{"id":6530,"date":"2018-05-07T17:21:15","date_gmt":"2018-05-07T16:21:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/?p=6530"},"modified":"2018-05-07T21:27:12","modified_gmt":"2018-05-07T20:27:12","slug":"o-segundo-dado-estatistico-mais-relevante-do-jogo-de-futebol","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/2018\/05\/07\/o-segundo-dado-estatistico-mais-relevante-do-jogo-de-futebol\/","title":{"rendered":"O segundo dado estat\u00edstico mais relevante do jogo de Futebol"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>&#8220;O privilegiar o jogo apoiado permite \u00e0 Espanha n\u00e3o ter que andar sistematicamente em transi\u00e7\u00f5es por perda de bola e quando isso acontece, encontram-se perto, o que lhes permite fazer uma aproxima\u00e7\u00e3o (press\u00e3o) mais r\u00e1pida.&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Marisa Gomes, 2010)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num <a href=\"https:\/\/www.lateralesquerdo.com\/2018\/05\/03\/stephen-eustaquio-o-miudo-que-so-sabe-jogar-bem\/\">artigo<\/a> publicado recentemente, referia-se que jogar bem\u00a0\u00e9 bastante mais que\u00a0<em>&#8220;ter momentos de brilhantismo e criatividade&#8221;.\u00a0<\/em>Segundo o autor\u00a0<em>&#8220;jogar bem tem tudo a ver com a percentagem de acerto das ac\u00e7\u00f5es que se realizam. Fazer tr\u00eas golos e perder noventa bolas na mesma partida, n\u00e3o \u00e9 jogar bem&#8221;.\u00a0<\/em>N\u00e3o podemos estar mais de acordo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pensamento tradicional e a perspectiva do jogo enquanto espect\u00e1culo, empurra-nos a todos para as ac\u00e7\u00f5es que envolvem a bola, nomeadamente para o <a href=\"http:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/saber-sobre-o-saber-treinar\/glossario\/\">centro do jogo<\/a>, e a\u00ed, em particular para as ac\u00e7\u00f5es, que como o autor referiu,\u00a0<em>&#8220;tenham impacto no resultado&#8221;,\u00a0<\/em>ou ent\u00e3o, que promovam para o espectador, a\u00a0espectacularidade do jogo, o que \u00e9 sempre relativo. S\u00e3o muitas vezes esquecidas tantas outras ac\u00e7\u00f5es, dento e fora do centro do jogo, que embora pare\u00e7am mais simples, s\u00e3o cruciais para a estabilidade do jogo de uma equipa. Deste modo s\u00e3o desvalorizadas perdas de bola resultantes de m\u00e1s decis\u00f5es se o jogador em causa entretanto teve um rasgo de habilidade, criatividade ou marcou um golo. Como o autor sublinhou, n\u00e3o que estas ac\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam importantes no jogo, mas essencialmente porque as perdas de bola tamb\u00e9m o s\u00e3o e a maioria dos espectadores, muitos jogadores e at\u00e9 treinadores, n\u00e3o compreendem como as mesmas afectam o jogo de uma equipa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensando o jogo de forma complexa, ou seja, procurando as rela\u00e7\u00f5es entre os seus acontecimentos, constatamos que a acumula\u00e7\u00e3o de perdas de bola, pela equipa, ou por um jogador em particular, aumentam o n\u00famero de momentos de transi\u00e7\u00e3o, consequentemente, os momentos de desorganiza\u00e7\u00e3o posicional, a necessidade de deslocamentos e de velocidade na reorganiza\u00e7\u00e3o posicional. Consequ\u00eancia de tudo isto, cresce o desgaste, na sua rela\u00e7\u00e3o f\u00edsico-emocional, aumenta a dificuldade da decis\u00e3o e da execu\u00e7\u00e3o. O jogo torna-se, portanto, mais dif\u00edcil. Refor\u00e7ando, perante jogos com estas caracter\u00edsticas, normalmente assiste-se \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o de mais perdas de bola nos pr\u00f3prios momentos de transi\u00e7\u00e3o e a situa\u00e7\u00f5es de descontrolo emocional que levam os jogadores a comportamentos desviantes em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio jogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se, por outro lado, pensarmos na equipa que perde poucas vezes a bola, podemos extrair da\u00ed v\u00e1rias consequ\u00eancias no seu jogo. A equipa permanece mais junta, joga em menos espa\u00e7o, potencialmente desgastar-se-\u00e1 menos, mant\u00e9m-se mais junta nos momentos de perda, empurrar\u00e1 o advers\u00e1rio para junto da sua baliza, potencialmente retira confian\u00e7a ao mesmo e emocionalmente exercer\u00e1 um papel dominante no jogo. Neste contexto,\u00a0(Bou\u00e7as, 2011) defende que\u00a0<em>&#8220;para qualquer equipa que se pretenda dominadora, jogar com os defesas t\u00e3o pr\u00f3ximos da linha do meio campo, \u00e9 um risco claramente compensat\u00f3rio, se os restantes jogadores se mantiverem concentrados e capazes de impedir que o advers\u00e1rio tenha demasiado tempo para decidir e executar. Jogar t\u00e3o alto, retira imensa capacidade para poder ser clarividente ao advers\u00e1rio. Ningu\u00e9m, particularmente quando a qualidade n\u00e3o abunda, arrisca em zonas demasiado recuadas. N\u00e3o raras vezes, ap\u00f3s a perda de bola, se torna a recuperar rapidamente a sua posse, somente porque o advers\u00e1rio se v\u00ea obrigado a jogar longo e sem nexo, por forma a n\u00e3o arriscar perdas em zonas t\u00e3o recuadas do campo. E esta \u00e9 indubitavelmente a f\u00f3rmula correcta para subjugar os advers\u00e1rios. Mesmo em dias menos inspirados, estar sempre t\u00e3o pr\u00f3ximo da meta, poder\u00e1 revelar-se determinante&#8221;. <\/em>Por\u00e9m, para garantir este cen\u00e1rio, \u00e9 fundamental n\u00e3o perder a bola at\u00e9 garantir a invas\u00e3o do meio-campo advers\u00e1rio.\u00a0E finalmente, o mais importante. A equipa que perde poucas vezes a bola, obviamente ter\u00e1 mais tempo a bola e deste modo estar\u00e1 mais pr\u00f3xima de cumprir o objectivo m\u00e1ximo do jogo e de n\u00e3o sofrer golos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 certo que existem equipas fortes nos momentos de transi\u00e7\u00e3o. Porque s\u00e3o constitu\u00eddas por jogadores com essas caracter\u00edsticas e \/ ou, porque treinam o seu jogo nesse sentido. Contudo, se as observarmos a longo prazo, percebemos que s\u00e3o potencialmente fortes em jogos em que n\u00e3o s\u00e3o impelidas a ter iniciativa no momento ofensivo, conseguindo, por vezes, desempenhos interessantes em competi\u00e7\u00f5es de elimina\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m em competi\u00e7\u00f5es de muitas jornadas, onde a regularidade \u00e9 fundamental e onde por vezes defrontam advers\u00e1rios com mentalidade de jogo similar, apresentam normalmente dificuldades em obter classifica\u00e7\u00f5es elevadas. Nos momentos de transi\u00e7\u00e3o ofensiva, uma equipa pode perder poucas vezes a bola? Pode se nesses momentos a situa\u00e7\u00e3o terminar em golo ou remate falhado para fora do campo e consequentemente trouxer uma situa\u00e7\u00e3o de bola parada. O que, naturalmente, \u00e9 extremamente dif\u00edcil de acontecer. Caso contr\u00e1rio a bola passa para o advers\u00e1rio e a equipa encontra-se dispersa pelo campo, tendo que recuperar o seu posicionamento defensivo no m\u00ednimo tempo poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9\u00a0comumente aceite a negatividade da perda de bola, mas paralelamente sentimos que \u00e0 mesma n\u00e3o \u00e9 dada a import\u00e2ncia que na realidade tem, pela forma como afecta todo o jogo da equipa e a rela\u00e7\u00e3o com o advers\u00e1rio. \u00c9 constantemente desvalorizada em favor de outros comportamentos. Sendo a estat\u00edstica hoje muito debatida, um dado geral, que depois carecer\u00e1 de um contexto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma de jogar da equipa e provavelmente \u00e0 fun\u00e7\u00e3o ou espa\u00e7o onde se encontra o jogador que perde a bola, sentimos que a perda de bola, poder\u00e1 talvez ser, a seguir aos golos marcados e sofridos&#8230; o dado estat\u00edstico mais importante do jogo.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>\u201cTemporizar \u00e9 muito importante. Para mim \u00e9 fundamental. Decidir bem. Posso dar um exemplo: muitas vezes n\u00f3s falamos no designado \u201ccontra-ataque\u201d, para mim, para transitar bem para o ataque e r\u00e1pido, \u00e9 preciso faz\u00ea-lo com boas decis\u00f5es, porque na maior parte das vezes, o transitar r\u00e1pido com perda de bola no primeiro ou no segundo passe, tem a consequ\u00eancia de apanhar a equipa a abrir para atacar, e levarmos com golo logo a seguir\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(V\u00edtor Pereira, 2014)<\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>&#8220;Sempre que joga, tem estado em alto n\u00edvel.(&#8230;) Ficar\u00e1 muito tempo. Enquanto aqui estiver, ele n\u00e3o sai. Ficar\u00e1 comigo. (&#8230;)\u00a0Os bons jogadores adaptam-se em qualquer lado e muito rapidamente. Ele tem golo e assist\u00eancia. E n\u00e3o perde a bola, o que \u00e9 muito importante para mim.&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Guardiola, 2017 &amp; 2018) sobre Bernardo Silva<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O privilegiar o jogo apoiado permite \u00e0 Espanha n\u00e3o ter que andar sistematicamente em transi\u00e7\u00f5es por perda de bola e quando isso acontece, encontram-se perto, o que lhes permite fazer uma aproxima\u00e7\u00e3o (press\u00e3o) mais r\u00e1pida.&#8221; (Marisa Gomes, 2010) Num artigo publicado recentemente, referia-se que jogar bem\u00a0\u00e9 bastante mais que\u00a0&#8220;ter momentos de brilhantismo e criatividade&#8221;.\u00a0Segundo o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6563,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[407],"tags":[773,771,417,770,185,95,772],"class_list":["post-6530","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-conhecimento-do-jogo","tag-bernardo-silva","tag-estatistica","tag-organizacao-ofensiva","tag-perda-de-bola","tag-transicao-defensiva","tag-transicao-ofensiva","tag-transicoes"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6530","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6530"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6530\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6563"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.sabersobreosabertreinar.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}