparentemente), trar\u00e1 problemas e desafios. Mesmo algo que se considerava menos eficiente e mesmo em <em>vias de extin\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, determinados Modelos, assentes numa Ideia de jogo posicional muito r\u00edgida e cristalizada, gerando pouca mobilidade e permutas entre jogadores apresentam natural dificuldade contra equipas que defendam individualmente advers\u00e1rios directos, cortando assim todas as solu\u00e7\u00f5es de passe, ou pelo menos as mais pr\u00f3ximas e seguras. Naturalmente nos casos onde, individualmente, a qualidade dos jogadores \u00e9 similar. Nos outros casos, potenciar duelos de 1&#215;1, ser\u00e1 natural que o jogador de maior qualidade impere. Um dos melhores jogadores de todos os tempos, Diego Armando Maradona citado por (Tobar, 2010), vai ao encontro desta ideia e explica que <em>&#8220;com os anos, compreendi que eu gostava mais que me marcassem homem a homem porque me livrava facilmente deles e ficava livre. Ao contr\u00e1rio da marca\u00e7\u00e3o a zona que era muito mais complicado&#8221;. <\/em>\u00c9 muito prov\u00e1vel que estivesse a\u00ed a incluir o AC Milan de Arrigo Sacchi, equipa que defrontou em It\u00e1lia. Noutro exemplo, por\u00e9m colectivo, a Holanda de 74, de Rinus Michels, fez verdadeiramente diferente da norma naquele momento da evolu\u00e7\u00e3o do jogo, e entre outras qualidades, e uma das raz\u00f5es para o seu reconhecido sucesso, perante a enorme mobilidade com que os seus jogadores actuavam, acabou por criar grandes problemas e mesmo colocar em causa o m\u00e9todo individual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o autor (Jorge D., 2011) e refor\u00e7ado pelas situa\u00e7\u00f5es retratadas do AC Milan actual, quem defende\u00a0com refer\u00eancias individuais, <em>\u201cem vez de se preocupar em cortar espa\u00e7o ao portador da bola, condicionando assim a sua decis\u00e3o e roubar a profundidade da desmarca\u00e7\u00e3o, decide acompanhar as desmarca\u00e7\u00f5es que se aproximam da baliza, pelas quais foram arrastados, originando assim o alargamento do espa\u00e7o entre linhas assim como dos indiv\u00edduos da pr\u00f3pria linha (Defesas-Centrais e Defesas-Laterais)\u201d.\u00a0<\/em>Tamb\u00e9m de acordo com (Pedro Bou\u00e7as, 2010), <em>\u201cequipa que marca homem a homem, torna-se na presa, quando o advers\u00e1rio abusa do princ\u00edpio da mobilidade. Move-se por onde o advers\u00e1rio quer\u201d<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, apesar de casos de pontual sucesso, isso n\u00e3o quer dizer, numa vis\u00e3o macro do fen\u00f3meno, que m\u00e9todos individuais tragam igual ou mais rendimento que m\u00e9todos colectivos. Existe por vezes a tend\u00eancia de afirmar que n\u00e3o h\u00e1 coisas melhores nem piores no Futebol. Tal como na vida. Mas se a realidade \u00e9 complexa e n\u00e3o linear, e tudo tem pelo menos um limiar m\u00ednimo de diferen\u00e7a, ent\u00e3o, coisas, acontecimentos, fen\u00f3menos, decis\u00f5es, etc&#8230; diferentes, ir\u00e3o produzir resultados&#8230; diferentes. Por vezes at\u00e9, e trazendo o cl\u00e1ssico exemplo da borboleta da Teoria do Caos, produzindo resultados muito d\u00edspares perante acontecimentos aparentemente apenas ligeiramente diferentes. Se reconhecidamente estamos no \u00e2mbito de um sistema complexo e din\u00e2mico, ent\u00e3o estamos perante extrema <em>sensibilidade \u00e0s condi\u00e7\u00f5es iniciais<\/em>. Portanto, nos Desportos&#8230; Colectivos, tal qual vemos a sociedade em geral, um m\u00e9todo de jogo, seja defensivo ou ofensivo, Individual e n\u00e3o&#8230; Colectivo, ir\u00e1 trazer problemas, inefici\u00eancia e inefic\u00e1cia, dado o desfasamento das necessidades da realidade em causa. Tal como na sociedade. At\u00e9 podemos ter sucesso pontual individual, mas n\u00e3o iremos subsistir a prazo enquanto esp\u00e9cie. Deixamos tamb\u00e9m a quest\u00e3o no \u00e2mbito da Ci\u00eancia Militar. Ser\u00e1 que algum General alguma vez definiu uma estrat\u00e9gia para um confronto assente no individualismo? Mesmo ao n\u00edvel mais elementar dos ex\u00e9rcitos, do ponto de vista estrat\u00e9gico ou t\u00e1ctico, se poss\u00edvel, o pensamento \u00e9 no m\u00ednimo, grupal&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta linha de pensamento, recuperando ideias ainda actuais, na opini\u00e3o de (Pedro Bou\u00e7as, 2011), <em>&#8220;DEFENDER O QU\u00ca? deve ser a primeira pergunta que se deve colocar, quando se pretende definir o m\u00e9todo defensivo. Se n\u00e3o h\u00e1 certo ou errado, <strong>garantidamente que h\u00e1 melhor e pior<\/strong>\u201d.<\/em> O autor sustenta que <em>\u201ca melhor resposta \u00e9 seguramente, a que afirmar que se deve defender a baliza. N\u00e3o o advers\u00e1rio. A baliza. O posicionamento defensivo que se centra no tapar o caminho para a sua baliza, \u00e9 francamente melhor que aquele que pretende defender os advers\u00e1rios\u201d<\/em>. Johan Cruyff reconhecido pelas suas ideias ofensivas, torna expressa a interdepend\u00eancia dos momentos ofensivos e defensivos, ao defender que a qualidade defensiva \u00e9 directamente influenciada pela quantidade de espa\u00e7o que um jogador tem que defender. Deste modo, o lend\u00e1rio jogador e treinador holand\u00eas descreve que se um jogador tem de defender o campo todo, ser\u00e1 potencialmente um terr\u00edvel defensor, por\u00e9m se defender um espa\u00e7o reduzido poder\u00e1 ser um bom defensor, sustando assim ser <em>\u201c<strong>tudo uma quest\u00e3o de espa\u00e7o!<\/strong>\u201d<\/em>\u00a0Tamb\u00e9m o treinador portugu\u00eas (Carlos Carvalhal, 2010) refor\u00e7a a ideia atrav\u00e9s da sua experi\u00eancia como jogador: <em>\u201cfui defesa central e percebo muito bem esta posi\u00e7\u00e3o! Mais importante que perseguir advers\u00e1rios e fazer carrinhos nas laterais do campo, \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio saber guardar o seu espa\u00e7o e <strong>n\u00e3o permitir que qualquer advers\u00e1rio (n\u00e3o s\u00f3 os avan\u00e7ados) possa entrar nesse espa\u00e7o para fazer golo<\/strong>\u201d<\/em>.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><strong><i>&#8220;No segundo ano de iniciado no Braga, come\u00e7\u00e1mos a experimentar esta nova solu\u00e7\u00e3o porque, tanto eu como o meu novo colega de equipa (Boticas), n\u00e3o \u00e9ramos o prot\u00f3tipo do libero e possu\u00edamos caracter\u00edsticas id\u00eanticas. As vantagens eram muitas porque divid\u00edamos o espa\u00e7o: se o avan\u00e7ado viesse para a esquerda, eu marcava e ele fazia cobertura; se fosse para a direita, ele marcava e eu fazia cobertura. Sent\u00edamo-nos confort\u00e1veis a jogar assim, corr\u00edamos menos e t\u00ednhamos a convic\u00e7\u00e3o de que era mais complicado para o avan\u00e7ado contr\u00e1rio, porque tinha os espa\u00e7os bloqueados. No fundo, a grande diferen\u00e7a era que n\u00e3o and\u00e1vamos atr\u00e1s do avan\u00e7ado, ele vinha ter connosco. Come\u00e7\u00e1mos tamb\u00e9m a entender que, embora exigisse mais concentra\u00e7\u00e3o no fechar dos espa\u00e7os, criava muitas dificuldades \u00e0s equipas que pretendiam que outros jogadores fizessem desmarca\u00e7\u00f5es de rutura em fun\u00e7\u00e3o da mobilidade do avan\u00e7ado. Era o in\u00edcio do entendimento do que era &#8220;Jogar \u00e0 zona&#8221;. Nessa altura, comecei a perceber a import\u00e2ncia de &#8220;fechar espa\u00e7o&#8221; para quem est\u00e1 a defender e &#8220;criar espa\u00e7o&#8221; para quem est\u00e1 a atacar. A rela\u00e7\u00e3o com os laterais era tamb\u00e9m importante para fechar os espa\u00e7os. Pelo facto de sofrermos alguns golos, porque o defesa do lado contr\u00e1rio marcava em cima o advers\u00e1rio e existia um grande espa\u00e7o entre o defesa central e este, fui tentando ajudar a organizar as minhas defesas. (A preocupa\u00e7\u00e3o dos treinadores com a defesa n\u00e3o era uma prioridade, na altura! Se cada um marcasse o seu, a defesa estava organizada \u2014 n\u00e3o estava ainda desenvolvido o conceito de zona). Assim, ia sugerindo aos defesas laterais que fechassem o espa\u00e7o interior, quando a bola estava do lado contr\u00e1rio, e tentava explicar as vantagens de fechar esse espa\u00e7o. Umas vezes, era entendido. Mas, muitas vezes, o receio de deixar o extremo sozinho sem marca\u00e7\u00e3o era tal que esta tarefa era imposs\u00edvel. At\u00e9 porque, na altura, existia muita responsabiliza\u00e7\u00e3o individual por falta de marca\u00e7\u00e3o ao advers\u00e1rio direto. Recordo-me, uma vez, de insistir com o defesa esquerdo para fechar o espa\u00e7o entre mim e ele, quando a bola estava no lado contr\u00e1rio. Ele ia-me dizendo, &#8220;Carlos eu fecho e, depois, o extremo fica sozinho! Se ele marca golo ou cruza, o treinador vai-me dar cabo da cabe\u00e7a!&#8221; Eu l\u00e1 lhe ia explicando que era mais importante fechar os espa\u00e7os interiores, porque tinha sempre tempo para pressionar o seu advers\u00e1rio direto enquanto a bola viajava de um lado para o outro.&#8221;<\/i><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: center;\">(Carlos Carvalhal, 2014)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato de Carlos Carvalhal torna-se precioso, mas n\u00e3o novidade. Se nos recordarmos do Futebol que jog\u00e1vamos na &#8220;rua&#8221;, sem treinadores, em regime de auto-descoberta, na interac\u00e7\u00e3o que estabelec\u00edamos com os nossos companheiros e advers\u00e1rios, o pr\u00f3prio jogo ensin\u00e1va-nos que o melhor caminho para defender era de forma&#8230; colectiva. E dificilmente nos ensinava outro. Havia sempre algu\u00e9m que tinha assistido, ao vivo ou na televis\u00e3o, a um grande desempenho de um jogador em marca\u00e7\u00e3o individual, ou ouvido adultos a comentar algo desse g\u00e9nero, e como bom imitador de \u00eddolos tal qual todos \u00e9ramos, informava&#8230; <em>&#8220;hoje marco o Jo\u00e3o que \u00e9 o melhor jogador deles!&#8221;.\u00a0<\/em>Perante a falta de liberdade, desgaste, e condicionamento que a miss\u00e3o lhe proporcionava nos seus momentos ofensivos, ao fim de 5 minutos de jogo, desistia do &#8220;Jo\u00e3o&#8221; e empenhava-se em realmente&#8230; jogar. O jogo ensinava-nos ent\u00e3o, aquando da bola na posse do advers\u00e1rio, que as prioridades deviam ser a nossa baliza, a bola, os espa\u00e7os, as linhas de passe mais pr\u00f3ximas, a posi\u00e7\u00e3o dos nossos companheiros e finalmente a dos nossos advers\u00e1rios. Jogando sem fora-de-jogo como usualmente sucedia na &#8220;rua&#8221; e no Futsal, a\u00a0\u00fanica excep\u00e7\u00e3o seria o advers\u00e1rio esperto que se colocava entre o nosso \u00faltimo defensor e o nosso Guarda-Redes. Nesse caso esse precisava de maior vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Analisando o Futebol de uma perspectiva macro, e mesmo a evolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e filos\u00f3fica em geral, somos levados a acreditar, que na sociedade dos adultos, impregnada pelo pensamento cartesiano, anal\u00edtico, mec\u00e2nico, e pelo reducionismo e atomismo cl\u00e1ssicos, tal qual muitas outras ideias como tamb\u00e9m se torna exemplo a evolu\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos de treino, a defesa individual foi algo que o treinador trouxe para o jogo, numa tentativa de simplificar o complexo, de dividir o indivis\u00edvel, de controlar o incontrol\u00e1vel, de <em>reduzir empobrecendo<\/em>&#8230; Neste enquadramento, ao contr\u00e1rio do que o pr\u00f3prio jogo nos ensinava, o treinador passou a \u00faltima prioridade: os advers\u00e1rios, para o topo da lista. Indo mais longe, influenciado tamb\u00e9m pela cl\u00e1ssica vis\u00e3o egoc\u00eantrica da realidade, na qual o homem tem que estar sempre no centro de tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas na verdadeira realidade, a&#8230; complexa, temos como consequ\u00eancia a tamb\u00e9m n\u00e3o linearidade da evolu\u00e7\u00e3o. Deste modo, tamb\u00e9m num contexto de esquecimento de uma hist\u00f3ria assim n\u00e3o t\u00e3o antiga, mas fundamentalmente como vimos atr\u00e1s, pela <em>renovidade\u00a0<\/em>que a ideia traz ao jogo e sucesso pontual que promove, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 de espantar estarmos, na nossa opini\u00e3o, a dar um <em>passo atr\u00e1s<\/em>. Esperando sempre que, \u00e0 boa imagem do que tem sido at\u00e9 agora a hist\u00f3ria evolutiva da nossa esp\u00e9cie, seja para posteriormente <em>darmos dois \u00e0 frente<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor (Nuno Amieiro, 2004), na sua tese e livro sobre a Defesa Zona, expunha que <em>&#8220;no seu livro, Jorge Valdano falava apaixonadamente sobre a \u00abzona\u00bb, parafraseava Menotti (\u201cA zona \u00e9 liberdade\u201d), Maturana (\u201cA zona faz da defesa a arte de atacar\u201d) e deliciava-me com as descri\u00e7\u00f5es da \u00abzona\u00bb inteligente, agressiva e harmoniosa do Milan de Sacchi. A \u00abzona\u00bb de que Valdano falava aproxima-se da \u00abzona\u00bb com que tive, pela primeira vez, contacto, aquela a que, superficial e esporadicamente, o professor Vitor Frade fazia refer\u00eancia nas aulas&#8221;.\u00a0<\/em>Neste sentido, trazemos outra ideia. A Defesa Zona, induz muitas vezes as pessoas em erro, pela interpreta\u00e7\u00e3o literal que dela fazem. Defender Zona n\u00e3o implica defender s\u00f3 zonas ou espa\u00e7os, como vimos atr\u00e1s. Implica uma preocupa\u00e7\u00e3o at\u00e9 maior com outras refer\u00eancias do jogo como a nossa baliza e a bola, e ainda outras como as linhas de passe mais pr\u00f3ximas, companheiros e advers\u00e1rios. Mas acima de tudo uma preocupa\u00e7\u00e3o pelo sistema din\u00e2mico que o jogo representa, e dessa forma pela implicitude da <strong>interac\u00e7\u00e3o<\/strong>. Como V\u00edtor Frade sustentou no seu projecto de Doutoramento em 1990: <em><strong>A interac\u00e7\u00e3o, invariante estrutural da estrutura do rendimento do Futebol<\/strong><\/em>. A Defesa Zona implica ent\u00e3o um pensamento&#8230; colectivo. Logo, tamb\u00e9m em contra-ponto \u00e0 Defesa Individual, n\u00e3o ser\u00e1 mais apropriado lhe chamarmos&#8230; <strong>Defesa Colectiva<\/strong>?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novamente (Nuno Amieiro, 2004), parece concordar e apresentar argumentos refor\u00e7ando essa ideia ao descrever que\u00a0<em>&#8220;s\u00e3o tr\u00eas pressupostos t\u00e1cticos fundamentais desta forma de organiza\u00e7\u00e3o defensiva. S\u00e3o estas refer\u00eancias defensivas colectivas que, quando correctamente perspectivadas, nos permitem obter superioridade posicional, temporal e num\u00e9rica na defesa. No fundo, ao manifestar-se, a \u00abzona\u00bb expressa:<\/em><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><em>Um \u00abpadr\u00e3o defensivo <strong>colectivo<\/strong>\u00bb;<\/em><\/li>\n<li><em><strong>Complexo<\/strong>, \u00e9 verdade;<\/em><\/li>\n<li><em>Mas tamb\u00e9m <strong>din\u00e2mico e adaptativ<\/strong>o;<\/em><\/li>\n<li><em><strong>Compacto<\/strong>, <strong>homog\u00e9neo<\/strong> e <strong>solid\u00e1rio<\/strong>.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ser\u00e3o estas \u00abpropriedades\u00bb, emergentes da coordena\u00e7\u00e3o colectiva, a dar verdadeira coes\u00e3o defensiva \u00e0 equipa. Esta forma de organiza\u00e7\u00e3o defensiva revela-se, como tal, n\u00e3o s\u00f3 a mais eficaz defensivamente, mas tamb\u00e9m a que, de longe, melhor responde \u00e0 <strong>\u00abinteireza inquebrant\u00e1vel do jogo\u00bb<\/strong>. Revela-se, assim, uma necessidade face \u00e0 \u00abinteireza inquebrant\u00e1vel\u00bb que o \u00abjogar\u00bb deve manifestar. N\u00e3o \u00e9 de estranhar, portanto, que este seja o \u00abpadr\u00e3o defensivo\u00bb das equipas de top&#8221;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" style=\"border: none; overflow: hidden;\" src=\"https:\/\/www.facebook.com\/plugins\/video.php?height=361&amp;href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2FSaberSobreOSaberTreinar%2Fvideos%2F1717223275375558%2F&amp;show_text=false&amp;width=560&amp;t=0\" width=\"560\" height=\"361\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arrigo Sacchi, a prop\u00f3sito do seu AC Milan, relata que conseguiu<em> &#8220;convencer Gullit e Van Basten dizendo-lhes que cinco jogadores organizados seriam capaz de vencer dez jogadores desorganizados. E eu tamb\u00e9m consegui provar isto. Peguei em cinco jogadores, Galli na baliza e depois Tassoti, Maldini, Costacurta e Baresi. Do outro lado, coloquei 10, Gullit, Van Basten, Rijkaard, Virdis, Evani, Ancelotti, Colombo, Donadoni, Lantignotti e Massaro. O grupo composto por 10 elementos tinha 15 minutos para marcar contra os meus organizados. S\u00f3 havia uma \u00fanica regra, se n\u00f3s recuperamos a bola, a outra equipa tinha de come\u00e7ar desde tr\u00e1s novamente, 10 metros antes do meio campo. Continuei a fazer. A equipa com 10 elementos nunca conseguiu marcar, nem uma vez&#8221;. <\/em>N\u00e3o queremos imaginar Sacchi, e mesmo Capello, a assistirem \u00e0 &#8220;organiza\u00e7\u00e3o defensiva&#8221; do actual AC Milan&#8230;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>\u201cApesar de estarmos na II Divis\u00e3o, fomos o primeiro clube alem\u00e3o a jogar em 4x4x2 sem libero. Vimos um v\u00eddeo muito chato, mais de 500 vezes, com o Sacchi a treinar a defesa, sem bola, com o Maldini, Baresi e Albertini. Pens\u00e1vamos que se os outros fossem melhores t\u00ednhamos de perder. Depois aprendemos que tudo \u00e9 poss\u00edvel, podemos bater os melhores usando t\u00e1ticas.\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(J\u00fcrgen Klopp, 2013) sobre a influ\u00eancia de Wolfgang Frank, que treinou Klopp no Mainz e era um admirador dos m\u00e9todos de Arrigo Sacchi no AC Milan<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A \u00fanica forma de construir uma equipa \u00e9 reunir jogadores que falem a mesma l\u00edngua e que saibam jogar em equipa. N\u00e3o se consegue atingir nada sozinho e, se o fizer, isso n\u00e3o dura muito tempo. Costumo citar o que Michelangelo disse: &#8216;O esp\u00edrito guia a m\u00e3o&#8217;.&#8221; (Arrigo Sacchi) Tal como o filme Dawn of [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":11430,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[407,406],"tags":[616,824,1055,1054,23,1052,63,64,414,65,408,532,990,756,775,1053],"class_list":["post-11401","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-conhecimento-do-jogo","category-metodologia","tag-ac-milan","tag-ac-milan-de-arrigo-sacchi","tag-atomismo","tag-cartesianismo","tag-complexidade","tag-defesa-colectiva","tag-defesa-individual","tag-defesa-zona","tag-organizacao-defensiva","tag-pensamento-analitico","tag-principios-de-jogo","tag-principios-especificos-de-jogo","tag-principios-fundamentais-do-jogo","tag-reducionismo","tag-sistemas-complexos","tag-sistemas-dinamicos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11401","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11401"}],"version-history":[{"count":21,"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11401\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11429,"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11401\/revisions\/11429"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11430"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}